Transporte Marítimo Internacional – A Inglaterra Flagrada na Sonegação de Informações

“O total das emissões do setor de transporte naval oriundo e proveniente da Inglaterra vinha sendo calculado de maneira errada, já que considerava apenas o combustível vendido nos portos ingleses vinha sendo considerado nos cálculos.  De acordo com o novo estudo, essa base de cálculos levou a números errados, já que a maioria dos navios que têm a Inglaterra como destinação se abastecem em portos situados nas proximidades, como em Rotterdam, na Holanda, onde os preços dos combustíveis são menores.”

Essa informação consta de um estudo agora divulgado pelo Centro Tyndall para a Pesquisa Sobre Mudanças Climáticas, que alerta para o fato de que as emissões inglesas no setor devem ter como base de cálculo o total das emissões resultantes das importações e exportações da Inglaterra, e não apenas com base na venda de combustíveis feita nos portos ingleses.

Com base em novos cálculos, cientistas da Universidade de Manchester mostram que o total de dióxido de carbono emitido pelo comércio marítimo inglês é muito superior ao que vinha sendo estimado.

As emissões do comércio marítimo representam, atualmente, 3% das emissões globais mundiais, e tendem a crescer em decorrência da globalização.  A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) vem discutindo um acordo para controlar essas emissões, mas os avanços tem sido muito lentos e a União Européia já anunciou que tomará medidas unilaterais se para limitar as emissões do setor se não houver uma acordo na IMO até 2011.

O relatório integral divulgado pelo Centro Tyndall, na versão original em inglês, pode ser encontrado para download aqui.

A Inglaterra é líder absoluta nas tentativas de responsabilizar o desmatamento como fonte de emissões causadoras de mudanças climáticas sem cumprir as suas próprias metas de redução de emissões. Da mesma forma, a transferência de tecnologias destinadas à disseminação das tecnologias relacionadas às energias renováveis e à eficiência energética é algo visto como um negócio convencional, orientado para o lucro de suas empresas.

Da mesma forma, pergunta-se: quando o Brasil exporta ferro, aço, soja e outros produtos de baixo valor agregado destinados ao consumo, ao lucro e à melhoria da qualidade de vida dos países desenvolvidos, as emissões resultantes desse comércio marítimo devem ser somadas às emissões brasileiras de comércio internacional ou à conta dos países destinatários?  De quem é a responsabilidade pelas emissões quando alemães ou chineses instalam, aqui, siderúrgicas para o abastecimento de seus mercados internos e nos devolvem produtos de alta tecnologia, cujo transporte requer menos espaço e frete?

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O Greenpeace ainda não se pronunciou sobre a falsificação de informações pelo governo da Inglaterra.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

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