Eco-fascismo – Infecção Perigosa no Movimento Ambientalista

No início deste ano, o cientista inglês James Lovelock propôs medidas radicais e autoritárias para as mudanças climáticas sob a alegação de que a democracia não possibilita a adoção de políticas efetivas para fazer face ao problema: “eu tenho a sensação de que as mudanças climáticas são um evento tão grave quanto uma guerra; talvez seja necessário suspender a democracia por algum tempo”, afirmou.

Por ter sido o primeiro cientista a detectar as origens dos problemas relacionados à camada de ozônio, Lovelock merece um respeito que não se estende necessariamente às suas opiniões políticas.

Mais recentemente, a tradução para o inglês do livro de um pescador e “filósofo da ecologia” finlandês deixou claro que na ampla gama do ambientalismo há propostas ainda bem mais radicais. O autor, Penti Linkolla, até então desconhecido fora de seu país, propõe o estabelecimento de um regime autoritário para suprimir o consumo de maneira implacável: “uma catástrofe está acontecendo e a solução é a disciplina, a proibição (do consumo), a imposição de regras severas e a opressão”.

E não hesita em avançar em direção ao eco-fascismo: “a única chama de esperança é o governo centralizado e o controle estrito dos cidadãos”. Quem sabe com ele próprio na posição de ditador ambiental?

De fato, Linkola tem mesmo um “programa político” que inclui: “um ponto final na liberdade para ter filhos, abolição total dos combustíveis fósseis, revogação de todos os acordos de livre comércio, proibição do tráfego aéreo, demolição dos subúrbios das cidades e reflorestamento das áreas de estacionamento de veículos”.

Quanto àqueles que ele julga responsáveis pelo crescimento da economia, a proposta é mais contundente: eles seriam enviados para ecogoulags (campos de concentração) nas montanhas para serem reeducados.

Nada mal. Só resta perguntar quando ele assumirá o poder e se o fará através de eleições ou de golpes de estado.

No Brasil, esse tipo de eco-fascismo não ousa se expressar tão abertamente: prefere agir nos bastidores, nos tapetões, tentando dar a impressão que são muitos e representam muitos mais.  O mesmo eco-fascismo se faz presente, também, nos órgãos governamentais como quando, por exemplo,  criam-se unidades de conservação envolvendo áreas privadas e não são feitos os devidos procedimentos de desapropriação.  E em muitas outras situações.  Mas esse é outro assunto.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários sobre “Eco-fascismo – Infecção Perigosa no Movimento Ambientalista”

  1. vivemos ditaduras de direita, de esquerda, politicamente corretas, religiosas, civis, militares, midiáticas e todo tipo de “ismos” que regem o mundo, atualmente no Brasil exerce-se o “SOCIALISMO SELVAGEM” onde os direitos anulam as obrigações, deveres e bom senso.

    PORQUE NÃO UM “ECO-FACISMO” ? que se instaurado será de esquerda, depois de direita, politicamente correto, midiático, …………….e mais, mais e mais.

    É SÓ MAIS UM ISMO PARA ACIRRAR A LUTA PELO PODER.

    DEIXA PRA LÁ

    ISSO AQUI É A MERDA QUE É, E VAI CONTINUAR SENDO A MERDA QUE SERÁ.

    NÃO TEMOS LÍDERES, SOMENTE UMA ESCÓRIA QUE CHEGA AO PODER PARA ROUBAR E UMA MAIORIA DE IGNORANTES CUMPLÍCES QUE ELEGEM E REELEGEM E TORNAM A ELEGER ESSES LIXOS.

  2. Concordo, meu caro Marcos Barreto, mas não posso deixar de escrever.

    Quando o personagem do Mario Monicelli afirma – “questo é un picolo paese e un populo di merda”, os italianos não se ofendem, mas reconhecem uma importante dimensão de si mesmos. O Brasil, como outros países latino-americanos, gosta de ídolos que foram derrotados: Antonio Conselheiro, Lampião, Tiradentes, e por aí afora. Na Avenida Atlântica, uma estátua em bronze de um dos “18 do Forte” levando um tiro no peito. Vi o mesmo na Nicarágua. Imagina se em país avançado a história – que não deixe de ser uma espécie de mitologia – se constrói com a simbologia dos derrotados. A estética da pobreza, com Glauber Rocha, e vai por aí afora.

    Agora, a moda é o império das minorias. Pegam 20 caras que dizem que são quilombolas e querem dar a terra para eles. A culpa histórica com TODAS as minorias. Além da roubalheira geral, é claro, sem indícios de mudanças. Tenho a impressão que o povão até admira quem “se deu bem” sacaneando os cofres públicos ou mesmo os vizinhos.

    Quem sabe o Max Weber tem razão em seu “O Protestantismo e o Espírito do Capitalismo”.

    Rondon e os irmãos Villas-Boas queriam aculturar os índios lentamente – agora, os antropólogos cafetões querem dar-lhes terras e mantê-los sob tutela, enquando “gestores de parques” cafetinam unidades de conservação que não são usadas para nada ou quase nada (mesmo do Parque Nacional de Foz do Iguaçu, pode-se visitar 1% da área).

    A “política ambiental” brasileira tem que ser profundamente revista, mudada, com menos políticos cafetinando ideiais e mais técnicosque. Porque a qualidade ambiental não melhorou em nada em 30 anos, enquanto os rios e lagos nos EUA e na Europa estão limpíssimos (a turma aqui quer dragagem, que dá grana por fora e não resolve nada).

    Enfim, vamos comentando.

O que você pensa a respeito?