Casas Flutuantes – Uma Alternativa Habitacional Sustentável para a Amazônia

“No Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número deNo Brasil, observamos casas flutuantes nos rios amazônicos. São, na verdade, juntamente com as palafitas, a solução perfeita para o clima e o relevo da região norte. A floresta é densa, com árvores altas, o que já impõe uma barreira quase intransponível para o homem desprovido de tecnologia, como é o caso da população primordial não-indigena. Em Manuas/AM, o grande número de casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores. casas flutuantes levou a população a adotar o nome de “cidade flutuante”, mas foram destruídas para promover uma “limpeza”. Uma das características destas casas na região norte é justamente a falta de higiene: a água não é tratada e o esgoto é despejado in natura na água, assim como o lixo descartado pelos moradores.”

O trecho acima foi extraído da excelente monografia de autoria de Nadja Irina Cernov de Oliveira Siqueira, apresentada como trabalho final de gradução em Arquitetura e Urbanismo na Faculdade Interamericana de Porto Velho.

Aqui, já se publicou um artigo sobre a rápida disseminação de casas flutuantes na Holanda, não apenas pela tradição desse país como, também, pelas perspectivas de elevação do nível dos oceanos (e a Holanda vem fazendo investimentos massivos nas proteções de seu território para esse evento).

No Brasil, as casss flutuantes e também sobre palafitas são uma tradição da Amazônia, onde o principal meio de transporte é fluvial e há séculos os habitantes conhecem os ciclos de cheias e vazantes.  Nos períodos de vazente, a edificação de casas comuns, em terreno permanentemente seco, os faria ficar muito distante da água, que lhes fornece também a sua principal fonte de proteínas.  Assim, adaptaram-se de maneira notável.

Como os “ambientalistas” de fora – ou de Brasília – vêem a Amazônia como um território sem seres humanos, enredam-se na tentativa de adaptar as suas regras sobre áreas de preservação permante nas faixas marginais de proteção que sejam aplicáveis a todo o território nacional.  E assim, tentam permitir o uso das vastas áreas de alagamento enriquecidas palo húmes para a continuidade do cultivo de alimentos nos períodos de vazante.  E ainda tentam fazer isso por mera Resolução do Cnselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, passando por cima dos disposiivos legais do Código Florestal inaplicável como regra genérica para um país de dimensões continentais.

Nadja Irina, com a sabedoria da população local, ignorou ou apenas tangenciou de forma indierta esse debate estéril, demonstrando que casas flutuantes são e podem ser muito mais uma alternativa saudável para o problema habitacional da região. 

O excelente monografia, intitulada Casa Vitória Régia: Habitações Populares, Flutuantes e Sustentáveis, pode ser feita aqui.

Sempre há alguma esperança que o Governo (federal ou dos estados) desperte e dê continuidade a esse lindíssimo trabalho.

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Não deixa de ser divertido ler que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBBse posiciona contra a revisão do Código Florestal sem quaisquer explicações enquanto a Comissão Pastoral da Terra – CPT posiciona-se em defesa da cultura e das tradições das populações ribeirinhas.  Na linda da CNBB será necessário remover um imenso número de pequenos lavradores das margens do Rio São Francisco.  Será que eles pensaram nisso?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

16 comentários sobre “Casas Flutuantes – Uma Alternativa Habitacional Sustentável para a Amazônia”

  1. O problema das casas flutuantes é o esgoto lançado sobre as águas, quando prega-se a manutenção das águas limpas, sem poluição,isso seria um paradoxo.

  2. O seu comentário não procede. É possível tratar os esgotos de uma única embarcação como de um transatlântico de turismo com maior eficiência do que a alcançada na maior parte das estações de tratamento terrestres do Brasil. Além disso, se voce buscar o artigo sobre as casas flutuantes na Holanda, poderá ver o quanto é fácil interligá-as a uma estação de tratamento (como ao fornecimento de energia elétrica). O que realmente acaba com as águas limpas no Brasill é a esculhambação total das concessionárias de serviços públicos de esgotamento sanitário, com raras exceções.

  3. Não por acaso se trata dos Países Baixos: a Holanda está sempre procurando formas de lutar contra a ameaça das águas. Sua nova arma são as casa anfíbias.

    Durante séculos, os holandeses construíram diques para proteger-se do mar. Agora que se prevêem inundações mais freqüentes devido à mudança do clima mundial, resolveram aprender a conviver com o mar ao invés de mantê-lo à distância.

    Essa mudança de atitude reflete-se num novo projeto de casas em Maasbommel, a cerca de 100 quilômetros a oeste de Amsterdã. É uma comunidade de casas anfíbias.

    Ao contrário das casas flutuantes ancoradas nos canais holandeses, ou das aldeias flutuantes da Ásia, essas casas são construídas em terreno firme. Mas são projetadas para flutuar em caso de inundações. Elas foram fabricadas em madeira leve e com base de granito oca, o que permite a flutuação.

    Sem partes fixas de cimento, a estrutura está apenas depositada sobre o solo e ajustada a postes de 5 metros de altura com anéis deslizantes, o que permite que acompanhe a subida da água. Todos os cabos elétricos e os encanamentos de água e saneamento são feitos em tubos flexíveis e vão dentro dos postes de sustentação.

    As casas de 65 metros quadrados estão situadas do outro lado de um dique, em uma linda planície próxima de uma das principais vias aquáticas do país, o Rio Maas, de frente a um embarcadouro.

    As casas respondem também à outra necessidade aguda da Holanda: encontrar espaço para residências no país de maior densidade demográfica da Europa, observa Chris Zevenbergen, da empresa encarregada do projeto, a Dura Vermeer. Elas podem contribuir para a redução no déficit de 40% de terrenos aptos para o desenvolvimento urbano nos próximos 50 anos.

    A um preço inicial de 260.000 euros (R$ 938.600,00) para uma casa com três dormitórios pequenos, as moradias são caras para uma cidadezinha como Maasbommel. Mesmo assim, muitas unidades já foram vendidas e os novos proprietários preparam-se para ocupá-las.

    “Elas são como qualquer outra casa”, diz o construtor, Has van de Beek. “A única diferença é que, quando sobe a água, sobe a casa.”

    Por isso, durante períodos de subida das marés, os moradores precisarão de um bote para ir do dique, onde estacionam seus carros, até a casa.

    Durante mais de mil anos, os holandeses desenvolveram técnicas para conter o mar e ganhar terreno sobre ele. Os vertedouros de terra e as bombas de desaguar, movidas por moinhos, criaram áreas secas roubadas às águas, chamadas polders, onde se ergueram cidades, pastos e campos de cultivo. Se não fosse por seu sistema de diques e canais, hoje metade da Holanda já teria submergido.

    O país tem padecido de graves inundações na última década, especialmente em 1993 e 1995, que causaram danos de milhões de dólares. Em 1953, mais de 1.800 pessoas morreram durante uma inundação que é lembrada simplesmente como “o desastre”.

    Os cientistas advertem que o aquecimento global fará piorar a situação. O Painel de Mudanças Climáticas das Nações Unidas prevê que as chuvas, na Holanda, poderão aumentar até 25% e que o nível do mar subirá até 1,10 metro neste século.

    As informações são da Agência Estado

  4. Uma casa é o nosso porto seguro.Ela precisa ser de bases sólidas que nos dê segurança.Sendo flutuante, nos leva para longe do barulho…da poluição…evoca um espírito romântico.Mas, como nem tudo é um mar de rosas, como os humanofíbios podem se defender de bandidos aquáticos,caso se tornem presas fáceis quando lhes falta o chão firme? ( para correr,claro).

  5. Caro Sr. Luiz Prado, gostaria de saber quais as vantagens e desvantagens das casas flutuantes construidas sobre balsas de madeira. Através de comentários que ouvi e, que não sei se procede, existe a eliminação de gases das madeiras utilizadas nas balsas que podem ser prejudiciais a saúde dos moradores. Por favor me esclareça, pois preciso dessa informação.

    Desde já agradeço e aguardo um retorno.

    Att.

    Jáderson Mendes

  6. Prejuízos à saúde por emissão de gases de madeira só pode ser coisa de algum cretino. Não existe essa possibilidade.

    A “vantagem” das casas flutuantes é decisão das pessoas que escolhem morar nelas, seja na Amazônia ou na Holanda ou na Ásia.

  7. A monografia é clara, precisa, a 1ª com e pra práxis, e um conceito autonom.-ecolog.-baixo custo-sustentável, etc. À mestra me curvo em reverencia como forma cumprimento, meu avô tiraria o chapéu, ouso uma critica construtiva gostaria que se detivesse além da criação animal, a vegetal…uma estrutura de fazenda aquaponica na amazonia seria fácil e barata…dada a riqueza da água pelo ciclo natural de inundação… A maior admiração dá-se pelas qualidades da autora, sua humanidade, a tese proposta disponibilizou o conhecimento na internet de forma gratuita a quem busca o conhecimento e está cansado de encontrar propostas de cursos pagos de mestres “ong”anos de pensamento e técnicas xerocopiadas…ou de plumas e paetes com teses de pq o jacaré balança a cauda em movimento que vai e vem espantando moscas e mosquitos por instintos nervosos… Ampliou minha visão para o movimento waterpod e ilhas-flutuantes…um alento para o problema das enchentes e inundação… bem como para o de escasses ou auto custo da terra para populações de baixa renda em todo Brasil e global de fome e vivermos no planeta água. Com mais de 8milkm de costa além de recursos fluviais e lacustres…desculpe-me…a mestra me deixou alada.

  8. Sem os erros de concordancia, pontuação, “S” no lugar de “z”, etc… só o tamanho da resposta e esquecimento de elogiar o seu blog… Vou degustar com calma depois teclo. Muito obrigada!

  9. Que documentação é necessária para construir uma moradia flutuante?
    É difícil de conseguir licenciamento?

  10. Não creio que haja dificuldade, mas o assunto seria com a Capitania dos Portos e provavelmente ela pode ser caracterizada como uma embarcação!

  11. Gostei, muito. Estou fazendo um pré artigo científico e o meu tema justamento é esse. Sou de Brasilia-DF, estudante de arquitetura e urbanismo.

  12. Que bom. O excelente TCC da Nadja Cernov ainda se encontra disponível para download no artigo? Se não, posso enviá-lo. O tema é mesmo fascinante e, é claro, a Holanda está avançadíssima nessa área. Se você fala/lê inglês, abandone-me o .com.br e procure “floating houses the netherlands” ou “ductch floating houses.

O que você pensa a respeito?