Rio de Janeiro – Algumas Feiuras, Descasos, Arrogâncias….

A atual da administração municipal do Rio de Janeiro criou uma Secretaria de Ordem Pública – SEOP que até foi útil para retirar mendigos das ruas – para onde eles foram, ninguém sabe -, bem como afastar os camelôs de certas áreas.  Boa iniciativa.

Alguns grupos dentro da tal SEOP são, no entanto, bastante abusados.  E agem estranhamente.  Assim, por exemplo, aos domingos, fazem uma blitz mais ou menos rápída para rebocar veículos estacionados irregularmente na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, onde há uma linda feira.  Um dos pontos estranhos desse tipo de operação é que mesmo os proprietários chegando quando os veículos ainda estão sendo preparados para o reboque, eles não liberam os veículos mediante o pagamento da multa – ou mesmo do reboque.  Dizem alguns que isso é ilegal, já que não tem sentido rebocar um veículo cujo proprietário está presente e pode removê-lo do local onde encontra-se irregularmente estacionado.

Independente da legalidade e do bom senso, o mais divertido é que também os reboques estacionam de forma irregular enquanto se preparam para a tal operação, como se pode ver na fotografia abaixo (feita hoje, 1/5/2011, em torno das 11 da manhã).

Reboque da Secretaria da Ordem Pública estacionado sobre a calçada

Também é muito divertido nas operações feitas nesse local o fato de a poucos metros dali existir uma churrascaria onde, nesse mesmo horário, os funcionários já colocaram cones sobre as calçadas para reservá-las para o estacionamento de seus clientes.   Pouco depois, as calçadas em frente e na lateral da churrascaria estão lotadas de carros desses clientes, e os fregueses que assim desejarem podem simplesmente parar em frente e entregar a chave do veículo para o manobrista do estabelecimento.  Os guardas muncipais que realizam a operação com os reboques NUNCA SE INCOMODARAM com os carros dos clientes da churrascaria estacionados irregularmente do outro lado da rua.

A autoridade exacerbada, metódica e arrogante sabe com quem está falando.

Coisas para a SEOP estar atenta.

Outro evento “divertido” são as raves ou bailes funk que acontcem com frequência nas sextas e sábados num parque de diversões mal ajambrado chamado Terra Encantada, também na Barra da Tijuca.  Evidentemente, os organizadores da festa arranjaram um “laudo” de que o nivel de ruído não ultrapassava as normas municipais.  Diminuiram o volume do som durante o laudo e nunca mais se preocuparem com isso.  Muito próximo dali há um hospital público – o Lourençao Jorge.  Durante a lastimável “administração” Cesar Maia, comissões de médicos do hospital foram diversas vezes ao gabinete do prefeito e de seus assessores para pedir que as tais festas cessassem pelo enorme stress que causavam nos pacientes internados, inclusive na UTI.  Os esforços foram inúteis.  Depois, as festas cessaram durante alguns meses, mas voltaram, e ninguém mais tem ânimo para protestar.  Quem sabe a SEOP providencia um laudo independente, sem avisar antes os promotores das festas!  Ou coloca um registro contínuo de volume no hospital!

Talvez o Secretário da Ordem Pública possa fazer uma “visitinha” ao Hospital Lourença Jorge e conversar com os pacientes ali hospitalizados.  E, quem sabe, observar uma operação de reboque na Praça do Ó de dentro de um carro não oficial.  Atitudes simples…

Finalmente, entre as muitas belezas do Rio, o autor deste blog registrou recentemente uma outra: o lixo em frente ao prédio administrativo do governo do estado, na Nilo Peçanha, em plena luz do dia, e num dia de trabalho.  Nesse caso, não dá para dizer como faz de vez em quando o prefeito Eduardo Paes, que a população é mal educada.

É caso de ficar na dúvida: quem será que o “varreu”?  Os camelôs ou a prefeitura?  Porque o fato é que durante horas ninguém passou para fazer a coleta.

Tim-tim.  Na coleção de Geilberto Chateaubriand no Museu de Arte Moderna há uma tela  de autor contemporâneo – não anotei o nome – na qual pode-se ler: a recusa do conflito é um traço marcante da personalidade brasileira na busca de uma harmonia que acaba não ocorrendo.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?