Monthly Archive for novembro, 2010

Cresce a Geração de Energia Usando Carvão Como Fonte Primária – Mas É Preciso Preservar a Amazônia!

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Historicamente, quem se encarregou de resolver problemas de meio ambiente nas mais diversas áreas não foram as ONGs, mas cientistas e tecnólogos das mais diversas formações.  Isso não mudou em nada com o advento dos problemas relacionados às mudanças climáticas.  Mas, agora, à farsa ambientalista somaram-se até mesmo os financistas, que fazem “índices” de carbono eficiente e – se bobear – colocam derivativos de opções de derivativos nos mercados de carbono, para resgate dentro de uma década.

A farsa da “transição para uma sociedade de baixo carbono pode ser parcialmente avaliada pelo fato de que carros elétricos continuam usando eletricidade com o mesmo potencial de emissões de carbono da matriz energética de cada país.  A origem do desenvolvimento de veículos elétricos não esteve nas preocupações com as mudanças climáticas, mas nos problemas de poluição do ar em áreas urbanas e metropolitanas de altíssimo tráfico de veículos de transporte individual.  Nesse campo, a Califórnia foi pioneira.  Mas a produção de eletricidade nos EUA – que será usada para carregar a bateria desses veículos – não mudou de maneira substancial de uma fonte primária para outra.

É compreensível que as pessoas gostem do marketing sobre um problema ainda não resolvido pelos cientistas e tecnólogos: a geração de energias limpas, ou menos sujas.  Afinal, a esperança é componente essencial da vida humana, e a sua manipulação sempre ocorreu.  Em muitos casos, as pessoas e sociedades optam por não ver o óbvio. 

Também nos países desenvolvidos há um pacto de silêncio sobre o uso de carvão como fonte de geração de energia.  Restrições aqui e ali, promessas mais adiante de que em cinco anos uma empresa inglesa já terá desenvolvido a tecnologia, mercado negro de créditos de carbono, e ao final ninguém diz que crescem a passos largos as exportações de carvão dos EUA (diretamente ou através de portos canadenses, ao estilo dos navios de bandeira panamenha), da Austrália, da Colômbia e da África do Sul e outros para a Ásia e, em particular, para o crescente mercado da China e da Índia (além da Japão, Coréia e outros), de onde os produtos saem de volta para os grandes mercados consumidores sem que estes avancem na marcação de sua “pegada carbônica”.

Afinal, as notícias sobre as reduções locais das emissões de carbono e o plantio de óleo de palma “certificado” para fazer biodiesel servem como bons lubrificantes sociais.

Traçar a “pegada carbônica” é algo mais conveniente para shows de bandas musicais que salvarão o planeta do que para o grosso do cmércio internacional.  Fazer isso com os produtos finais seria muito inconveniente para empresas que têm selo verde e que fazem marketing sobre o controle da cadeira produtiva da madeira, para a boa consciência dos consumidores dos países altamente industrializados, para o desempenho eleitoral de alguns políticos, e para muita gente mais.

Tradicionalmente, o carvão era queimado próximo ao seu local de extração, mas agora cresce, as exportações de longas distância, bem como o preço, que duplicou nos últimos 5 anos.

Novos projetos de mineração de carvão estão em desenvolvimento das Montanhas Rochosas até a costa do Pacífico dos EUA, sem que isso prejudique a boa consciência de quem consome e defende a produção de “energia verde” no país (essa é, de fato, uma boa causa!).  Novas terras públicas são arrendadas para mineração e novos portos estão sendo construídos para a exportação de carvão.

Fazem leis estaduais que limitam ou taxam emissões de carvão nos estados ou mesmo nacionalmente e a seguir exportam o carvão, para importar produtos manufaturados com a sua queima.  Eles são umas gracinhas, não são?  Quem os vê assim tão orgulhosos de seus selos verdes, de seus certificados de responsabilidade socioambiental, os compra.  Licenciam uma térmica a carvão e no dia seguinte dão uns trocados para limpar uma lagoa ou para plantar umas árvores com a denominação de “compensação ambiental”, sem que ninguém vá lá conferir onde foi parar o dinheiro.

As exportações australianas de carvão para a China cresceram de US$ 508 milhões no ano 2000 para US$ 5,6 bilhões em 2009.  Ainda que o Japão e a Coréia continuem sendo os maiores importadores do carvão da Austrália, gigantes locais do setor estão investindo bilhões na mineração em novas áreas para cumprir contratos futuros de exportação para a China.

Agora, chega.  É melhor ir tomar um Chateau alguma coisa em algum restaurante da moda.  Empresários espertos, ambientalistas de ocasião e políticos que se utilizam do imaginário infanto-juvenil na área ambiental preferem falar da Amazônia como estoque de carbono fixo do que do pré-sal como fonte emissora de carbono para a atmosfera.  Há assuntos que viram tabus e para o os quais a maioria prefere não estabelecer qualquer relação entre os pontos A e B, ainda quando notícias tão conflitantes estejam na mesma página dos jornais.

O Rap do “Orgânico e Sustentável” – Mas Sem Reserva Legal ou APP

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Para quem ainda acredita no slogan que dá $ e até uns votinhos – “sustentável” – e no que já foi bom – “orgânico” – mas aos poucos foi absorvido pela grande produção de laticínios dos muito ricos que ditam regras para os periféricos (como faz a Inglaterra com o Brasil), vale dar uma olhada numa divertidíssima publicidade de yogurt “orgânico e sustentável” , sem reserva legal ou area de preservação permanente, é claro, porque lá ninguém é tão otário a ponto de falar nessas coisas.

No princípio, as vaquinhas até aparecem se alimentando num pasto ralo, mas depois elas vão mesmo é para o seu estábulo estilo “operação de alimentação concentrada” (como dizem os norte-americanos, com maior sinceridade).

Essa publicidade para atrair a juventude para os slogans “ambientalistas” pode ser assistida em Orgânico e Sustentável.

Fora o que, é morno quase frio o debate na Inglaterra sobre a decisão do governo de privatizar as já minguadas reservas florestais do país.  A justificativa é a necessidade de enfrentar a crise financeira que já atingiu a Irlanda, está sendo mantida nos bastidores em Portugal (para dar a impressão de que abandonar o Euro foi um ato de coragem do governo), e da qual a Inglaterra não está conseguindo escapar (sem colônias, fica bem mais difícil manter os antes exuberantes padrões de consumo).

Florestas – Falem Bem, Mas Falem dos Outros

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Alguns dos países que mais falam na preservação das florestas tropicais são grandes importadores de óleo de palma (dendê) provenientes de áreas desmatadas na Indonésia, na Malásia e em outros para assegurar-lhes o fornecimento de “biocombustíveis” com o deslocamento de populações nativas para a periferia das cidades. 

Mas o cinismo descarado não termina aí.  Dados sobre o percentual de áreas florestadas sobre a área total dos vários países, bem como sobre o percentual de florestas nativas (primárias) em relação à área total florestada em cada um deles, demonstram claramente como se forja o mecanismo de projeção de responsabilidades sobre os demais.

Países como Holanda (sede do Greenpeace), Inglaterra e Alemanha – que estão entre os que mais falam sobre a preservação das florestas tropicais e mais prometem recursos para a sua proteção tem ZERO de florestas nativas em seus próprios territórios.  A Noruega, que compra caças militares de US$ 200 milhões para proteger os seus interesses sobre o petróleo do Ártico, também fala um bocado em florestas tropicais mas tem desprezíveis 2% de florestas nativas enquanto mantem 33% de seu território com florestas comerciais.

País A B
Reino Unido 12 0
Noruega 33 2
Suiça 31 40
Canadá 34 53
Holanda 11 0
Alemanha 32 0
Brasil 62 92

A – %  áreas com florestas sobre área total do país

B – % florestas primárias sobre total de áreas com florestas

Curiosamente, os dados podem ser encontrados na página na internet de uma dessas organizações que tanto falam  na proteção das florestas tropicais.  São dados baseados em informações da FAO, referem-se ao ano de 2010, e estão em:

http://rainforests.mongabay.com/deforestation/

Essa organização, como as demais que atuam nessa área, não propõem que os paises que tanto falam nas florestas tropicais e na biodiversidade iniciem um processo de restauração de suas florestas originais e de seus “biomas”. 

E nem fazem nada de concreto para que as suas corporações paguem pela biodiversidade que tanto lucro lhes proporcionou e continua proporcionando.

Evidentemente, isso não impede que esses países tenham, em todos os outros campos, políticas ambientais MUITO mais avançadas do que as nossas.  Os resultados concretos comprovam isso: nesses países, os rios e lagoas estão completamente limpos (ou quase), com a cadeia biológica desses corpos d’água recuperada (ou em fase avançada de recuperação).  E note-se que nenhum deles tem leis estabelecendo faixas marginais de proteção e áreas de preservação permanente ou qualquer coisa que se possa parecer com o tão decantado Código Florestal brasileiro.  A gestão dos recursos ambientais é feita no mundo real, e não no mundo jurídico, político partidário. ou do imaginário dos naturalistas do século XIX, que enganam o público leigo.

As Florestas e a “Certificação Ambiental” e – Verdades Inconvenientes

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As intenções talvez tenham sido as melhores possíveis, mas o rastreamento de produtos não funcionou.  Não funcionou para as armas, nem para a origem dos tênis de marca fabricados por crianças e adultos trabalhando em condições desumanas em países pobres.  Por que funcionaria, então, para a origem da madeira ou para a carne bovina?

 Uma pesquisa feita pela organização “caritativa” (como definida pela imprensa inglesa) WWF da Inglaterra mostrou que metade dos consumidores não  têm a mais vaga idéia da origem dos produtos madeireiros que adquirem.  Talvez não tenham é interesse mesmo. 

 A pesquisa, realizada ao longo de dois anos para o Conselho de Gestão de Florestas criado há 17 anos na Inglaterra e nos EUA.  Denominada Forestry Stewardship Council (FSC), essas organizações depois estabeleceram “filiais” ou “franchises” em outros países.

Os dados revelam que a Inglaterra é o quarto maior importador de produtos madeireiros ilegais depois da China, dos EUA e do Japão.  Estima-se que em 1977 cerca de 3,2 milhões de metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente foram importados pela Inglaterra, por um valor de quase 1,4 bilhões de dólares norte-americanos.  É de 20% a participação da madeira extraída ilegalmente no total de produtos madeireiros importados pela Europa.  Noves fora aquela que é importada com documentação falsificada, é claro.

Como os números totais incluem os produtos madeireiros extraídos legalmente porque provenientes de plantações de eucalipto e similares cuja extração ilegal é inexistente ou desprezível, pode-se deduzir que é muito maior a participação das madeiras nobres extraídas ilegalmente nas importações de produto com elas fabricados ou sob a forma de meras pranchas importados pelos países altamente desenvolvidos e pela China.

“A madeira é um produto cuja demanda é definida pelo mercado, exatamente como qualquer outro.  Assim, a responsabilidade dos consumidores é extremamente crítica” – afirmou Julia Young, administradora da rede de florestas e comércio do WWF da Inglaterra.

Estima-se, atualmente, que 15% das emissões globais de gases causadores de mudanças climáticas são provenientes do desmatamento no planeta – apesar da insistência dos ambientalistas brasileiros de que só o desmatamento na Amazônia é responsável por 20% dessas emissões globais.  Afinal, brasileiros- como muitos outros povos – gostam de ser os maiores em tudo o que fazem, mesmo quando os números não correspondem à realidade e elevadas taxas de desmatamento continuem ocorrendo em muitos outros países do mundo.  E isso dá visibilidade a políticos e contribui para o aporte de recursos financeiros às ONGs financiadas com recursos estrangeiros.

Onde é que estão mesmo os bilhões de dólares que dos países altamente industrializados para a Amazônia anunciados com a máxima ênfase no momento da criação do tal “Fundo Amazônico” e que beneficiaria as populações locais que não têm acesso a serviços básicos de saneamento, educação e saúde?

A pesquisa mostrou que apenas 28% dos ingleses “ouviu falar” do esquema de certificação do Forest Stewardship Council – FSC.  A quase totalidade acredita – ou tenta acreditar – que simplesmente por estarem sendo vendidos na Inglaterra esses produtos têm proveniência legal.  Os governos desses países importadores não fazem o seu papel – ao contrário, exportam lixo tóxico para os países subdesenvolvidos -, mas o FSC insiste em que a colocação de seu logotipo nos produtos é o melhor caminho para mudar essa realidade.

O WWF da Inglaterra constatou que apenas 25 dos 333 das 333 administrações locais no país adotavam procedimentos de compra que inclui qualquer política relacionada à certificação de origem para a compra de grandes quantidades de papel, móveis e madeiras para a construção.

A União Européia e o Japão também preferem ignorar que a maior parte de seu biodiesel – que permite que metas de redução de emissões de gases causadores de mudanças climáticas sejam alcançadas é proveniente de países que na última década removeram vastas florestas tropicais nativas para plantar dendê para produzir esse substitutivo do seu equivalente de origem fóssil.  O óleo é produzido e certamente refinado, com freqüência, por empresas originárias dos países importadores, como a Cargill.  Com essas vastas monoculturas de óleo de palma, a Indonésia tornou-se o terceiro maior país em emissões de gases causadores de mudanças climáticas, com grandes prejuízos para a população local e para a biodiversidade.

Depois da ação predatória de suas empresas, os governos desses países enviam, aqui e ali, uns trocados e especialistas para falarem na produção “sustentável” de óleo de palma, que está presente em grande número de produtos vendidos em seus supermercados.

Para os que não são fluentes em ingles,vale assistir a algumas reportagens  

http://www.youtube.com/watch?v=T–15EC72J0

http://www.youtube.com/watch?v=InN04Q_hVx0

http://www.youtube.com/watch?v=7Yv3XaucPBU&p=AF7D82F4B4165F3F&playnext=1&index=51

http://www.youtube.com/watch?v=y7fFeJyXkBk

Uma idéia precisa de como é feito a “gestão da cadeia produtiva” pode ser encontrado no filme A Corporação (The Corporation).  Para os que não são fluentes no idioma inglês, subtítulos em português podem ser lidos clicando no ícone abaixo do número de visitantes onde se encontra uma “tradução interativa”.  A tradução do que está sendo falado aparecerá abaixo do campo da imagem.  O primeiro minuto da terceira parte do documentário mostra como é feita a “gestão da cadeia produtiva” no que se refere às condições de trabalho humano e como os dirigentes das grandes corporações defendem o tipo de comportamento por elas adotado.

http://www.youtube.com/watch?v=-egT1WtG5DA&feature=related

O “histórico” acordo de Nagoya sobre a biodiversidade – mais uma farsa

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Os políticos gostam de dizer que fizeram alguma coisa.  E os jornalistas repetem como papagaios – os políticos sabem disso, e por isso fazem grandes anúncios.

Na semana passada, foi a vez das manchetes sobre um acordo para proteger a biodiversidade que teria sido fechado por “líderes” mundiais em Nagoya, no Japão.

Evidentemente, não havia nenhum líder lá, mas os jornais repercutiram os “press releases” a anunciaram “um acordo histórico para salvar a vida no planeta”.

Se o leitor deste blog der uma busca na internet em qualquer idioma, não encontrará o tão anunciado acordo!  Que tal visitar a página da Convenção Sobre a Diversidade Biológica – http://www.cbd.int – em inglês, francês, espanhol e outros idiomas menos difundidos no ocidente e tentar encontrar o tal acordo?

Alguém já ouviu falar de um acordo internacional dessa importância que não tenha sido publicado em seu inteiro teor ao final de um encontro de ministros, instituições financeiras do tipo engana-trouxa (como o Banco Mundial) e burocratas em geral?

 Uma minuta de acordo já publicada um mês antes não contem qualquer tipo de compromisso firme.  Se essa minuta foi aprovada – ressalta o jornalista inglês George Monbiot, que escreve para o The Guardian -, o que se aprovou efetivamente foi uma carta de aspirações dentro de uma estrutura flexível de acordo com a qual cada país fará o que bem entender.

“Em 2002, os signatários da Convenção (Sobre a Diversidade Biológica) concordaram com algo similar: uma esplêndida altissonante declaração que não implicava em qualquer compromisso legal.  Eles anunciaram que isso resultaria, até 2010, ‘numa significativa redução dos níveis de perdas da biodiversidade’.   Missão cumprida, anúncios de imprensa, e todo mundo voltou para casa se auto-elogiando.  No início deste ano, a ONU reconheceu que o acordo de 2002 foi infrutífero e que as pressões sobre a biodiversidade permaneceram iguais ou cresceram de intensidade.”

Nada indica que o encontro sobre mudanças climáticas que ocorrerá em breve no México será diferente.  Exceto o Brasil, que bate na mesma tecla da redução do desmatamento na Amazônia – até mesmo por falta de idéias – enquanto licencia indústrias de aço e termelétricas que aumentam drasticamente as emissões de carbono, além de celebrar quase diariamente – ao menos no período eleitoral – - novas descobertas de petróleo, todos os países sérios se atiram na direção dos mais variados avanços tecnológicos.  Business as usual.  E chegam a celebrar as mudanças climáticas que permitem tanto novas rotas de navegação quanto a exploração de petróleo no Ártico.

Com um pouco de humor negro, pode-se dizer que essa enganação toda é divertida.  E que o Brasil continua avançando a passos muito lentos no campo de tecnologias inovadoras para a geração de energias limpas, enquanto continua celebrando uma matriz hidrelétrica em vias de esgotamento e um programa de produção de etanol velho de guerra já quase totalmente em mãos de grupos estrangeiros.

***

Ninguém mais ousa sequer mencionar a farsa da produção de biodiesel a partir da mamona que tiraria da pobreza milhares de pequenos agricultores familiares e que acabou lenvado a falência – na prática – a nem tão misteriosa Brasil Ecodiesel que recebeu fortes incentivos financieros governamentais e depois terminou como mico nas mãos de um banco federal.

Marinha dos EUA adota B-50 feito a partir de algas

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Ao final de outubro de 2010, a Marinha dos EUA testou, numa pequena embarcação de 49 pés do tipo RCB-X (foto) um combustível B-50 com a parte de biodiesel produzida a partir de algas pela Solazyme, da Califórnia (www.solazyme.com).  Esse é um notável avanço tecnológico e também na área de políticas públicas para os biocombustíveis.  Os EUA – que não assinam tratados internacionais sobre energias renováveis – ficam, assim, em posição bastante confortável do ponto de vista econômico, também, por deter mais patentes nesse campo. 

“Esse é o futuro” – declarou o contra-almirante Philip Cullom: “Nós vamos operar a nossa frota com base nesse combustível”.

De acordo com o Ministério da Energia dos EUA, as atividades militares são responsáveis por cerca de 80% de todo o consumo de energia do governo.  E ainda que o consumo militar tenha sido reduzido em 9,5% entre 2003 e 2007, o valor da conta cresceu 142%, atingindo US$ 142 bilhões ao final desse mesmo período.

Em decorrência, os militares norte-americanos adotaram um plano para substituir 25% dos combustíveis fósseis que utilizam por energias renováveis até 2020.  A Marinha foi bem mais longe e estabeleceu a sua meta em 50%.  A Marinha começará a fazer isso já em 2012, usando esse B-50 em pequenas embarcações que trafegam por rios e na área costeira.  O incremento será gradual de maneira a incluir fragatas, cruzadores e destroyers até chegar numa “força de ataque verde” em 2016.

Isso tudo é possível, em grande parte, porque lá não existe uma Agência Nacional do Petróleo – ANP preocupada com trivialidades inúteis sobre biocombustíveis, cafetinando o assunto e fazendo com que a adição de etanol à gasolina seja a mesma em regiões produtoras e em regiões extremamente distantes da produção – e, assim, aumentando os preços para os usuários finais -, ou decidindo quem pode usar B-2 ou B-5 ou B-50 ou B-100 independentemente da disponibilidade regional do óleo vegetal. 

“A Solazyme está orgulhosa por ser o primeiro fabricante de combustível produzido microbiologicamente utilizado pela Marina numa embarcação militar”, declarou o presidente da empresa.  “O compromisso da Marinha norte-americana com a redução da dependência de combustíveis fósseis deu um novo passo e nós aplaudimos essa liderança.”

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A imagem abaixo mostra o modelo da embarcação da Marinha dos EUA em que foram feitos os testes  com o B-50 produzido com algas.

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Enquanto isso acontece, o Brasil continua falando em B-2, B-3 e B-5, sempre a partir de produtos agrícolas que concorrem coma produção de alimentos.  Apeasr de ter 7.400 km de costa, é pequeno ou desprezível o apoio para a pesquisa de biodiesel a partir de algas.  E, ainda que excelentes pesquisadores façam o seu trabalho, não emos a mentalidade de que é preciso “criar os mercados”.  Aqui, os economistas em geral e em particular os do governo parecem acreditar que o mercado é algo que existe independentemente das decfisões humanas.  Nos países sérios, adotam-se mecanismos variados para “criar o mercado” para os produtos de tecnologias inovadoras consideradas estratégicas.

Facilita a criação do mercado o fato da mistura, nos EUA, não ser obrigatório e padronizada em todo o território nacional, como ocorre aqui.  Frotas cativas podem adotar B-20 ou B-100 ou qualquer percentual fazendo a mistura em suas próprias bombas de combustível, como os usuários de carros podem escolher a mistura desejada de etanol em inúmeros postos de gasolina, sem necessidade da cafetinagem do produto aqui gerenciada pelo governo e com menores custos porque o biocombustível não tem que “passear” até as refinarias ou pontos de mistura centralizados.

Nota – O texto principal foi retirado da newsletter eletrônica do National Bulletin Board, de subscrição recomendada para quem se interessa por políticas sérias e avanços tecnológicos no campo dos biocombustíveis.