Eventos Climáticos Extremos e Oportunismo Ambientalóide

No estilo dos piores tablóides sensacionalistas, a Folha de São Paulo, uma das referências do jornalismo brasileiro, publicou no domingo – 16 de janeiro -, com direito à manchete da primeira página, uma reportagem prá lá de medíocre com o título “Novo Código Florestal amplia risco de desastre”.  A bobagem destaca o nome dos repórteres e tem toda a pinta de notícia plantada e de um escorregão – ou melhor, de um tombo – da chefia da redação na lama dos telefonemas dos amigos.

No artigo anterior deste blog, já havia a previsão do uso oportunista de um evento climático extremo por parte de ambientalóides urbanóides.  Eles fingem não ver que dezenas de municípios de Minas Gerais se encontram em estado de emergência, que chuvas torrenciais acabem de destruir boa parte da Austrália, e que nos últimos dias 1/3 dos municípios das Filipinas foram também devastados por verdadeiros dilúvios.

Nessa linha de pensamento – ou de falta de pensamento e dogmatismo – são capazes de atribuir devastações causadas por furacões e terremotos à falta de leis ambientais ou de seu cumprimento.  Apegando-se a bandeiras em estado pré-falimentar, incapazes, por exemplo, de assegurar a despoluição do rio Tietê ou da Baía de Guanabara, batem no peito e falam da lei ambiental mais avançada do planeta.  Seriam capazes de recomendar a remoção da cidade de San Francisco, na Califórnia, por situar-se na área de maior risco de terremotos do planeta.

A “reportagem” – se é que se pode chamar assim um texto medíocre que não busca fundamentos e nem ouve outros pontos de vista – se concentra na ocupação das encostas.

Tolice arrematada!  Qualquer um que tenha viajado por países europeus que já resolveram os seus problemas ambientais e estão décadas à frente do Brasil – como é o caso da Alemanha – pode ver o grande número de encostas ocupadas há séculos.  Também na costa do Mediterrâneo, há grande quantidade de vilarejos e pequenas cidades na borda de falésias, e plantio em encostas íngremes, como se pode ver nas fotos abaixo.

Nesta última foto, pode-se ver o plantio de oliveiras nas encostas mais íngremes.  Segurança alimentar, geração de emprego, tradição – tudo isso sem “código florestal”, sem intromissão do governo central na vida das cidades, e sem que o que a cudade receba a denominação genericamente leviana de “área de risco”

No mesmo jornal e no mesmo dia, um marco do jornalismo brasileiro, Elio Gaspari , abre sua coluna dominical com um texto irônico e esclarecedor, sob o título “Cabral e Dilma culparam os outros e o povo”.

“Na filosofia dos doutores, o centro de Friburgo estava em área de risco.” – destaca.

Depois de relembrar acontecimentos similares em Angra dos Reis durante as chuvas de 2010, mestre Elio Gaspari sintetiza:

“Desta vez, Sérgio Cabral não estava em Mangaratiba (onde tem casa), mas no exterior.  Quando desembarcou no Rio, já haviam sido contados mais de 300 corpos por conta de temporais que começaram dois dias antes. Ao chegar, Cabral contrariou sua lição de 2010 e visitou as áreas afetadas. Foi acompanhado pela doutora Dilma Rousseff, que ensinou: “A moradia em área de risco no Brasil é a regra, não é a exceção”.

Falta explicar por qual critério Dilma e Cabral definem “áreas de risco”. O centro de Friburgo? A cidade de Areal? Bairros urbanizados onde viviam pessoas que pagam IPTU? Em 2010, a explicação demofóbica para a morte de mais de 30 pessoas no morro do Bumba, em Niterói, sustentou que a patuleia estava em cima do que fora um lixão. Estava, com a permissão da prefeitura, e ninguém foi responsabilizado. (o grifo é nosso)

“A essa explicação, somou-se a do catastrofismo ambiental. Para quem gosta de falar em calamidades climáticas, vale lembrar que, na Austrália, onde choveu mais do que no Rio, os mortos foram 25 e há dezenas de desaparecidos.”

Num outro trecho de sua coluna, Elio Gaspari brinca com as palavras, com a precisão de um bisturi, sob o título “Área de risco”.

“Na quarta-feira, reunido com sua equipe em Brasília, o secretário nacional de Defesa Civil, doutor Humberto Viana, informou que uma das prioridades de seu mandarinato será a construção da sede própria para a repartição. Àquela hora havia mais de dez mil pessoas desabrigadas no Rio. Na linha da doutora Dilma, pode-se dizer que Secretaria de Defesa Civil é uma área de risco na administração federal.”

A imprensa não pode embarcar nesse lero-lero oportunista de relacionar eventos climáticos extremos para fazer política de ocasião.  O Código Florestal brasileiro é tão antiquado que considera área de preservação permanente qualquer coisa acima de 1.800 metros.  Se aplicado à Bolívia, teríamos que começar por remover a cidade de El Alto, onde se encontra o aeroporto internacional que dá acesso a La Paz.  Para não falar em Cuzco, no Peru, que está a 3.500 metros de altitude e é região de grande visitação turística.

Aliás, quem quiser ver imagens de algumas das mais altas cidades do mundo, a começar por La Rinconada, no Peru, a mais de 5.000 metros de altitude, vale ver as fotos do The Huffington Post clicando em www.huffingtonpost.com/2010/11/18/highest-cities-in-the-world_n_785478.html#s185590&title=undefined.

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Manila e muitas outras províncias das Filipinas foram inundadas em menos de 12 horas depois de iniciadas as fortes chuvas nas serras do Rio de Janeiro.  Para os ecomaníacos e jornalistas de improviso da Folha de São Paulo, as causas das muitas mortes e desaparecidos deve ter sido o descumprimento do Código Florestal brasileiro.  Vale dar uma espiada em

www.youtube.com/watch?v=_Y9OZrlaATY

As imagens do verão de 2008 em Wisconsin, nos EUA, também foram associadas ao fato de que os EUA não tem absolutamente nada similar ao Código Florestal brasileiro – mas tem parques nacionais que funcionam -, as pessoas constroem em “áreas de risco” (ainda que nada similar jamais houvesse acontecido na região), e toda essa baboseira provinciana que aqui parece “praga de madrinha”.

www.youtube.com/watch?v=RuezygBWlyM&feature=channel

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O Brasil continua sem uma política de transição e adaptação às mudanças climáticas, já amplamente definida por regiões em muitos países que têm políticas ambientais sérias, como a Alemanha e boa parte dos EUA, entre outros.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

5 comentários sobre “Eventos Climáticos Extremos e Oportunismo Ambientalóide”

  1. Qualquer comparação entre encosta de Mata Atlântica e de qualquer outra região no planeta só é possível se você insere em sua comparação, minimamente, parâmetros de clima, solo, pluviosidade. Comparar uma encosta do Mediterrâneo com Nova Friburgo é o mesmo que dizer que os coreanos são japoneses só porque têm olho puxado. Seu texto é totalmente enviesado e sem base técnica. Tenta ser intelectual. Mas é intelectualóide.

  2. Exatamente. É bom encontrar um “intelectual” de verdade como você fazendo comentários sobre a impossibilidade de comparar as encostas da Mata Atlantica com qualquer outro lugar no mundo… som conhecer os outros lugares do mundo.

    Mas, na suposição de que comparações entre diferentes situações não possam ser feitas, por que será que o lixo do Código Florestal, inútil em particular por sua generalidade, estabelece parâmetros iguais para os morros na Amazônia e nas serras gaúchas! E por que será que as bestas do CONAMA se arrogam o direito de estabelecer normas – inconstitucionais – desde Brasília definindo o que são morros. E por que será que a absurda lei da Mata Atlântica contrabandeia vários outras tipologias de vegetação para essa denominação e só falta incluir na definição puramente LEGAL de Mata Atlântica os pampas – já que inclui os campos de altitude e muita coisa mais que não é Mata Atlântica por não não sofrerem qualquer influência dos ventos atlânticos. Bingo! Você atestou a burrice absoluta do Código Florestal e a mediocridade sem fim dos zambientalistas.

  3. OK, então vamos comparar algumas regiões que eram de Mata Alântica.

    A Av. Paulista (e imediações) em São Paulo é uma “APP- Área de Preservação Permanente” de Topo de Morro e Linha de Cumeada com Encostas de Declividade Acentuada dos dois lados (acima do limite das Leis), urbanizadas e construídas e, sem deslizamentos.

    Todas as cidades litorâneas estão construídas em APPs de restinga.

    Aliás, o Código Florestal e as resoluções do CONAMA valem em todo o território nacional, inclusive nos centros urbanos. Porém, são ignorados com a conivência de todos, inclusive dos falsos ambientalistas e dos agentes do Estado, nos centros urbanos, que nada preservam e que são os reais causadores da devastação com seu consumismo, pois ninguém produz se não houver quem compre.

    São só exemplos, pois o mesmo acontece em todas APPs, em todo o Brasil.

    O problema real é que se deveria construir com bons estudos, projetos e técnicas.

    Mas as Leis Insustentáveis (LIs) simplesmente proíbem tudo, afastando os empreendedores Legais, desvalorizando a maioria das áreas e supervalorizando as poucas áreas onde se pode empreender.

    As Leis deveriam apenas estabelecer QUAIS SÃO OS OBJETIVOS e obrigar o empreendedor a apresentar estudos, projetos e técnicas que os alcancem.

    Por causa das LIs os empreendimentos legais ficam caros e fora do alcance dos cidadãos menos favorecidos, que são a maioria e temos a realidade, uma multidão sem acesso à moradia Legal, os “STL – Sem Teto Legal” e “APB – áreas proibidas baratas”.

    O que você acha que vai acontecer?

    Você acha que os STLs vão respeitar as APBs e a Lei que os impede de existir? Ou será que o instinto de sobrevivência os levará a enfrentar os perigos, para sobreviver?

    Estão criadas as condições para a existência dos loteamentos clandestinos e invasões, com uma ocupação informal e descontrolada, que resultam em devastação, poluição e tragédias.

    A verdade é que, SE CUMPRIREM AS LEIS, NÃO TEM ESPAÇO PARA OS MENOS FAVORECIDOS.

    Se querem culpar ou prender alguém, têm que ser os que fazem Leis Insustentáveis, absurdas e desconectadas da realidade.

    É necessária uma nova Legislação, fundamentada, justa e sustentável.

    Vinicius Nardi, por uma Preservação e Ocupação Justas e Sustentáveis

  4. Agraciada pelo espaço de um blog que não é meu, relato em fatos fragmentados o que me aconteceu. Por pressão ambiental até a família adoeceu. Com sarcasmo e ironia, por pura covardia, tiraram tudo o que eu tinha, destruíram o que era meu.
    Eu que levava uma vida sossegada, numa cidadezinha, esquecida do mapa, sem teatro, sem cinema, sem folguedos de lazer, minha alegria consistia, em plantar flores, cultivar a terra, num terreno que comprei isso era meu prazer.
    O terreno era grande, bem plano, como uma península, com água dos dois lados e pela topografia, comparado ao da vizinhança, com seus lotes urbanizados, este, em área rural ficava, pela beleza natural, aos olhos se destacava.
    E foi naquele dia, uma visita inesperada, a serviço do batalhão, e pela forma como falava, a força estava na farda de um guarda ambiental.
    Disse que meu pomar ali não podia ficar, pois de acordo com o Conama, fruta não fazia parte da lista florestal. Avistou as margaridas, minhas roseiras em flor, até uns pés de coqueiros, arranque tudo, que isso não é planta, conforme a secretaria, planta ornamental não consta, volte o terreno na sua forma original.
    Tentei argumentar com o moço, isso tudo Sr guarda, era capinzal, olhe do outro lado que todos fazemos igual. A questão é com a senhora, os outros não vêm ao caso, que dentro dos cem metros, a área é do IBAMA
    Entregou a autuação com alíneas assinaladas, explicou que a multa tinha o prazo de um mês e que eu deveria o quanto antes procurar o DPRN e que ele age assim quando o dever lhe chama.
    O que me cortou o coração e quase morri de espanto, foi quando aquele guarda fez uso da caneta, acrescentou à autuação que para o bem da humanidade, em prol da sociedade, por um ambiente limpo, sem degradação, para reparar o meu crime, pelas espécies em extinção, pela poluição das águas, e aos danos à população, por perdas irreparáveis, minha casa viria ao chão.
    Depois de pagar a multa, veio a intimação, o promotor me chamava para dar explicação, explicou-me que meu ato me levaria à prisão, mas se eu cumprisse direitinho o que constava na autuação, que a proposta era boa, era minha a decisão.
    Retirou da sua pasta uma foto, com um alicerce em construção, indagou-me se eu reconhecia, se aquela casa era minha. Como podia ter a foto do alicerce, indaguei-me em pensamento esperaram que eu chegasse ao acabamento, para depois dar o bote de verdadeira traição, para aumentar meu sofrimento, a casa nem tinha ainda sido paga, que o material foi comprado à prestação.
    Saí dali sentenciada, com uma lista de plantas na mão, tinha o prazo de seis meses, para que elas estivessem no chão, sem poder entrar na casa, pelo embargo justiceiro
    A lista que eu trazia das plantas que pedia, nenhum viveiro tinha
    Quando encontrava, por sorte uma bixa orelana, eram poucas mudas e não quarenta e quatro conforme se pedia, para descobrir depois que meu terreno ficaria cheio de urucum.
    Plantas e mais plantas, misturadas às outras plantas como lonchocarpus muehlbergianus da família fabaceae, que na clareza da nossa Língua Portuguesa, meu terreno ficaria com sessenta e seis mudas de embira de sapo.
    Se para o bem do progresso, é necessária a plantação, reparar um erro de um erro irreparável,
    percorrendo outras cidades, iniciava-se a peregrinação, enquanto um engenheiro elaborava, o projeto que faltava, aguardava a aprovação.
    A vida virou tormento, porque para a mão de obra, difícil era encontrar gente
    Diante dos boatos, para um local pacato, o povo alvoroçou,queria ver de perto se aquilo era verdade, quando seria a formidável cena do espetáculo que começou.
    Como todo marginal, sem caráter, nem pudor, uma área embargada é tudo o que ele quer, se o proprietário não entra porque a justiça não deixa entrar, ele tem a liberdade de entrar quando quiser, vasculha todo o lugar e leva tudo o que puder
    É neste momento que um homem, com o peso da idade nas costas, setenta e seis anos de vida, hoje tem oitenta e um, carrega mais um fardo, processado, humilhado, morto vivo com certeza, tem que se agigantar, para consertar o mundo em favor da natureza.
    Nem as crianças escapam da ideologia da perseguição, tem criança perdendo o bem, que é o bem que o avô lhe deu, teve a casa destruída pela mata ciliar, e a floresta que é da CESP o avô tem que recuperar.
    Quem quiser saber onde isso aconteceu, a cidade é interiorana, o estado é de São Paulo
    Que para envergonhar o nome pela abundância que proclama
    Fartura é seu nome.

    Maria Angélica de Paula

  5. Comportam-se como quadrilha de fanáticos. Nada sabem de meio ambiente – ZE-RO – e querem dar a impressão a si próprios de que fizeram algo de bom! Bons advogados ajudam, e é preciso que a população se organize para reagir aos desmandos de emepéios e emepéias que não honram as suas funções por ignorância, má fé ou psicose.

O que você pensa a respeito?