Monthly Archive for dezembro, 2010

Temporão Já Vai Tarde! – Governo e Indústria NÃO QUEREM a Saúde da População

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(enviado por Raquel Valentini)

Quase ao ao final de sua inócua passagem pelo governo federal, no apagar das luzes, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou um acordo (em 25.11.2010) de cooperação com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) que prorroga por mais três anos o Fórum da Alimentação Saudável.

Esse ato foi, na verdade, o descumprimento da promessa feita com alarde de retirar das prateleiras do mercado brasileiro a gordura trans dos alimentos. Ou seja, além da dificuldade de se encontrar alimentos frescos e sem agrotóxicos ou outros produtos químicos, mais uma iniciativa voltada para a proteção da saúde pública foi adiada.

Desde a década de 90 são concluídos estudos comprovando os danos dessa gordura no organismo. A economia industrial é mais importante do que a saúde humana. Assim, o famoso voto de muita saúde para as festas de fim de ano com certeza não faz parte dos desejos da indústria e nem do governo.

A gordura trans costuma ser encontrada em sorvetes, biscoitos, salgadinhos tipo snacks, margarinas, chocolates, biscoitos, bolachas e outros produtos industrializados convencionais.

Também são naturalmente encontradas em pequenas quantidades em algumas carnes e em quantidades insignificantes em alguns vegetais.

Elas têm baixo custo de produção e servem para aumentar o prazo de validade, além de dar sabor e consistência aos alimentos. No entanto, são péssimas para a saúde porque prejudicam o coração, aceleram o envelhecimento e causam aumento de peso. O ideal é não consumir de forma alguma alimentos que a contenham.

A gordura trans é produzida nas indústrias a partir de óleos vegetais que são submetidos à hidrogenação (adição de átomos de hidrogênio a moléculas do óleo). Esse processo torna os óleos vegetais líquidos em semi-sólidos, e eles recebem então um novo nome: gordura vegetal hidrogenada, que serve para melhorar a textura dos alimentos e fazer com que eles durem mais tempo nas prateleiras dos mercados.

Mas no organismo humano elas entram na corrente sangüínea, bloqueiam a produção de gorduras poliinsaturadas, responsáveis pelo bom funcionamento do organismo (boa saúde do coração, manutenção do sistema nervoso e das células em geral, produção de hormônios, etc). Além disso, quando absorvida, elas tendem a estocar-se em locais que já têm alguma gordura depositada, favorecendo o aparecimento da famosa “gordura localizada”.

Nos países desenvolvidos, o uso de gorduras trans nos alimentos processados industrialmente e até em restaurantes vem sendo proibido há muitos anos, desde que as pesquisas demonstraram que elas estavam entre as principais causas dos problemas cardiovasculares.

Em conseqüência, é comum ver, atualmente, aqui, a indicação “zero de gordura trans” na comida-lixo (junk food, na expressão em inglês) nas batatinhas e outros alimentos empacotados produzidos por multinacionais.  Não se trata de uma regulamentação brasileira, mas de um efeito cascata da regulamentação adotada fora do Brasil.

Mas, no Brasil, a “dona” ANVISA permite que as embalagens contenham a expressão “0% de gordura trans” quando a presença desse ingrediente altamente nocivo à saúde é de “até 0,2% de gordura trans por porção”.  Como a regra (despudorada) permite que o próprio fabricante determine o que é “uma porção”, este pode, se desejar, decidir que a “porção” é, meio biscoito, uma mordida, 3 biscoitos, e assim enganar o consumidor.

Não existem limites seguros para o consumo de gorduras trans e o melhor é abandonar o consumo de alimentos que fazem esse tipo de propaganda, além de outros processados industrialmente.  É melhor comer – e dar às crianças – uma fruta, quando se percebe que haverá necessidade de consumo de alimentos durante uma viagem ou em casa fora do horário das refeições.

Recomenda-se a leitura atenta dos ingredientes nas embalagens dos alimentos processados industrialmente, até porque a “dona” ANVISA também permitiu aos fabricantes não escrever na embalagem gordura hidrogenada, podendo escrever apenas gordura vegetal. Fora que os produtos internos de padarias, mercados, etc., sequer mencionam algum desses ingredientes. Também é impossível saber quando um restaurante está servindo batata pré-frita ou mesmo bolinhos de aipim super e outros congelados do tipo McCain (www.mccain.com), fabricados no exterior e despachados em embalagens do tipo pallets para o Brasil.

Florestas – Privatização na Inglaterra, Esculhambação Aqui

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O Reino Unido tem um dos mais baixos percentuais de áreas florestadas da Europa e países altamente industrializados: pouco menos de 12% de seu território.

Esse é um percentual irrisório quando comparado com os 24% nos EUA, 28% na França, 30% na Alemanha, para não mencionar os 64% do Brasil (todos os números em dados da FAO publicados em 2003 e referentes ao ano 2000).

Esses percentuais se tornam ainda mais irrisórios quando se considera que (a) 90% do território já foram cobertos por florestas no passado e (b) a maior parte das áreas florestadas está na Escócia, onde esse percentual oscila entre 14,1% e 18%, enquanto em outras regiões do país – entre as quais a Inglaterra – cai para a faixa de 0 a 6%.

Os números sobre o plantio de novas florestas vêm diminuindo rapidamente: de 8.000 ha em 2005, 5.000 hectares em 2009.  Para a ONG Woodland Trust, uma das mais importantes nessa área, o governo falsifica dados e não contabiliza as áreas nas quais as florestas foram removidas para dar lugar a parques eólicos e a novos desenvolvimentos urbanos.  Há fortes indícios que no balanço final do período o resultado seja negativo.

Daí a origem de tanta falação inglesa sobre a necessidade da proteção de florestas em outros países: é mais fácil e tem um custo político menor.  Receita perfeita: coloca-se uma figura inócua e sem responsabilidades de estado como o príncipe Charles na frente das iniciativas a serem tomadas em terras de “ultramar” e ninguém pode acusar o próprio governo de mentir descaradamente, como faz.

Agora, o governo da Inglaterra fala em privatizar a totalidade das florestas públicas em 2011.  O papo furado das justificativas para essa decisão varia de acordo com o mentiroso de plantão que está ocupando o cargo.

Há cerca de dois meses, Caroline Spelman, ministra do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais afirmou,  em artigo publicado no The Guardian, que “francamente, aqueles que vivem mais perto dessas florestas são os que têm mais razões para protegê-las”.

Ela não foi acusada de agir como um instrumento da  “bancada ruralista” pelas ONGs ambientalistas gringas e paulistanas.  O Greenpeace não se pronunciou.

Lá, cerca de 70% das florestas remanescentes já são privadas.  Apenas um percentual indefinido dessas florestas privadas participa de algum esquema de certificação com o correspondente pagamento por serviços ambientais.  Os esquemas de certificação navegam ao sabor das correntes, ventos e marés.

Nas últimas semanas de 2010, o “ministro junior” do gabinete do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (correspondente a um ministério, na estrutura do nosso governo federal), Jim Paice, fez um cândido depoimento perante uma comissão do Parlamento britânico.

“Parte da nossa política está claramente estabelecida: nós queremos prosseguir com a venda de todas as parcelas substanciais das florestas públicas, podendo chegar à totalidade delas.  Eu tenho preocupações com dois ou três aspectos potenciais desse processo, e os estou examinando de maneira cuidadosa.  A aquisição por grupos estrangeiros é uma dessas preocupações, e eu não penso que esse tipo de acontecimento seja automaticamente ruim.  Na verdade, nós não o podemos impedir se consideradas as leis da União Européia.  Eu estou muito mais preocupado com a possibilidade de que as florestas sejam adquiridas por empresas de energia que decidam transformá-las em chips de madeira para aproveitamento energético.”

Não é uma gracinha, o jovem Paice?  Que mimo!  E algumas autoridades brasileiras fingindo que acreditam no conto do vigário inglês da doação de bilhões de dólares para “salvar” as florestas tropicais.  Somados uns aos outros, eles formam um conjunto de fofos!

Segundo os especialistas ingleses, é altamente improvável que uma comunidade local tenha recursos para comprar – para não falar na manutenção – de sequer 12 hectares de uma floresta pública.  Isso para não falar na inimaginável hipótese de que as organizações caritativas ambientalistas ou conservacionistas consigam os 270.000 hectares de florestas do governo pelo valor estimado de 2 bilhões de libras esterlinas ou R$ 5,2 bilhões ao câmbio atual.

De fato, é mais para fácil para a Inglaterra vender florestas públicas para faturar uns trocados a mais para salvar banqueiros e, depois, deixar a gorgeta para ONGs de lá fazerem barulho aqui, ou mesmo para comprar florestas aqui.

Nelson Rodrigues dizia: “eu amo a burrice porque ela é eterna”.  O cinismo também!

De fato, segundo o Cadastro Nacional de Florestas Públicas, do Serviço Florestal Brasileiro – SFB (acordem MMA e ambientalistas!), o Brasil tem 64 milhões de hectares de florestas públicas em grande parte mal demarcadas, sem vigilância e sujeitas à grilagem.  Essa área, que equivale a a 2 vezes e meia o estado de São Paulo corresponde a apenas 22% das florestas públicas do país, que totalizam 290 milhões de hectares, ou mais de 1.000 vezes a área total das florestas públicas da Inglaterra.

Esse aumento não decorreu da criação de novas florestas, mas apenas o aperfeiçoamento do cadastro.  Segundo o diretor-geral do SFB. Antonio Carlos Hummel, “estamos conhecendo quais são e onde estão nossas florestas”.

Os bonecos dizem há décadas a mesma coisa – e não venham alegar que o Serviço Florestal Brasileiro foi criado há X anos porque antes dele já existia o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF, que tinha entre outras essa mesma função.

Segundo Hummel, as florestas públicas já destinadas a algum uso são maioria e totalizam 226 milhões de hectares: as terras indígenas somam 111 milhões de hectares, as unidades de conservação receberam 105 milhões de hectares e os assentamentos agrícolas ocuparam cerca de 10 milhões de hectares.

Só na região amazônica 43,6 milhões de hectares de florestas nacionais ainda não encontraram qualquer destinação, mas o governo continua falando na necessidade de fazer novas concessões à iniciativa privada para “manejo sustentável”.  As aspas são apropriadas, já que quem sequer sabe onde exatamente encontram-se as florestas públicas só pode falar em fiscalização das concessões com a mais absoluta cara de pau.

Em todo caso, da mesma forma que a Inglaterra prefere falar na responsabilidade alheia, o MMA e os “ambientalistas” de ocasião preferem falar na necessidade de manter as reservas legais nas propriedades privadas, e até mesmo no uso da força para assegurar essa regra.

Da mesma forma que a Inglaterra, esses personagens preferem apontar o dedo e responsabilizar “o outro”.  É mesmo mais fácil encontrar um bode expiatório para esconder a sua própria incompetência.  E as ONGs dependuradas nas tetas dos “fundos sócio-ambientais” ou simplesmente avessas à verdade cooperam com o seu silêncio.  Não são, afinal, tão “não governamentais” assim.

Ninguém tem duvidas de que é preciso proteger a vegetação em áreas de recarga do lençol freático, em nascentes, e em áreas sujeitas à erosão causando transporte de sedimentos para os rios; ou que é preciso ter um sistema de unidades de conservação que assegure a proteção da biodiversidade e a visitação pública para que o contato com a natureza sirva de instrumento fundamental de proteção ambiental; e por aí afora.

Agora, não saber qual a delimitação das florestas públicas e das unidades de conservação, ou as nascentes e áreas de recarga do lençol freático em plena era do GPS – quando o GPS já está disponível há mais de 10 anos em qualquer carro de aluguel nos países sérios – é incompetência gerencial mesmo.

Sobre a Importância dos Produtores Rurais – E Uma Homenagem a Ciro Siqueira

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Neste Natal, impossível não recomendar o blog de Ciro Siqueira a quem se interessa seriamente por meio ambiente e pelos assuntos relacionados ás imprescindíveis e inevitáveis mudanças no Código Florestal.  Vale subscrever no link abaixo:

www.codigoflorestal.com

Engenheiro agrônomo, amazônida, conhecedor da realidade da região, além de excelente profissional Ciro é pessoa tranquila mas aguerrida, de grande inteligência – muito peculiar, rápida – e excelente humor – afiado.  Casado com a também agrônoma e igualmente notável Rita Tofoli, especialista em solos, o casal espera para breve o nascimento de Mariana.

Pelas mãos de Ciro Siqueira aproximei-me de João do Rio, que ainda sendo do Rio eu só conhecia por citações.  Numa visita do casal à cidade em que voltei a morar – para dar continuidade às suas pesquisas sobre as obscuras origens do Código Florestal -, Ciro cometeu uma das infindáveis gentilezas que caracterizam a sua personalidade e trouxe-me um exemplar de A Alma das Ruas, com a recomendação de que não deixássemos que nossas cabeças se transformassem em Cabeças de Papelão, título de um dos contos de João do Rio no qual ironiza a conveniência de acreditar nas “verdades” convencionais.

Se um décimo dos agrônomos brasileiros da área de pesquisa ou extensão ousasse dizer o que pensam do ambientalismo urbanóide de algibeira e do Código Florestal, estaríamos mais do que muito bem.  Ou pelo menos se dissessem que o conflito entre “desenvolvimentismo” e “preservacionismo”, como apresentado, é uma farsa impostora e mal intencionada, o país não estaria perdendo tempo com falsos conflitos.  Afinal, se os produtores rurais forem sempre apresentados como a velha oligarquia alagoana e nunca como a ultra-moderna abordagem do plantio direto que colocou o Brasil entre os líderes mundiais nessa prática, os dados são viciados.

A visita de Rita e Ciro foi um dos pontos altos de meu ano de 2010, e lhes sou grato por existirem.

Ciro sempre descobre e divulga algumas pérolas simples mas notáveis – além de seus corajosos pontos de vista.  Em seu blog de hoje, Ciro indica um vídeo informativo da BASF, que merece ser visto para que os cidadãos urbanos não caiam no conto dos vigaristas que tentam apresentar os produtores rurais como bandidos (enquanto a poluição industrial e das cidades cresce, em vez de diminuir como ocorreu nos países sérios).  Vale ver, clicando no link abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=aoiP-WK3V8o&feature=player_embedded

***

O estado do Rio de Janeiro continua sem Zoneamento Econômico-Ecológico porque a Secretaria de Estado de Agricultura não se esforça o suficiente (ou não tem prestígio com o governador Sergio Cabral), porque a Secretaria do Ambiente faz birra e prefere tentar impor pontos de vista, porque as organizações de classe – tanto de agricultores quanto de produtores agrícolas – não se organizam.  Enquanto isso, sem pensar em segurança alimentar ou sequer nos custos de transporte de alimentos, ninguém vai lá perguntar ao CEASA de onde vem o melão que chega às nossas mesas.

O semi-falido extensionismo rural do Rio de Janeiro recomenda ao produtor esse ou aquele cultivar sem se perguntar se há demanda.

Código Florestal – Inaplicabilidade e Ineficiência em Decorrência da Generalidade

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O Código Florestal brasileiro é inaplicável e ineficiente porque demasiadamente genérico. 

Nos países sérios, mesmo que de muito menor extensão territorial e diversidade geológica/hidrológica, a definição do potencial de ocorrência de processos erosivos nas margens de rios, lagoas e reservatórios é feita in loco, e não sob a forma de metragem padrão válida para todos todos os rios em função de sua largura.

No Brasil, em decorrência da generalidade do Código Florestal, as tais “faixas marginais de proteção” dos rios de planície da Amazônia, que alagam enormes áreas nos períodos das cheias, no extremo oposto, as dos rios situados em serras e montanhas são tratadas como se as situações fossem idênticas.

Os “ambientalistas” urbanóides afirmam a necessidade de que todos os setores da sociedade “incorporem” a questão ambiental na formulação de políticas públicas, mas com uma condição: os outros setores da sociedade não devem ser ouvidos, mas apenas acatar os seus pontos de vista, sem nenhum debate, como ocorreu com o aumento da área de reserva legal na Amazônia que foi que foi decidida através de Medida Provisória.

“Em 1996, ele (FHC) editou Medida Provisoria para emendar o Código Florestal aumentando a reserva legal na Amazônia para 80% e no Cerrado para 35%.  (…) essa medida nunca foi votada.  A Presidência da República reeditou a medida 67 vezes para manter os seus efeitos, até que em 2001 as regras sobre as Medidas Provisórias foram mudadas.  Ainda que nunca tenha sido votada, essa Medida Provisória é geralmente interpretada como tendo validade legal” – observa um comunicado da Embaixada dos EUA no Brasil divulgado pelo Wikeleaks.

As autoridades ambientais federais não querem ouvir, considerar e ainda menos divulgar sequer os pareceres de profissionais altamente qualificados como os da EMBRAPA Florestas.  Um deles, específico sobre os critérios para a definição das faixas marginais de proteção, pode ser visto na apresentação disponibilizada em APP.FMP.EMBRAPA.

Mas o ambientalismo urbanóide do tapetão acha mais fácil enfiar goela abaixo da Nação a ampliação da largura das faixas marginais de proteção por mera Medida Provisória.

Enquanto isso, em alguns estados, como no Rio de Janeiro, as faixas marginais de proteção são reduzidas a larguras de até um metro através de mero decreto, com base em parecer jurídico sensato que afirma serem essses limites estabelecidos na lei federal de maneira “abstrata”.  De fato, a matemática é uma ciência abstrata, em particular quando tenta estabelecer parâmetros rígidos para fenômenos naturais.

E não ocorre qualquer protesto por parte dos citados ambientalistas ou mesmo do Ministério Público, tão rigorosos quando se trata de aplicar a lei a pequenos produtores rurais ou a pessoas humildes que tenham edificações nas tais faixas marginais de proteção, estabelecidas de maneira abstrata e genérica.

Na foto abaixo, uma obra de contenção realizada em 2010 na periferia da Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro.

Obra de contenção na Faixa Marginal de Proteção

Muitas outras, similares, podem ser vistas em plena implantação na Zona Oeste da capital do Estado do Rio de Janeiro.   Sem obras desse tipo, cidades da Amazônia como Santarém simplesmente não existiriam e, se aplicado o Código, teriam que deixar de crescer.  Elas são imprescindíveis, universais, e não implicam em danos ambientais – exceto se adotada a visão fascitóide de pensar a natureza sem o ser humano.

O fato da base dados pluviométricos e fluviométrios - bem como da engenharia brasileira refém de empreiteiras – serem de péssima qualidade quando da elaboração desses projetos não signfica que em qualquer situação rios possam correr sem obras de contenção em ambientes urbanos.  É assim na Alemanha – onde os rios estão limpíssimos há duas décadas -, na Inglaterra, na França, nos EUA – nos países sérios, enfim.

Código Florestal, Gestão do Território e Ambientalismo Urbano

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Em 2011, restará a um pequeno e barulhento grupo de ambientalóides urbanos apenas o refúgio na mitologia do Código Florestal e o uso da já desgastada política do terror: “as mudanças propostas levarão à devastação das últimas florestas levarão ao apocalipse climático e ao colapso da biodiversidade”.

Esse é o mantra de quem não tem nada de sério a dizer.  Até porque o ambientalismo urbanóide fala de florestas sem conhecer os “povos da floresta”, sem consultar as “populações ribeirinhas”, com o olhar totalmente opaco para o conhecimento dos agrônomos da EMBRAPA e de outras instituições que atuam direstamente nas florestas e no meio rural, isolados da produção de alimentos  e da economia agrária.

“No nada”, como diz Guimarães Rosa.  Cooperativas de produtores não são sequer consideradas quando as decisões são gestadas numa roda de chopp ou em torno de uma garrafa de uísque nos botecos da moda ou nos restaurantes de luxo das grandes cidades.

“Ambientalismo” é hoje uma “área de negócios” como qualquer outra.  Nessa área de negócios vale tudo para manter e ampliar.. os negócio$.

E, para tanto, há que sonegar informações e inventar um “inimigo”!

Ambas as coisas são necessárias para esconder que “uma das mais avançadas leis ambientais do mundo” (talvez da galáxia) em nada contribuiu para a efetiva proteção das nascentes, para a delimitação em campo das áreas de recarga dos aquíferos subterrâneos, para a gestão adequada dos reservatórios das hidrelétricas, ou sequer para a implantação de um sistema de unidades de conservação minimamente decente - como ocorre nos países sérios (cujas leis são certamente menos avançadas que as brasileiras).

O lero-lero sobre o inimigo inventado também serve para esconder o naufrágio das políticas públicas nas áreas da coleta e tratamento de esgotos, da coleta e destinação final adequada de resíduos, do controle da poluição atmosférica e hídrica, da ampliação do uso de energias renováveis, da opção pelo transporte sobre trilhos no lugar das rodovias que interessam às empreiteiras, do ordenamento territorial do litoral, etc.

Então, aos fatos!

Num dos mais importantes depoimentos feitos no Congresso Nacional, um dos mais brilhantes cientistas da EMBRAPA – profundo conhecor da Amazônia, então à frente da área da instituição encarregada do Monitoramento por Satélite – apresentou números resultantes de um trabalho de uma equipe altamente especializada.  Essa apresentação permaneceu adormecida, sem contestação, porque não é compatível com o sensacionalismo apocalítico que tanto agrada à imprensa.

Neste momento, vale rever os principais trechos da apresentação de Evaristo de Miranda, fazendo o download de suas principais partes clicando aqui em seu título:  Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista (dela foram retirados alguns slides por limitações do software utilizado neste blog).

O resumo é tão simples quanto constrangedor para a farsa ambientalóide: (a) se consideradas apenas as unidades de conservação e as terras indígenas, 27% do território nacional já se encontram legalmente protegidos; esse percentual é maior na Amazônia, onde atinge 46% do território; (b) se a esse percentual já protegido do território forem acrescidas as reservas legais, como hoje concebidas, o percentual de áreas protegidas sobe para 59% do território nacional; (c) quando ao total anterior são acrescidas as áreas de preservação permanente (APPs) como hoje definidas e não cumulativas com as áreas de reserva legal, 71% do território nacional não podem ser tocados e têm que ter a sua vegetação recomposta às expensas dos proprietários, restando 29% do território nacional para ”outros fins”, incluindo as cidades, os espaços dedicados à infra-estrutura (estradas, ferrovias, portos fluviais e marítimos, áreas militares, etc) e, é claro, a produção agrícola.

Tardiamente, até os políticos auto-denominados ecologistas despertaram para um fato que já lhes havia sido dito um sem número de vezes: se mantidas as regras atuais, será necessário retirar os vinhedos do Rio Grande do Sul, as plantações de maçãs de Santa Catarina, boa parte do café de Minas Gerais e de São Paulo, uma parte signficativa mas ainda não calculada da produção de horti-frutis do Rio de Janeiro, além de remover uma imensa população de pequenos produtores ribeirinhos ao longo do rio São Francisco.

Fica a recomendação de uma observação cuidadosa da apresentação dos profissionais altamente qualificados da EMBRAPA que, evidentemente, não se auto-denominam “ambientalistas”, como aliás ocorre com os profissionais sérios que atuam na área de gestão ambiental.

“Reserva Legal é Inútil, Diz Senadora” – E Com Razão!

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A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), classificou a reserva legal como um “corpo estranho” na propriedade rural que afeta o lucro. Para ela, a reserva tem apenas finalidade paisagística.

A reserva legal varia de 20% a 80% do tamanho da propriedade. Na Amazônia é de 80% e na Mata Atlântica, de 20%. A senadora defende a separação das unidades de produção e de conservação. “Se eu coloco um corpo estranho numa unidade de produção econômica, atrapalho essa engrenagem.” Segundo ela, a preservação deve se dar em parques nacionais, estaduais e municipais. “Se eu começar a fazer unidade de produção dentro do parque, também vai ser um corpo estranho”, argumenta.

A senadora veio a Cancún, que sedia a Conferência do Clima da ONU (COP-16), para lançar internacionalmente o projeto Biomas – que cria uma rede de experimentação e pesquisa nos seis biomas brasileiros. A proposta é estudar como fazer a restauração e o uso sustentável de áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morros, encostas e margens de rios. O custo será de R$ 40 milhões em nove anos.

A senadora diz que a escolha de Cancún se deu pela importância do evento na área ambiental, apesar de a COP-16 estar mais esvaziada que a COP-15. “Queremos que os consumidores brasileiros e estrangeiros fiquem tranquilos. Estamos produzindo com sustentabilidade”, disse.

O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc afirmou que o projeto da CNA tem aspectos favoráveis. Mas ele critica a posição da entidade em relação à reserva legal e sua defesa a uma anistia a quem desmatou. Ele ressalta que a presidente eleita, Dilma Rousseff, se comprometeu a vetar lei que reduza APPs e reservas legais.

Para Paulo Prado, da ONG Conservação Internacional, as reservas legais são importantes para a absorção e produção de água e para a sobrevivência das espécies. 

Nota do autor do blog – A reportagem acima foi publicada no Estado de São Paulo de hoje e é assinada por Afra Balazina, enviada especial a Cancún.

 ***

A senadora Katia Abreu está coberta de razão.  Nos países sérios, a conservação de ecossistemas de interesse sempre foi feita, com muito mais sucesso que aqui, através da implantação de unidades de conservação, no Brasil pessimamente administradas.

Paulo Prado, da Conservation International, não explica ou sequer se pergunta porque essa ONG americana que se dedica ao green-washing (lavagem cerebral verde) com dinheiro de grandes poluidores)  não propõe a criação de reservas legais nos EUA.

Há muito, com total apoio das grandes da área de madeira e celulose (que o Brasil exporta com baixíssimo valor agregado), já existem mecanismos para “compensar” as reservas legais em outras áreas, em geral “pirambeiras” sem qualquer potencial produtivo.

Assim, o lero-lero da preservação das espécies e da infiltração de água é conversa para boi dormir.

Além disso, a deterninação das áreas de recarga do aquífero subterrâneo não guarda qualquer relação necessária com reservas legais estabelecidas aleatoriamente.  Nos países mais avançados em termos de gestão ambiental, as áreas de recarga dos aquíferos é feita fisicamente, no campo, em função de característicos geológicas do terreno, há décadas.

A recarga do aquífero e a harmonização da vazão dos rios também pode ser muito melhorada com técnicas de plantio direto que assegurem que o solo permanece sempre recoberto de vegetação, criando as condições para a retenção da água de chuva e sua lenta infiltração.

Mas, contra a mania psicótica dos ativistas (aqueles que têm uma atividade?), não há realidade ou argumentação técnica proveniente de outros setores da experiência e do conhecimento que possa abalar esse dogma da reserva legal.  Aliás, para esses “ativistas” não há nem “outros setores da experiência e do conhecimento”.

A manutenção de núcleos de vegetação nativa importa, sim, em micro-regiões, pela contribuição que podem representar para que sejam evitadas pragas – sem sombra de dúvida.  Aí, fica uma questão: quais as grandes plantations ou monoculturas de “madeira certificada” têm reserva legal demtrp de suas propriedades?

Conflitos Pela Água – Uma Realidade no Peru

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John Vidal, editor de meio ambiente do jornal ingles The Guardian, está fazendo uma viagem pelas regiões de geleiras dos Andes, de onde seguirá para a Amazônia.  Trata-se de uma reportatem em estilo inovador de apresentação.

Nela, pode-se VER como estão ocorrendo conflitos pela água, em particular em Espinar, no Peru, com imagens da polícia se defrontando com manifestantes das áreas mais atingidas.

O governo de Espinar informou a John Vidal que já sobem a 5.000 os conflitos pela água, dos quais 50 terminaram em violência.

Nestor Cuti, um líder dos camponeses locais, afirma que as guerras pela água começaram: “nós não teremos mais água em 10 ou 15 anos”.

O governo central quer levar a água de Espinar para fazendeiros mais poderosos, e a população de Espinar protesta.  Os problemas já se estendem a Cuzco, onde falta água 6 horas por dia.  As imagens são bastante chocantes.

No Ecuador, grandes geleiras se reduziram em 40% ao longo de uma única geração.  E esse processo tende a se acelerar.  Além de regular a temperatura, os glaciais fornecem a água que abastece as populações, assegura a irrigação necessária à produção de alimentos e a geração de eletricidade na Colômbia, na Bolívia, no Peru e no Equador.

“A população terá que se adaptar às mudanças” – afirma John Vidal.

Ainda que a narração seja apenas em inglês, as imagens dos vídeos falam por si só.  Elas podem ser vistas em The Guardian – John Vidal, clicando-se nos péquenos símbolos vermelhos em formato de losango.

Vamos ver o que John Vidal mostrará sobre a Amazônia, nos próximos dias, enquanto em Cancun o naufrágio anunciado do encontro mundial sobre mudanças climáticas já mostrou que tudo se limitará a um passeio turístico, eom alguns eventuais “acordos” midiáticos que logo serão deixados de lado.