Monthly Archive for março, 2011

Mudanças Climáticas e “Segurança Naval” dos EUA

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“Atendendo a uma determinação do Comando de Operações Navais (CNO, na sigla em ingles), o Conselho Nacional de Pesquisas designou um um comitê que trabalhou sob a orientação do Consellho de Estudos Navais para avaliara as implicações das mudanças climáticas sobre as forças navais dos EUA. Com o estudo, o comitê concluiu que se mesmo as mais moderadas tendências atuais no clima continuarem, elas resultarão em desafios para a Marinha dos Estados Unidos, para os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e para a Guarda Costeira. Ainda que dimensões temporais, de grau e as consequências futuras dos impactos das mudanças climáticas sejam incertas, muitas mudanças já estão ocorrendo em regiões do mundo, tais como o Ártico, e demandam ações da liderança naval dos Estados Unidos.”

Esse não é um texto de ficção mas um relatório oficial do governo norte-americano! O relatório afirma que as disputas sobre fronteiras e zonas econômicas exclusivas ocorrerão em decorrência da abertura de novas rotas marítimas e da competição por recursos (econômicos). Aumentará a demanda sobre a capacidade militar naval para resposta rápidas em novas áreas marítimas nacionais e internacionais. Da mesma forma, instalações navais costeiras serão colocadas em risco pela elevação do nível dos oceanos e pela maior frequência de eventos climáticos extremos, como tempestades. Será necessário o fortalecimento das alianças e a formação de parcerias das forças militares navais.

Se o leitor acha que eles estão alucinados ou buscando criar uma situação de pânico para obter mais recursos do governo norte-americano, vale ressaltar que o relatório enfatiza a necessidade de que os EUA subscrevam à Convenção das Nações Unidas proposta pela primeira vez em 1967, o que resultou em negociações formais iniciadas em 1973. Essas negociações tiveram a participação de 160 países ao longo de 9 anos, ao fim dos quais, em 1982, foi adotada a Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, à qual os EUA nunca subscreveram (como de hábito, quando os seus interesses não são imediamente evidentes). Em 2010, o Comando de Operações Navais dos EUA continuava a insistir na necessidade de que o país aderisse à Convenção, sem sucesso.

O relatório aqui citado prossegue afirmando que “a situação geopolítica do Ártico tornou-se complexa e com muitas nuances, à despeito do fato da região ter sido ignorada desde o final da Guerra Fria”.

“O Conselho do Ártico, do qual participam o Canadá, a Noruega (a mesma que vive falando que vai fazer doações ao Fundo Amazônico), Dinamarca e Rússia, com a adesão posterior da Islândia, da Suécia e da Finlândia, é um veículo diplomático para lidar com os problemas na região. No entanto, disputas sobre fronteiras marítimas são abundantes. Assim, por exemplo, há disputas sobre o mar territorial e as zonas de interesse econômico exclusivas entre o Canadá e a Dinamarca, bem como entre os Estados Unidos e o Canadá. A Rússia e a Noruega discordam sobre áreas off-shore no entorno de Svalbard. A situação da Passagem Noroeste através do Arquipélago Canadense – áreas territoriais canadenses ou ou um estreito internacional? – constituem-se numa preocupação do Canadá pelo menos desde 1985. O assunto não está resolvido e o tráfego de embarcações só é permitido com base em acordos bilaterais para o uso de embarcações quebra-gelo.”

De fato, o Comando de Operações Navais, os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e a Guarda Costeira concordam sobre o impacto potencial das mudanças climáticas sobre a capacidade e as operações navais norte-americanas, em particular no que se refere à região do Ártico.

“Mudanças dramáticas estão acontecendo na região do Ártico em decorrência das mudanças climáticas, incluindo reduções significativas na cobertura de gelo do Oceano Ártico e o desaparecimento do gelo mais espesso formado ao longo do tempo. O comitê espera que o degelo ocorrido durante o verão na região continue a crescer a uma taxa de 10% ou mais a cada dez anos ao longo das próximas décadas. Isso permitiria o acesso a zonas sem gelo em amplas áreas do Ártico no verão de 2030.”

Como resultado, aponta o Serviço Geológico dos EUA, grandes depósitos de petróleo, gás natural e minérios poderão ser explorados. E o comitê expressa a sua preocupação com a capacidade militar naval dos EUA no Ártico: ela é muito limitada qauando comparada à crescente demanda de segurança nesses novos domínios marítimos.

Para quem acredita em acordos internacionais de interesse global no que se refere às mudanças climáticas, a transcrição desses trechos do Sumário do relatório pode ser útil, ao menos para um teste do nível de ingenuidade de setores “neo-socialistas” e ambientalitas das nações de menor poder militar.

O download da versão preliminar do relatório sobre as mudanças climáticas na visão das forças navais militares dos EUA, na versão original em ingles, pode ser feito aqui.

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Há poucos meses, quando foi concedido autorização para sondagens de petróleo e gás no Artico a uma empresa inglesa, quatro ativistas do Greenpeace subiram numa das plataformas que ainda se encontrava ancorada, numa baía na Groenlândia.  O governo ingles – esse que tanto fala nas florestas amazônicas – enviou uma pequena embarcação de guerra para afastá-los.  Pano rápido, é claro!  Não se tem notícia de que o Greenpeace daqui tenha feito algo semelhante em relação as sondagens do pré-sal em profundidades equivalentes àquela do recente acidente no Golfo do México.  

Manaus – Bailes de Máscaras, Jogos de Cena e Outras Mentiras Convenientes

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O ex-presidente Bill Clinton afirmou em Manaus que o Brasil tem que refletir sobre os impactos da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.  Em qualquer país sério, um ex-chefe de estado dando palpites em assuntos de política interna seria muito mal visto e imediatamente repudiado pelas autoridades locais.

Já um tanto senil, Clinton defendeu o que ele acredita ser a proteção da Amazônia em benefício do oxigênio planetário, e afirmou: “Não tenho paciência para pessoas que criticam e não dão alternativas”.

“Qual a alternativa? Vocês precisam de eletricidade e querem preservar a floresta. E 20% do oxigênio mundial vem de vocês. Não é fácil, mas vocês têm que pensar sobre essas coisas, sobre o futuro de seus filhos e netos. É preciso pensar na população indígena, nos animais, nas espécies de plantas que podem ter a cura para doenças.”

Ah, bom!  A cura para as doenças?  Clinton nunca lutou seriamente para que o Congresso norte-americano referendasse a Convenção Sobre a Biodiversidade que garantiria “uma remuneração justa” para os países de onde venham o material genético que permite o desenvolvimento de novos medicamentos!  A “uma remuneração justa” só pode se contrapor “uma remuneração injusta”! E os EUA nunca aderiram a esse tratado internacional!

Ainda mais gagá – ou mais alienado -, o ex-play boy e ocasional governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger confundiu o Brasil com o México e elogiou o calor das mulheres brasileiras como fonte potencial de energias renováveis.  Em condições normais de pressão e temperatura, as feministas considerariam isso uma ofensa.  Mas no ôba-ôba da “sustentabilidade” de Manaus, valeu tudo.

Pois bem, na véspera desse encontro de ex-trelas, tietes e alguns cientistas para falar de mudanças climáticas, o Secretário (Ministro) do Interior do governo dos EUA anunciava a autorização para uma vertiginosa expansão da mineração de carvão em seu país.  Estima-se que quando utilizado esse carvão resultará na elevação das emissões globais de carbono em cerca de 50% das atuais emissões norte-americanas, ou o equivalente a 300 usinas térmicas convencionais que usam carvão para a geração de energia.

Esse tipo de jogo de cena para agradar os diversos grupos de pressão não é uma novidade.  Também no Brasil o governo andou se ufanando da redução do desmatamento na Amazônia e, simultaneamente, do potencial econômico da extração do petróleo em grandes profundidades (para as quais as tecnologias de extração ainda não se encontram totalmente desenvolvidas).  E a tuma do meio ambiente fez e faz cara de paisagem, mesmo quando Obama declara abertamente, em discurso durante a sua viagem ao Brasil, “nós precisamos do petróleo de voces”.

Segundo a imprensa internacional, na mesma entrevista em que anunciou essa mega-ampliação dos negócios da indústria do carvão e das termelétrica que o utilizam, o ministtro norte-americano murmurou algumas palavras sobre a intenção de autorizar a implantação de 12.000 MW de energia limpa até o final do próximo ano.  Eles são divertidos!  A nova área de mineração de carvão possibilita a ampliação da capacidade instalada de geração a partir do carvão em cerca de 300.000 MW de energia suja.  O Greenpeace, Clinton, Arnold, e os “zambientalistas” brasileiros ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

As imagens da mineração de carvão em Wyoming (abaixo), onde foi autorizada a expansão da atividade, mostram bastante  bem a preocupação dessa turma com florestas, reservas legais, topos de morro, encostas íngremes, fundos de vale, e mudanças climáticas.

 

 

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E por falar em proteção de florestas,  a empresa farmacêutica inglesa Beacon Hill Resources acaba de receber permissão para realizar sondagens em busca de magnetita nas mais valiosas florestas da Tasmânia, na Australia.  Nessa área, denominada Trakine, encontra-se a maior floresta úmida do hemisfério sul, e nela vivem numerosas espécies em extinção e encontram-se impressionantes sítios arqueológicos indígenas, além de extensas áreas de cavernas.

A inglesa Beacon Hill Resources é uma das tres grandes que estão solicitando autorização para a mineração de céu aberto – isto é, com a total remoção das florestas – nessa área.  Em sua página na internet, a empresa anuncia com orgulho essa iniciativa, bem como a aquisição de uma das maiores regiões de carvão ainda não desenvolvidas no mundo, ma Província de Tete, em Moçambique.

Haja cara de pau e cinismo!

Minas Gerais, Mineração e Corrupção Institucional

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Há poucos dias, o Valor Econômico, que tem excelente cobertura dos temas ambientais, publicou reportagem intitulada “Siderurgia transforma região do Alto Paraopeba”, em Minas Gerais.  O parágrafo inicial evidencia um jornalismo da melhor qualidade devido à capacidade de síntese do desastre em andamento e anunciado.

“Do alto das colinas que cercam Congonhas, a visão é nítida: no fim da tarde, quando sopra um vento forte, ergue-se uma grande nuvem escura da área escavada da mina Casa de Pedra e, em poucos minutos, a sombra de minério cobre a cidade que ganhou fama pelo conjunto arquitetônico de Bom Jesus dos Matozinhos, marcada pelas 12 estátuas de profetas de Aleijadinho.  A ampliação da mina Casa de Pedra, da CSN, onde se extrai ferro com altíssimo teor de pureza, é apenas um dos muitos investimentos programados para a região do Alto Paraopeba, que a médio prazo devem tornar a área de cinco municípios a cerca de cem quilômetros de Belo Horizonte no principal polo minerador e no segundo polo siderúrgico do Estado.” (o grifo é nosso)

Minas Gerais tem muitas belas tradições culturais – inclusive artísticas e arquitetônicas.  E, também, um passivo ambiental esplendoroso, no qual se incluem muitas barragens de rejeitos de resíduos de mineração, com a aceitação indecente e uma destinação inadequada e inaceitável para centenas de milhares de toneladas de lama tóxica.

No caso da violência premeditada e anunciada a um dos mais belos conjuntos arquitetônicos e patrimônios artísticos do Brasil – expresso na estatuária do Aleijadinho -, ninguém sequer tem a vaga esperança de uma ação preventiva do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (de excelentes serviços prestados à nação, mas sem nunca ter aplicado uma só multa) e, ainda menos, do inepto IBAMA, que só exerce as suas tais competências concorrentes, supletivas, indispensáveis nos casos de omissão dos órgãos estaduais, quando politicamente conveniente ou oportunisticamente possível.

É fácil – demasiadamente fácil – medir a presença de material particulado danoso às esculturas do Aleijadinho, bem como sua origem.  Um mero pires ou prato colocado sob a cabeça de uma das estátuas, com a poeira sendo observada pelos visitantes, e cidadãos locais – basta passar o dedo! – e, depois, pesada e feita a análise química (do óbvio) por um grupo de estudantes.  Essa atividade poderia passar a fazer parte do roteiro turístico, para mostrar o quanto a poluição devido ao descaso danifica as esculturas em pedra!

Isso contribuiria para mandar os órgãos ambientais com os seus padrões e critérios de avaliação às favas, já que eles sempre permitem demonstrar que até o ar no entorno das refinarias da Petrobras ou das regiões metropolitanas é de boa qualidade.

Estudos da Universidade de Minas Gerais – UFMG estimam um crescimento populacional de 70% em 15 anos em decorrência dos diversos investimentos na região, passando a população de 200.000 para 300.000 habitantes.  Os efeitos já se fazem sentir no mercado imobiliário.

Segue a reportagem do Valor Econômico:

“A poluição provocada pela extração é o maior problema. Mas nós topamos o ônus da mineração e da sobrecarga sobre a infraestrutura, diante do bônus da industrialização”, comentou o prefeito Anderson Cabido (PT), de Congonhas, cidade que concentra a maior parte dos investimentos projetados. Ele teme que o mercado de minério aquecido leve a CSN a retardar os investimentos em siderurgia.  O Cabido quer mesmo é um cabide, já que não consegue pensar em qualquer outra alternativa econômica para a região!

De fato, desde 2007 a empresa negocia com o governo de Minas Gerais um PACote de incentivos fiscais, leia-se isenções tributárias opostas à política econômica oficial dos governos para os interesses maiores da nação ou dos cidadãos.

“De acordo com a siderúrgica, uma outra empresa foi contratada especificamente para analisar a origem da poeira que cobre a cidade e propor um plano de ação.”  Se contratados bons capachos, eles vão conseguir elaborar um “modelo de dispersão atmosférica” que ninguém compreenderá mas demonstrará que a contribuição da nova mineração será insignificante e, o que é mais importante, os ventos predominantes ocorrem de baixo para cima, em direção à Lua!

Aliás, de toda forma as ” políticas ambientais” brasileiras nunca levam em conta o somatório dsa fontes de poluição no momento do licenciamente de uma atividade.  Com a mineração fazendo a lambança sem controle, virá o trâfego de milhares de carretas e o trem que, igualmente sem regras para evitar o arraste do pé de minério, já demonstrou os estragos que faz em pouco tempo nas praias de Mangaratiba, no Rio de Janeiro.

Curiosamente, a mineração não paga os mesmos royalties que o petróleo ou mesmo que as áreas de alagamento dos municípios onde se instalam hidrelétricas e seus reservatórios.  E o Brasil projetando ampliar portos para exportar mais minério bruto ou com baixíssimo índice de processamento (ferro gusa ou, melhor dizendo, minério cozido).

 E, havendo aumento indireto de arrecadação, as últimas prioridades são educação e saúde pública de boa qualidade.  De fato, resssalta a reportagem, “na expectativa de atender a demanda crescente, os prefeitos programam investimentos. Surge, contudo, entre as prioridades, a construção de novas prefeituras. ‘O novo centro administrativo será o cerne de tudo’ – disse o prefeito de Jeceaba, Júlio César Reis (PT). A prefeitura teve um grande acréscimo de arrecadação nos dois últimos anos, em função do pagamento de ISS pelas empreiteiras que fizeram as obras de construção civil da siderúrgica da VSB.” (os grifos são nossos)

Para atender a esse grande afluxo, que inclui não apenas população, mas dezenas de carretas passando pela rodovia e composições ferroviárias na metade do tempo atual abarrotadas de minério, todo o esforço das prefeituras será pouco, de acordo com Cabido. ‘Temos várias parcerias com o setor privado e com os governos do Estado e federal, mas nada que se aproxime da realidade que se avizinha. Seriam necessário R$ 3,5 bilhões em investimentos, sobretudo em logística de transporte e habitação. Não há esse dinheiro’, disse.”

Como de hábito, privatizam-se os lucros e socializam-se os custos e prejuízos.  Inclusive os danos ambientais, “efetivos e potenciais” – como consta da lei (ah, a lei cheia de conceitos abstratos).

O Código Florestal – Do Brasil para o Mundo (ou Quando Só a Ironia Faz Sentido)

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No momento em que “personalidades” estrangeiras iniciam em Manaus uma reunião sobre como proteger a Amazônia, fale a transcrição da excelente – mas sensata – ironia de Rogerio Arioli, agrônomo e produtor rural.  Por que não propor que todos eles façam o mesmo em seus países?

 

Por Rogério Arioli, engenheiro agrônomo e produtor rural

 Durante algum tempo esteve em manchete uma notícia causadora de imensa indignação por parte dos brasileiros: a Internacionalização da Amazônia.  

Anunciada pelos representantes dos países ricos, nesta proposta, a Amazônia brasileira seria administrada por órgãos internacionais, ou seja, o país perderia a autonomia sobre seu território.  Chegaram a circular pela internet gravuras onde a Amazônia já não aparecia no mapa brasileiro.  Na verdade este processo já vem ocorrendo de forma sistemática, basta que se atente para o mapa brasileiro onde apareçam as reservas indígenas, parques nacionais e áreas de proteção ambiental que foram criadas, estrategicamente, em toda a fronteira norte do país.  

A ação de ONGs internacionais associadas a setores radicais do governo foi extremamente eficiente em modificar o mapa brasileiro e hoje se pode levar esta triste notícia aos brasileiros menos desavisados: O Brasil JÁ perdeu a autonomia de grande parte do seu território, principalmente no que se refere ao bioma amazônico.

Não deixa de ser um ato extremamente nobre que os brasileiros assumam a disposição de abrir mão do uso de suas riquezas para que se tenha a garantia futura de oferecer um planeta mais sustentável às próximas gerações. Do alto da autoridade moral que este fato deveria proporcionar, associado ao fato da manutenção de 60% do seu território preservado, o Brasil estaria cacifado a exigir uma contrapartida daqueles países que desfrutaram das riquezas de seus próprios territórios e até mesmo das riquezas de outrem.

Talvez conviesse lembrar aqui toda sangria sofrida pelos territórios brasileiro e latino americano quando da apropriação de suas riquezas pelo processo exploratório empreendido pelas potências econômicas dos últimos cinco séculos. O processo em curso, portanto, não encerra nenhuma novidade.

Todavia, acredito ter chegado a hora de exigirmos também compromissos futuros de todos aqueles que insistem em jogar toda a responsabilidade dos desequilíbrios ambientais no colo brasileiro.  E poderíamos começar com uma proposta muito simples: A internacionalização do Código Florestal Brasileiro. Isto poderia ser realizado através da criação de uma organização internacional do meio ambiente, a exemplo das já existentes OMC (Organização Mundial do Comércio) e OIT (Organização Internacional do Trabalho). Independente de qual seja o modelo de Código Florestal a ser aprovado nos próximos dias acredito possuirmos autoridade moral para exigir que o mesmo seja adotado também por outros países. Até porque já se trata de matéria internacional e, pelo que se sabe muitos países ainda não possuem seus próprios códigos. Além disso, já se trata de assunto “além-fronteiras”, pois as mudanças no Código Ambiental Brasileiro têm sido alvo de notícias em inúmeros órgãos da imprensa internacional.  Só para citar alguns: Jornal Le Monde (francês), The Guardian e The Times (ingleses), El País (espanhol) e The New York Times (americano), além de milhares de sites e canais de TV neste mundo globalizadíssimo em que vivemos.

Tenho plena convicção de que nesta empreitada teremos o apoio irrestrito de todas as centenas de Organizações Não Governamentais atuantes em solo brasileiro, mesmo porque a maioria delas tem sua matriz em países europeus e certamente possuirá um enorme interesse em exportar este modelo preservacionista tupiniquim. 

O Brasil terá desta forma, prestado um grande serviço à humanidade. Imaginemos se os outros países estiverem dispostos, assim como nós estamos, em abrir mão da exploração de 80% de parte do seu território, como no caso do bioma amazônico. Ou mesmo de 35% no caso do bioma cerrado. Também seria um ganho ambiental imenso se muitos países que já modificaram sua paisagem original demonstrassem a grandeza de reflorestar grande parte do seu próprio território.

Portanto, mãos à obra! Não percamos mais tempo. Vamos juntos defender esta idéia extremamente simples e consensual, pois todos estamos preocupados com o meio ambiente e o futuro do planeta. Teremos mais um produto de exportação: o modelo preservacionista brasileiro.  É chegada a hora de lutarmos pela internacionalização do Código Florestal Brasileiro.

www.noticiasgricolas.com.br

Casas Flutuantes – Uma Alternativa Habitacional Sustentável para a Amazônia

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“No Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número deNo Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número de casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores. casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores.”

O trecho acima foi extraído da excelente monografia de autoria de Nadja Irina Cernov de Oliveira Siqueira, apresentada como trabalho final de gradução em Arquitetura e Urbanismo na Faculdade Interamericana de Porto Velho.

Aqui, já se publicou um artigo sobre a rápida disseminação de casas flutuantes na Holanda, não apenas pela tradição desse país como, também, pelas perspectivas de elevação do nível dos oceanos (e a Holanda vem fazendo investimentos massivos nas proteções de seu território para esse evento).

No Brasil, as casss flutuantes e também sobre palafitas são uma tradição da Amazônia, onde o principal meio de transporte é fluvial e há séculos os habitantes conhecem os ciclos de cheias e vazantes.  Nos períodos de vazente, a edificação de casas comuns, em terreno permanentemente seco, os faria ficar muito distante da água, que lhes fornece também a sua principal fonte de proteínas.  Assim, adaptaram-se de maneira notável.

Como os “ambientalistas” de fora – ou de Brasília – vêem a Amazônia como um território sem seres humanos, enredam-se na tentativa de adaptar as suas regras sobre áreas de preservação permante nas faixas marginais de proteção que sejam aplicáveis a todo o território nacional.  E assim, tentam permitir o uso das vastas áreas de alagamento enriquecidas palo húmes para a continuidade do cultivo de alimentos nos períodos de vazante.  E ainda tentam fazer isso por mera Resolução do Cnselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, passando por cima dos disposiivos legais do Código Florestal inaplicável como regra genérica para um país de dimensões continentais.

Nadja Irina, com a sabedoria da população local, ignorou ou apenas tangenciou de forma indierta esse debate estéril, demonstrando que casas flutuantes são e podem ser muito mais uma alternativa saudável para o problema habitacional da região. 

O excelente monografia, intitulada Casa Vitória Régia: Habitações Populares, Flutuantes e Sustentáveis, pode ser feita aqui.

Sempre há alguma esperança que o Governo (federal ou dos estados) desperte e dê continuidade a esse lindíssimo trabalho.

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Não deixa de ser divertido ler que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBBse posiciona contra a revisão do Código Florestal sem quaisquer explicações enquanto a Comissão Pastoral da Terra – CPT posiciona-se em defesa da cultura e das tradições das populações ribeirinhas.  Na linda da CNBB será necessário remover um imenso número de pequenos lavradores das margens do Rio São Francisco.  Será que eles pensaram nisso?

Altitudes, Belezas, e Asneiras do Código Florestal Brasileiro

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Aquilo que as ONGs auto-denominadas ambientalistas designam como a lei ambiental mais moderna do mundo contem indícios de um pensamento desatinado que imobiliza grandes áreas do território brasileiro.  Não se trata dos CONCEITOS, como a necessidade de assegurar a preservação de matas ciliares onde necessárias e possíveis, compatibilizando-as ao máxmo com as imprescindíveis intervenções humanas onde possível, dependendo do interesse social.  Da mesma forma, o CONCEITO de que há que se evitar as construções e até a produção agrícola em encostas sujeitas a deslizamentos é útil como diretriz, ainda que a lei não tenha aplicabilidade ou utilidade quando obras de contenção forem possíveis e necessárias.

Aqui, já foram mostrados terraceamentos milenares para a produção de arroz em amplas regiões da Ásia que não resultaram em deslizamentos de encostas ou prejuízos à recarga dos aquíferos subterrâneos.  Também já foram mostradas cidades situadas em altitudes muito superiores a 1.800 metros em relação ao nível do mer, que nos termos do Código Florestal brasileiro não poderiam e, por alguma razão mágica, não deveriam estar lá.

Agora, como alertou Ciro Siqueira em seu excelente blog www.codigoflorestal.com, essas ONGs aliam-se a grandes produtores de desertos verdes – a agroindútria madeireira.  Essa indústria que desloca a fronteira da produção de alimentos, que tem condições de comprar reservas legais em áreas que em nada contribuem para a proteção da biodiversidade das vastas áreas por elas utilizadas e degradadas, que nunca fizeram qualquer monitoramento dos impactos das plantations de eucalipto nos aquíferos subterrâneos que regulam a vazão dos rios e os tornam perenes, etc.

As ONGs aliadas às madeireiras e que foram duramente combatidas por Augusto Ruschi, cuja memória as ONGs preferem esqucer ou vilipendiar (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Ruschi, não prestam qualquer homenagem àquele que que certa vez declarou que “podem voltar diretamente para o Palácio e avisem ao governador que ou ele muda de idéia, ou amanhã cedo eu vou lá matar ele pessoalmente, no Palácio.”

Dentre os artigos do Código Florestal intencionalmente sonegados do debate está, como dito acima, a transformação de qualquer área do território brasileiro acima de 1.800 metros em áreas de preservação permanente.

Para evitar o faz-de-conta-de-debate por elas propostas, vale olhar a beleza de algumas cidades milenares e outras, coloniais, lindíssimas, que devem ser demolidas nos termos do arqui-arcaico Código Florestal brasileiro.

Cusco, no Peru, encontra-se a 3.300 metros de altitude!  Machu Pichu “capital” ou centro de pesquisas agrícolas da esplendorosa civilização inca, fenomenal, com terraceamentos de todos os tamanhos nas encostas mais íngremes, está a 2.400 metros de altitude.  Lindíssimos legados da presença humana que tanto incomoda aos ambientalistas de ocasião.

Vale dizer, também, que a Cidade do México tem áreas desde 2.240 até 3.700 metros de altitude.  E Tenochtitlan, capital do império Asteca, encontra-se (no presente, porque as suas imponentes edificações ainda lá estão) a 2.240 metros de altitude.

Em qualquer caso, para trazer a luz às mentes que a desejam, aceitam ou pelo menos toleram, nada melhor do que contemplar Cusco e Machu Pichu.

A “Bagulheira” Que Vem da China e Outros “Detalhes” da Segurança Alimentar e das Políticas de Mudanças Climáticas

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Há dias,  a presidente Dilma declarou que “o Brasil é exportador de commodities para a China, mas importa muita bagulheira (sic).  Noves fora o palavreado chulo, não muito adequado ao cargo – ao menos em declarações públicas – e ainda menos às relações exteriores, a dúvida é se ela não sabia o que estava dizendo ou se estava jogando para a arquibancada.

Essa frase foi dita poucos dias antes do anúncio de que a China desbancou os EUA como maior potência industrial do mundo.  A produção de manufaturas da China representou 19,8% dos produtos industriais do mundo, contra 19,4% dos EUA.  Nada mal.

No caso das relações comerciais entre o Brssil e a China, alguns fatos e números são melhores para colocar as coisas em perspectiva adequada.

Em maio de 2010, a estatal chinesa State Grid anunciou a compra de sete concessionárias de transmissão de energia elétrica por R$ 3,1 bilhões: Ribeirão Preto, Paracatu, Poços de Caldas, Itumbiara e Serra da Mesa, além de 75% da Expansión Transmissão de Energia Elétrica, que opera no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, e da Expansión Tansmissão Itumbiara Marimbondo.  Nada mal para uma primeira entrada no setor elétrico brasileiro.  No caso, a bagulheira é capital e tecnologia que permite a redução significativa das perdas na transmissão de eletricidade em longas distâncias.

No Brasil, essas linhas de transmissão operam no máximo em corrente contínua de 600 KV, enquanto a China é o único país a deter tecnologia que permite alcançar um padrão de 1.000 KV, muito mais eficientes nas transmissões a distâncias de até 2.000 km.

Em outubro, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Nelson Hubner, viajou para Pequim e constatou que uma linha de transmissão chinesa consegue substituir quatro linhas similares convencionais com a tecnologia utilizada no Brasil. Nelson Hubner reconheceu que a adoção dessas novas tecnologias possibilitá aos chineses um mais rápido retorno sobre o capital investido.

Para evitar o usual lero-lero sobre a transferência de tecnologia – como se fosse possível transplantar cérebros -, os chineses preferiram liquidar a dívida quea as concessionárias que compraram tinham com o BNDES.

A State Grid cobre 88% do território chinês e é a maior empresa de transmissão e distribuição de energia do mundo, com faturamento de US$ 164 bilhões em 2008. Com 1,5 milhão de empregados, a estatal é a 15º maior companhia do planeta de acordo com o ranking da revista Fortune.

Na área de energia, o Brasil também anda buscando tecnologia chinesa para os chamados smart-grids (linhas de transmissão inteligentes), iluminação de alta eficiência energética – LED, energia eólica e outras.

Até então, os chineses haviam concentrado os seus investimentos no Brasil nas áreas de petróleo, mineração e de siderurgia.   De fato, em 2009 o Banco de Desenvolvimento da China fez um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras tendo como garantia a entrega de petróleo por um período de 10 anos.

Poucos meses depois da aquisição das empresas de transmissão de eletricidade, entraram na produção de soja em Goiás e na Bahia.

Em novembro de 2010, o governo de Goiás assinou com o governo chinês um termo de cooperação prevendo investimentos de até US$ 7,5 bilhões para expandir a produção de soja do estado em pelo menos 6 milhões de toneladas.  Em fevereiro de 2011, a estatal chinesa Chongging Grain Group anunciou investimentos de US$ 900 milhões para a produção e a industrialização de soja na Bahia.  Em entrevista ao canal de televisão estatal da China, o prefeito de Chongging – isso mesmo, o prefeito de um município com 32 milhões de habitantes, situado a 2.000 km de Pequim – declarou:  “assim teremos disponíveis 200 mil hectares de terra” (ainda não comprando a terra, ao controlar o beneficiamento e a comercialização da soja, controla-se a produção e os preços).   Eles definem, com iniciativas desse tipo, uma política de segurança alimentar.

Já aqui, se toda a região do noroeste da Bahia for transformada numa grande “plantation” de soja, sem qualquer cuidado com a segurança alimentar da população local, essa população terá a opção de mudar-se para a periferia das grandes cidades ou de comprar comida mais cara vinda de locais distantes.

Esses são alguns exemplos da bagulheira que a China anda exportando para o Brasil: capital e tecnologia.  Há outros, como a aquisição de composições de trens feitas há cerca de dois anos pelo governador Sergio Cabral há cerca de 2 anos para a Supervia – que deverão chegar em breve, para a alegria da Odebrecht, que comprou a concessão e assim poderá receber créditos pela melhoria da operação desse sistema de transporte de massa.  Vale dizer, os trens chineses adquiridos pelo governo do Rio de Janeiro consomem apenas uma fração da eletricidade dos que ainda se encontram em operação.   O Rio de Janeiro já teve uma pujanta fábrica de vagões ferroviários.

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Aqui, falando na soja e outras commodities agrícolas que o Brasil exporta sob o controle de grandes grupos de comercialização estrangeiros, vale dizer que a “política de segurança alimentar” do Brasil se restringe à bolsa-família.  Vale dar uma espiada no que está acontecendo com a pegada carbônica – e o preço – dos alimentos de consumo dos brasileiros em decorrência desse modelo… ou falta de modelo.  Basta olhar para a imagem publicada no ano passado numa reportagem de um jornal de São Paulo, na qual são mostrados apenas aqueles alimentos de consumo diário da maior parte da população (o famoso PF, sigla popular para o prato-feito).

A Hora da Onça Beber Água (Logo Virá a Hora da Cobra Fumar e da Porca Torcer o Rabo)

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Imagino que antes da concessão das licenças ambientais adequadas para a construção da hidrelétrica de Jirau   tenham sido elaborados estudos os mais adequados sobre as consequências e impactos ambientais do empreendimento para a fauna, a flora, o bioma, o genoma, o futuro da micro flora, etc…

Devem ter sido ouvidos, calculando no barato,  uns 17 organismos, que tudo aprovaram e acharam correto, lógico, legal e perfeito.  Daí foi tudo carimbado por uns 28 servidores, encaminhado a outros tantos , sendo tudo processado com métodos semelhantes do antigo Testamento, inclusive com firmas reconhecidas e declarações de próprio punho, expedidos os Alvarás e afinal   adequadamente arquivados .

Concedida a licença e iniciada a construção, parece que não foram levadas em  conta, a opinião  das onças de Rondônia que,  imbuídas  de  espírito de porco (e não de onça) se recusam a  cumprir o EIA e a obedecer às determinações contidas nos alvarás .  De fato, embora haja muita água no local (pudera, um lago gigantesco) as onças não tem mais animais silvestres para predar e comer, embora possam beber.  As moto serras federais estão liquidando a floresta.

Em consequência, os bichanos (pardos e vermelhos), de forma inteiramente subversiva, não conhecendo (nem querendo obedecer)  as  autoridades constituidas,  sairam em passeata de protesto e tomaram o rumo da Capital do Estado, passando a comer os carneiros e galinhas dos criadores de gado da região.

Os fazendeiros criadores, de forma pouco poética e nada  ambientalista, mas comportando-se como meros capitalistas (algo que no Brasil virou xingamento, apesar da mal contida admiração quando eles pagam “compensações ambientais” que depois somem), querem exterminar as onças por envenamento. Preocupado com as medidas retaliatórias dos fazendeiros, o governo mandou dizer que paga os bichos comidos pelas onças.

 Os criadores  responderam que não adianta, pois as onças podem comer os filhos dos empregados (por que diabo as onças preferem os filhos dos empregados?) e a vida das crianças não tem preço.

Acontece que para pagar o vale  refeição das onças, o governo federal exige a formação de um outro processo (mais um), contendo  fotografia 3×4 do fazendeiro, fotos das galinhas e carneiros mortos,  e um requerimento descrevendo como o ataque ocorreu, o dia e a hora etc…,  precedido de depósito da taxa de expediente, recolhida após fila no Banco do Brasil.              

Ainda não se pede o retrato da onça mas, tão logo seja possível, um analista ambiental federal irá ao local do ataque, para definir se o ataque foi mesmo de onça, ou quem sabe do ” chupa cabras “!  Depois se verá se existe a verba na previsão orçamentária, e se fará o devido “empenho”, para que não ocorram ” restos ” ( dos carneiros ) a pagar.

A moçada empresarial não que saber de nada e não tem tempo para ficar na fila!  De forma que já está comprando chumbinho para envenenar as onças subversivas que se recusam a cumprir com as “condicionantes” das licenças ambientais.

Sabe-se com certeza, que as onças não vão comer os servidores que autorizaram o projeto e menos ainda os fazendeiros. Quanto aos empregados e seus filhos, não se tem tanta certeza.

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O burocrata de Brasília pensa, hoje em dia, como os velhos donatários de feudos em Portugal pensavam.  Pensam que o mando deva  ser exercido à distância.  De forma que estão convencidos, que a distância entre Brasília e Porto Alegre, ou Brasília e Belém  ou  Manaus, ou Rondônia ( que é de horas e horas de vôo em aviões  a jato )  é a mesma  distância que separa Lisboa do Porto, do Algarve, de Coimbra ou de Évora  (que é de duas horas de trem medíocre )!!!  Duzentos anos de modernidade depois  , ainda querem repetir o mesmo padrão azinhavrado, com pátina do tempo e da mesma forma vetusta utilizado em Portugal de Dom João V.

Obama, Derrotado pelo Congresso dos EUA, Pretende “Comprar” a Amazônia?

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Nesta quinta-feira, 10 de março de 2011, os republicanos passarão o trator na proposta de Obama e dos democratas de estabelecer regras para a redução de gases causadores de mudanças climáticas.  De acordo com a proposta republicana, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em ingles) fica simplesmente proibida de regulamentar a emissão de CO e mesmo o estabelecimento de metas de eficiência para os veículos automotores (emissões por quilometragem) não poderá mais ser feito a partir de 2016.

Os EUA disputam com a China a liderança nas emissões globais desses gases, e em matéria de emissões per capita estão sem dúvida na liderança absoluta (as emissões per capita são certamente um melhor indicar da “pegada carbônica” dos cidadãos de um país).  Como se não bastasse, é crescente a exportação de carvão para as usinas térmicas que impulsionam a economia chinesa para exportar mais para os EUA e para o mundo.  À conta de quem devem ser lançadas essas emissões: do país de origem ou do país de destino dos bens produzidos?

A vantagem do Congresso norte-americano é que não há essa tentativa tão brasileira de ficar no meio do caminho.  Os republicanos, tradicionais defensores (ou empregadinhos, dependendo do congressista e do ponto de vista) da indústria petrolífera, simplesmente negam a existência de mudanças climáticas causadas ou aceleradas pelas atividades humanas.  Não importa o que diga a NASA ou qualquer outra instituição científica do próprio país.   Danem-se as evidências e os cientistas.

Jay Inslee, um democrata de Washington, já desanimado diante da derrota certeira, comentou que nem mesmo que Copérnico, Galileo, Newton e Einstein testemunhassem perante o Congresso os republicanos aceitariam a ciência.

Derrotado no Congresso norte-americano e querendo dar um exemplo de que apesar disso fará alguma coisa, não será uma surpresa se na agenda dos encontros de Obama com Dilma surgir algum dinheiro para a proteção das florestas amazônicas.  Na tradição norte-americana, comprar consciências (baratinhas) e políticas públicas em outros países não é corrupção.  Para ficar bem na fita em casa, tudo; para eliminar a pobreza dos tais “povos da floresta” – sem saneamento, sem acesso à educação e à saúde primária -, nada.

Além de abrir uma janela para que Obama fique bem na fita com os seus eleitores, esse gesto permitiria atender à crescente demanda do agro-negócio norte-americano: deter a crescente competitividade dos produtos brasileiros.  E ele não vão dizer que cerca de 45% da Amazônia já estão legamente protegidos sob a forma de terras indígenas e unidades de conservação, como demonstrou a EMBRAPA – Monitoramente por Satélites.

Uma organização (ONG) financiada por grandes produtores de soja, carne e madeira norte-americanos divulgou, há algum tempo, estudo demonstrando que deter a expansão da fronteira agricola em países como o Brasil – ou principalmente no Brasil – resultaria em benefícios diretos para o agro-negócio norte-americano: um aumento de receita entre US$ 190 bilhões e US$ 270 bilhões entre 2012 e 2030, aí incluídos um aumento direto da receita dos setores de soja, carne, madeira e óleos vegetais na faixa de US$ 141 bilhões a US$ 221 bilhões.

O relatório, em inglês (é claro, eles não seriam inocentos a ponto de disponibilizá-lo em portugues) pode ser lido aqui, em como como o agro-negócio brasileiro prentede ganhar muito dinheiro “salvando o planeta”.  Os principais números encontram-se logo no início do estudo, na página 7.

Evidentemente, ninguém de bom senso acredita que essa canalha esteja efetivamente interessada em mudanças climáticas, já que em momento nenhum mobilizou-se para defender as propostas de Obama para reduzir as emissões de carbono em seu próprio país.   Além disso, nenhum deles – e nem as ONGs por eles financiadas para atuar no Brasil – defende a constituição de reservas legais ou de áreas de preservação permanente lá.  O mote é: florestas lá, fazendas aqui!

As mudanças climáticas, prevêem os cientistas, transformarão as florestas amazônicas numa vegetação do tipo savana com ou sem a reserva legal e o inútil Código Florestal brasileiro, sem similar no mercado mundial.

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O Greenpeace ainda não se pronunciou sobre essa votação decisiva no Congresso norte-americano.  Lá, eles não se atrevem a fazer lobby.

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Visitar a ultra-cínica página dos grandes produtores rurais norte-americanos na internet em http://adpartners.org é sempre bom, até para ver como financiam ONGs “ambientalistas” com forte presença no Brasil.  Recomenda-se à Confederação Nacional da Indústria – CNA e à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG a tradução e a disponibilização do relatório para os brasileiros em geral, e em particular para os membros do Congresso Nacional e das cooperativas de produtores rurais.

Jardins Botânicos – Monumentos de Amor à Natureza (Sem APPs)

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Um merecido intervalo na usual avalanche de tolices proclamadas pelos Zambientalistas do Sétimo Dia sobre o Código Ambiental brasiliero: imagens do Jardim Botânico de Barcelona.  Lá, como no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e em todos os outros do mundo, não há faixas marginais de proteção e nem áreas de preservação permanente estabelecidas em lei federal como regra pretensamente “de ouro” válida em qualquer lugar.  As margens dos riachos são contidas com estruturas de pedra de mão e de concreto, e ninguém é otário a ponto de achar que uma largura fixa de 30 metros (mínima) é útil para conter a erosão ou para determinar que essa faixa seja replantada com espécies nativas.