Produtores Rurais e Proteção Ambiental – Desmontando Mitos

As duas notícias abaixo foram publicadas no boletim da Organização das Cooperativas de Santa Catarina – OCESC, da qual partiu a iniciativa da realização de grande número de encontros e levantamentos que resultaram no anteprojeto de lei que, depois de toda a tramitação legal, deu origem ao Código Estadual de Meio Ambiente de Santa Catarina, promulgado em abril de 2009.  O Código, que introduz interessantes conceitos de remuneração por serviços ambientais, foi, à época, “jurado de morte” por organizações ambientalistas urbanas e até pelo Ministério de Meio Ambiente.  Apesar de inúmeras ações judiciais e de inconstitucionalidade, o Código continua em vigor.

Como a primeira notícia faz referência ao SICOOB, sigla ignorada pela esmagadora maioria dos ambientalistas urbanos, vale dizer que esse é o maior sistema de cooperativas de crédito rural do Brasil, com o total de 1,7 milhões de associados ao final de 2009.  Um “raio X” do SICOOB pode ser encontrado em http://www.sicoob.com.br/site/numeros_do_sicoob.load e conhecê-lo pode ser bastante útil para aqueles que tentam, com grande esforço, acreditar que todos os agricultores são iguais e que nenhum deles se interessa pela proteção dos recursos naturais.

Isso, enquanto as indústrias que poluem a água, o ar e o solo das cidades enchem o peito para falar em responsabilidade social e ambiental quando, apesar de não terem uma gestão minimamente eficiente de suas emissões de poluentes, doam uns trocados para alguns projetos que tendem a ter muito mais a função de maquiagem verde do que de efetiva transformação dos padrões de comportamento das próprias indústrias. O simplismo marqueteiro da luta de um pequeno grupo “do bem” contra os poderosos “do mal” não se sustenta nas pernas quando se chega para mais perto do campo, em particular na região Sul do Brasil.

Em caso de dúvida, vale visitar o site www.febrapdp.org.br e vsculhar os seus números e documentos.  Evidentemente, o que lá está não agrada aos grupelhos urbanóides cujos salários depende de sua capacidade de cafetinar o assunto.

SICOOB SÃO MIGUEL É DESTAQUE EM RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL

O Sicoob São Miguel obteve os 2º e 3º lugares do Prêmio Concred Verde, nas categorias Responsabilidade Social e Ambiental, respectivamente. A premiação, uma iniciativa da Confebras, ocorreu pela primeira vez durante o 8º Congresso Brasileiro de Cooperativismo de Crédito. A cooperativa conquistou o 2º lugar com o projeto “Responsabilidade Ambiental na preservação de cursos de água no extremo-oeste catarinense” e o 3º lugar com o projeto “Sicoobito, gibi educativo sobre responsabilidade social”.

O projeto de preservação de cursos de água permitiu a instalação de viveiro de mudas de espécies nativas para recompor a mata ciliar do município de Palma Sola e construção de cercas de arame para isolamento das áreas recuperadas nos municípios de Paraíso, Bandeirante, Guaraciaba, Guarujá do Sul, Princesa, Dionísio Cerqueira e Anchieta. As comunidades pertencentes ao projeto contam com 359 famílias beneficiadas que protegem um total de 40,5 quilômetros de extensão de áreas de vegetação ciliar.

Segundo o presidente do Sicoob São Miguel, Edemar Fronchetti, “as famílias que fazem parte do projeto são empreendedoras do meio rural e, com a sua ação, beneficiam muitas outras famílias na extensão dos mananciais”. O viveiro produz 20 mil mudas por ano, que são destinadas à reposição da mata ciliar com o apoio de alunos e de seus familiares. “Os alunos, ao participarem dessas ações, recebem lições de cooperação, educação ambiental, responsabilidade social e ambiental, e aprendizado interdisciplinar”, destacou Fronchetti.

O Sicoob São Miguel também conquistou o 3º lugar do Prêmio Concred Verde na categoria Responsabilidade Social, com o projeto Sicoobito, um gibi educativo com 32 páginas, que contempla duas histórias em quadrinhos (Cooperando pelo futuro e Lição de economia). Na revista também há brincadeiras como o jogo dos sete erros, mensagem oculta, caça-palavras, labirinto e espaço para colorir.

“Cooperando pelo futuro trata do problema do lixo e do meio ambiente e lição de economia procura conscientizar sobre a importância de poupar”, informa o presidente Edemar Fronchetti. Foram distribuídas 14.300 revistas para alunos de 6 a 12 anos de toda a rede escolar nos 14 municípios em que a cooperativa possui postos de atendimento aos cooperados. A ação envolveu mais de 1.300 professores, com reuniões, palestras e debates sobre o projeto. Cada escola também recebeu a cartilha Cooperativismo ao Alcance de Todos da OCESC e do Sescoop/SC. (Sicoob São Miguel)

SANTA CATARINA RURAL – MICROBACIAS 3

O Senado aprovou por unanimidade a operação de crédito externo para Santa Catarina, no valor de US$ 90 milhões, a fim de custear o Programa Santa Catarina rural. O projeto tem um orçamento global de US$ 189 milhões, sendo que US$ 90 milhões do Banco Mundial e US$ 89 milhões de contrapartida do Governo do Estado. O projeto será executado de 2010 a 2016 e tem como objetivo aumentar a competitividade das organizações dos agricultores familiares catarinenses.

Para sua viabilização ocorrerão investimentos em 500 projetos para a implantação de agroindústrias de processamento de leite, carnes, frutas, pescados entre outros; melhoria dos respectivos sistemas de produção; agregação de valor aos produtos agrícolas e conexão de internet. Estes projetos poderão captar recursos, também, para a melhoria de estradas municipais e para a atividade de turismo rural.

Segundo o gerente técnico do Programa, Valdemar de Freitas, na área ambiental as ações visam o fortalecimento da gestão de recursos hídricos e a implantação de uma experiência pioneira no Brasil: a estruturação dos Corredores Ecológicos da Bacia do Rio Timbó e do Rio Chapecó. (SAR)

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

4 comentários sobre “Produtores Rurais e Proteção Ambiental – Desmontando Mitos”

  1. São as “boas práticas” e o “conhecimento da legislação ambiental básica”, entre outras informações, que a pesquisa em andamento na Federação da Agricultura do Espírito Santo / FAES, com o auxílio do NEPA, está procurando conhecer através de uma “análise de percepção ambiental dos produtores rurais do Estado”. A pesquisa vai permitir – tendo como base fatos quantificados – estruturar e definir ações complementares, voltadas aos interesses dos produtores..

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

  2. Gostei demais do que li aqui…. essa visão de ambientalista urbano é muito confortável, mas ninguém questiona o meio ambiente nas cidades, pq será? ????/
    Parabéns
    Andreia

  3. Grato, Andréia,
    Ninguém questiona exatamente porque é mais confortável falar de algo que está longe, em particular quando a imprensa escreve para o público urbano.
    A turma não sabe nada, e nem mesmo de onde vem a comida que encontra nos mercados ou na feita. E nem se pergunta.

O que você pensa a respeito?