Temporão Já Vai Tarde! – Governo e Indústria NÃO QUEREM a Saúde da População

(enviado por Raquel Valentini)

Quase ao ao final de sua inócua passagem pelo governo federal, no apagar das luzes, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou um acordo (em 25.11.2010) de cooperação com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) que prorroga por mais três anos o Fórum da Alimentação Saudável.

Esse ato foi, na verdade, o descumprimento da promessa feita com alarde de retirar das prateleiras do mercado brasileiro a gordura trans dos alimentos. Ou seja, além da dificuldade de se encontrar alimentos frescos e sem agrotóxicos ou outros produtos químicos, mais uma iniciativa voltada para a proteção da saúde pública foi adiada.

Desde a década de 90 são concluídos estudos comprovando os danos dessa gordura no organismo. A economia industrial é mais importante do que a saúde humana. Assim, o famoso voto de muita saúde para as festas de fim de ano com certeza não faz parte dos desejos da indústria e nem do governo.

A gordura trans costuma ser encontrada em sorvetes, biscoitos, salgadinhos tipo snacks, margarinas, chocolates, biscoitos, bolachas e outros produtos industrializados convencionais.

Também são naturalmente encontradas em pequenas quantidades em algumas carnes e em quantidades insignificantes em alguns vegetais.

Elas têm baixo custo de produção e servem para aumentar o prazo de validade, além de dar sabor e consistência aos alimentos. No entanto, são péssimas para a saúde porque prejudicam o coração, aceleram o envelhecimento e causam aumento de peso. O ideal é não consumir de forma alguma alimentos que a contenham.

A gordura trans é produzida nas indústrias a partir de óleos vegetais que são submetidos à hidrogenação (adição de átomos de hidrogênio a moléculas do óleo). Esse processo torna os óleos vegetais líquidos em semi-sólidos, e eles recebem então um novo nome: gordura vegetal hidrogenada, que serve para melhorar a textura dos alimentos e fazer com que eles durem mais tempo nas prateleiras dos mercados.

Mas no organismo humano elas entram na corrente sangüínea, bloqueiam a produção de gorduras poliinsaturadas, responsáveis pelo bom funcionamento do organismo (boa saúde do coração, manutenção do sistema nervoso e das células em geral, produção de hormônios, etc). Além disso, quando absorvida, elas tendem a estocar-se em locais que já têm alguma gordura depositada, favorecendo o aparecimento da famosa “gordura localizada”.

Nos países desenvolvidos, o uso de gorduras trans nos alimentos processados industrialmente e até em restaurantes vem sendo proibido há muitos anos, desde que as pesquisas demonstraram que elas estavam entre as principais causas dos problemas cardiovasculares.

Em conseqüência, é comum ver, atualmente, aqui, a indicação “zero de gordura trans” na comida-lixo (junk food, na expressão em inglês) nas batatinhas e outros alimentos empacotados produzidos por multinacionais.  Não se trata de uma regulamentação brasileira, mas de um efeito cascata da regulamentação adotada fora do Brasil.

Mas, no Brasil, a “dona” ANVISA permite que as embalagens contenham a expressão “0% de gordura trans” quando a presença desse ingrediente altamente nocivo à saúde é de “até 0,2% de gordura trans por porção”.  Como a regra (despudorada) permite que o próprio fabricante determine o que é “uma porção”, este pode, se desejar, decidir que a “porção” é, meio biscoito, uma mordida, 3 biscoitos, e assim enganar o consumidor.

Não existem limites seguros para o consumo de gorduras trans e o melhor é abandonar o consumo de alimentos que fazem esse tipo de propaganda, além de outros processados industrialmente.  É melhor comer – e dar às crianças – uma fruta, quando se percebe que haverá necessidade de consumo de alimentos durante uma viagem ou em casa fora do horário das refeições.

Recomenda-se a leitura atenta dos ingredientes nas embalagens dos alimentos processados industrialmente, até porque a “dona” ANVISA também permitiu aos fabricantes não escrever na embalagem gordura hidrogenada, podendo escrever apenas gordura vegetal. Fora que os produtos internos de padarias, mercados, etc., sequer mencionam algum desses ingredientes. Também é impossível saber quando um restaurante está servindo batata pré-frita ou mesmo bolinhos de aipim super e outros congelados do tipo McCain (www.mccain.com), fabricados no exterior e despachados em embalagens do tipo pallets para o Brasil.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários em “Temporão Já Vai Tarde! – Governo e Indústria NÃO QUEREM a Saúde da População”

  1. Infelizmente, hoje já não é possível fugir da gordura hidrogenada, está oculta e presente em praticamente qualquer tipo de alimento industrializado, sem falar nesses naturais produzidos em padarias. Não tem jeito, teremos de conviver com esse mal assim como já convivemos com a poluição nas cidades.

  2. Não é verdade, meu caro Nilton. Ela já vem sendo banida há muitos anos nos países sérios. De produtos industrializados e de restaurantes.

O que você pensa a respeito?