Amazônia e a Farsa da Responsabilidade Sócio-Ambiental Gringa

Qual a face mal escondida da “responsabilidade sócio-ambiental” quando fabricantes de refrigerantes e de água mineral em garrafas PET com marcas de fantasia começam a falar no assunto e a fingir que “vestiram a camisa” da chamada responsabilide sócio-ambiental? Alguém que tenha dois neurônios pode acreditar nessa farsa?  Do CUSTO – ou seja, do preço do produto entregue ao revendedor final, antes do consumidor – que porcentagem é água, que porcentagem é embalagem plástica (derivada de petróleo), que porcentagem é transporte?  A manutenção e a expansão do business deles são inerentes à sua própria natureza e eles – produtores de soda e de água mineral em garrafas cada vez menores – não vão abrir mão do que lhes é essencial para produzir algo útil!

E quando essa mesmo corja faz suco “de laranja caseira” ou “néctar de frutas”, qual a estrutura de formação de preços e quanto coube ao produtor da fruta que é transportada até uma fábrica, desidratada, congelada, depois reidratada, misturada com uma porção de substância químicas para dar cor, sabor e espessura, depois embalada, depois transportada novamente – até os pontos de venda, que incluem as proximidades dos produtores originais das frutas que foram utilizadas?

A Coca-Cola é sempre um ótimo exemplo, e mais ainda quando paga à EMBRAPA para desenvolver uma variedade de açaí para fazer uma bebida do tipo soda, com um percentual de açaí desprezível.  De mais de uma centena de variedades de açaí existentes na Amazônia, escolhem UMA, cuja produtividade é maior.

E aí partem para a monocultura, diretamente ou através do estímulo aos produtores locais para que plantem aquela única variedade.  E badalam as propriedades antioxidantes do açaí, totalmente perdidas no processo de pasteurização e congelamento.

Aliás, qual é mesmo o percentual de “guaraná da Amazônia” nas sodas vendidas com o esse rótulo, além da cafeína, do tanino e de uma vago sabor formulado provavelmente na Suíça?

O cinismo não tem fim, mas pode ser comprovado com a leitura de uma reportagem de um jornal da região que não foi divulgada pela grande mídia e que poderia ser comparada a uma associação do mal – EMBRAPA + Coca-Cola.

Afinal, a EMBRAPA deveria fazer pesquisas de interesse do Brasil, e não apenas da Coca-Cola.  Os termos desse acordo espúrio deveriam estar na página da EMBRAPA na internet.

Em matéria de canalhice, a única coisa pior que o autor deste blog pôde observar no cenário internacional foi a publicação de um relatório elaborado por uma ONG apoiada pelo mercado financeiro em Londres – uma tal de Forest Footprint Disclosure.  O título do relatório poderia ser a grande farsa.

Alguém acha, sinceramente, que essa canalha que apoia esse business sob a máscara de uma ONG para despejar dinheiro dedutível do que é devido ao fisco esteja realmente interessada em “sustentabilidade” na Amazônia?  E ainda mais num país cujo governo vem anunciando a privatização de todas as florestsa públicas ainda neste ano, para qualquer finalidade, inclusive o simples corte.  O Greenpeace, esse tal de Forest Footprint alguma coisa e outras ONGs do gênero silenciam! 

O mais incrível é que entre os autores do tal relatório estejam listados um diretor da EMBRAPA (Geral) da EMBRAPA no Acre e um promotor de justiça do Ministério Público Federal no Pará.  Só podemos torcer para que as informações sobre a lista de autores do relatório sejam imprecisas e que o papel desses representantes do poder público nacional brasileiro na elaboração do relatório gringo tenha sido superestimado.

Agora, que tal grandes empresas brasileiras e a Bolsa de Valores de São Paulo apoiarem o monitoramento constante das emissões de carbono pelo Inglaterra, convidando especialistas britânicos e europeus para falarem do imenso fiasco que e o cumprimento das metas estabelecidas pelo próprio órgão de meio ambiente do governo inglês?  Será que a corja colonialista City acharia isso uma ingerência indevida em seus assuntos nacionais?

Essa tuma de moleques gringos certamente não vale o caviar que come!  Mas eles têm o DNA daqueles que, na Inglaterra, se bateram contra a independência da Índia.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?