Amazônia, Mudanças Climáticas e Código Florestal

Enquanto o Brasil perde tempo com o debate infindável sobre um “Código” Florestal inútil, absurdo, com traços de Ordenações Manoelinas, tem gente fazendo pesquisa séria, e não são as ONGs.

A “suspeitíssima” NASA acaba de divulgar uma análise dos impactos da seca de 2010 sobre as florestas amazônicas.

“Entre julho e setembro de 2010, uma seca severa atingiu a bacia Amazônica. O rio Negro, tributário do rio Amazonas, atingiu o seu mais baixo nível em 109 anos. E incêndios espontâneos foram de controle esparramaram fumaça nas áreas de seca. Mas como isso tudo afetou as árvores?”

Os cientistas – e não as ONGs – já observaram que um maior número de brotos de folhas de árvores ocorre durante os períodos de vazante. Talvez uma reação da vegetação à escassez de água. Mas a seca de 2005 matou árvores e reduziu esse crescimento em locais cuidadosamente monitorados. Com essas observações conflitantes, os cientistas têm um novo desafio: obter indicadores sobre o que acontece com essas florestas nos períodos de seca.

Uma análise mais apurada “permitirá estimar o que acontecerá em decorrência da aceleração das mudanças climáticas, quando os períodos de seca serão mais freqüentes e mais acentuados” – afima a NASA.

Há anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE entregou ao Governo brasileiro – e, em particular, à Marina Silva – um extenso relatório sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, indicando a tendência à transformação das florestas amazônicas em savanas.  Mas quem cuida de “política partidária” ou é “defensor da lei” não se importa nadinha com a opinião de cientistas, e o relatório foi para a gaveta.

Talvez, aí, haja necessidade do IBAMA intensificar a sua fiscalização e determinar que os proprietários façam o replantio das áreas atingidas por incêndios, e que o MP leve à prisão os proprietários que não forem bem sucedidos nessa empreitada.  Afinal, eles devem ser considerados os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas.  E que se danem, juntamente com a tal da realidade.   Que ela – a tal da realidade – adeque-se às leis!

A imagem abaixo mostra as áreas monitoradas pelos satélites da NASA depois de feitas as correções necessárias em decorrência da presença de nuvens e aerossóis.

Seca na Amazônia em 2010

Os pontos em tons vermelhos indicam os de maior redução da vegetação e da fotossíntese em relação às médias normais.

A NASA disponibiliza imagens e suas interpretações através de seu Observatório da Terra.  Com frequência, enchentes anormalmente duradouras e incêndios espontâneos até mesmo em áreas de pastagens podem ser vistas.  E uma newsletter encontra-se disponível para subscrição.

As imagens em vários graus de definição, o artigo e a bibligrafia – que certamente não são de interesse eleitoral dos Pallocis da vida – podem ser encontrados en  2010 Drought in the Amazon Forest.

A NASA também disponibiliza as imagens consolidadas de seus satélites superpostas à imagem Google Earth, para uma melhor localização das áreas afetadas e também para a melhor visualização daqueles que não “curtem muito” essa tal da realidade.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?