Código Florestal e Números Cabalísticos – Produção de Alimentos nas Encostas

Quando aqui se afirma que o conceito GENÉRICO de proteção integal das encostas é uma bobagem sob QUALQUER ótica, os ambientalistas ongueiros sempre tentam associar a ocupação de encostas a algum deslizamento ocorrido em áreas urbanizadas.  O  generalismo do Código Florestal – sem prazo ou flexibilidade para que sejam consideradas situações locais, características específicas da geomorfologia ou do tipo de uso que se pretende – não faz sentido e é de aplicação impossível, até porque continua sendo um conceito juridico indeterminado. 

No caso das encostas, por exemplo, o que fazer quando um trecho correspondente a 1/5 de uma encosta tiver declive superior a 45 graus e no restante tiver declives inferiores?  Se bobear, o CONAMA mete a mão na cumbuca novamente e estabelece que tem que haver uma área de proteção do entorno dos 3 metros da encosta cujo declive é superior a 45 graus e a utilização da área volta ao limbo em que essa turma meteu o país depois que resolveu que regulamentar o morro e o topo do morro, sempre com números cabalísticos.

A substituição de regras cabalísticas – para utilizar a expressão de Feranando Gabeira, a quem ninguém pode acusar de “ruralista” – por diretrizes seria uma iniciativa mais sensata.  Mas os ambientalistas gostam mesmo é do tapetão do Planalto e encobrem a sua falta de conhecimento com a noção de que se adaptações locais forem permitidas aos entes federativos tudo se transformará numa grande bagunça – como se a existência do Código tenha impedido a grande bagunça em que a antiquada e abúlica gestão ambiental do Brasil se tornou.

Para evitar explicações técnicas sempre rebatidas com abstrações, vale ver imagens de situações reais de ocupação de encostas por práticas agrícola totalmente sustentáveis na Ásia.

Na China, imagens de apenas uma de muitas áreas de terraceamento para a produção de arroz: a Espinha Dorsal do Dragão, na Província de Lonji.

Nas Filipinas, uma área de 20.000 quilômetros quadrados (se incluídas áreas terraceadas contíguas) já considerada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO: em  Banaue e províncias vizinhas encontram-se terraceamentos feitos há cerca de 2.000 anos, e que se encontram numa altitude média de 1.500 metros.  Aí se cultivam arroz e vegetais, sem indícios de problemas de erosão e com grandes cuidados na proteção das nascentes.

http://www.youtube.com/watch?v=FstpKez2o1c&feature=related

Em Bali, se a delegação brasileira tivesse saído dos luxuosos hotéis da capital onde foram a conferências internacionais sobre o meio ambiente para passear no interior, nas montanhas, teria pelo menos visto o que se faz nas encostas em Tegallalang ou noas cercanias de Ubud, bem mais famosa por seu Tempor dos Macacos.

Divirtam-se!  Sabendo que não há normas genéricas rígidas para a natureza.

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A produção de olivas na Itália e em outros países da região também não é proibida nas encostas mais íngremes, como se vê na imagem abaixo.  Eles devem nos achar um tanto ridículos por aceitarmos o engessamento cabalístico de nosso território: é o novo Sebastianismo ambientalista sob a forma de um Código Florestal apenas ligeiramente atualizado para se amoldar à realidade da produção agrícola brasileira.

Plantação centenária de olveiras na costa da Itália

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Código Florestal e Números Cabalísticos – Produção de Alimentos nas Encostas”

  1. Caro Luiz, quem disse que só o código florestal tem números cabalísticos?

O que você pensa a respeito?