Mudanças Climáticas – Aumentam as Emissões de Carbono

A possibilidade de conter as emissões de carbono nos limites considerados seguros pelos cientistas para que não seja ultrapassada uma elevação de 2º C nas temperaturas da Terra pode ser apenas uma “bonita utopia” – na expressão do economista-chefe da Agência Internacional de Energia.  Há unanimidade na comunidade científica internacional de que a mencionada elevação de 2º C é o limite para mudanças climáticas “potencialmente perigosas” (a turma do IPCC gosta do dialeto diplomático; a NASA é mais contundente, não precisa de tantos salamaleques).

Em 2010, apesar da mais forte recessão econômica global dos últimos 80 anos, as emissões alcançaram um recorde histórico de crescimento.  Investimentos massivos em energias renováveis tampouco foram suficientes para conter o crescimento contínuo das emissões globais de carbono.  Esse crescimento resultou sobretudo do aumento do consumo de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional de Energia, considerada a referência internacional para as estimativas de emissões de carbono.  O crescimento foi de 1,6 Gt (giga-toneladas).

Nos relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que o governo brasileiro deveria ler, com essa elevação as chances de amplas áreas da Amazônai se transformarem em savana são significativas.  O efeito será de lá para cá.

O renomado Nicholas Stern, ex-vice-presidente do Banco Mundial e hoje professor da London School of Economics, que coordenou o mais aprofundado estudo sobre os impactos das mudanças climáticas para a economia e para a sociedade, afirmou que as perspectivas são “desesperadoras” (ou mesmo horrorosas, dependendo da tradução da palavra “dire”).  O eatudo, conhecido como  O relatório resultante do trabalho de dezenas de cientistas com diferentes formações foi patrocinado pelo Tesouro da Inglaterra e, publicado em 2006, ficou conhecido como Relatório Stern.  No mínimo o Sumário Executivo é de leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.

“As mudanças climáticas levarão a migrações massivas e a conflitos”  afirmou Stern.  Com isso, é bem fácil compreender porque a Europa está fechando cada vez mais as suas fronteiras.

Com esses novos resultados e as tendências que dele se deduzem, as mudanças climáticas serão inevitáveis e resultarão em graves abalos no modo de vida de centenas de milhões de pessoas.

Já é devida à Nação brasileira a formulação de uma política de segurança alimentar e energética com base no potencial de cada região.  E os governos estaduais não precisam esperar pelos dinossauros do governo federal para fazerem isso.

Fatih Birol, economista-chefe (ou principal) da Agência Internacional de Energia, disse que além dessas más notícias, 80% das novas plantas de geração de energia que estarão em operação em 2020 serão térmicas que utilizam energia fóssil, já em operação ou em fase de implantação.  Elas não serão desativadas até 2020, e em conseqüência “as reduções das emissões terão que ocorrer em outros setores”.

Entrevistado sobre o assunto, Sir David King, ex-chefe do conselho de cientistas do governo da Inglaterra, declarou que os resultados agora divulgados mostram que o elo entre o crescimento econômico e o crescimento das emissões de carbono não foi quebrado.

“Os únicos que duvidavam disso eram aqueles que não estavam lendo a situação de maneira apropriada” – afirmou.

Segundo ele, as pesquisas em curso mostram que o principal caminho utilizado pelos países altamente industrializados para reduzirem as suas emissões foi transferir a produção para outros países, como a China. (No Brasil, talvez o melhor exemplo seja a Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, que ganhou “créditos de carbono” para vir da Alemanha para cá.)

O relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) ainda não foi publicado e as informações foram conseguidas pelo jornal inglês The Guardian.

Segundo o jornal, os vazamentos das usinas nucleares japonesas tornam as perspectivas ainda piores.

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A Inglaterra está entre os países que não conseguem reduzir as suas emissões de carbono mas com frequência manda uns trocados, uns recados, e até príncipes e ministros para falar ou pagar para que falem sobre a necessidade do Brasil proteger as florestas amazônicas em nome do combate às mudanças climáticas.

Com a palavra, a turma que acha que o desmatamento na Amazônia é uma das principais causas das mudanças climáticas.

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Em suas projeções,  a Agência International de Energia – IEA não contabilizou os mega-projetos de exploração de novas reservas de carvão para exportação que estão sendo licenciados nos EUA e na Austrália.

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Os que cantam em prosa e verso a necessidade de replantio de reservas legais nas florestas amazônicas em função das mudanças climáticas não têm mais este argumento farsante.  Entre eles, a estranha aliança entre os ruralistas norte-americanos e ONGs ambientalistas “brasileiras” (manda quem paga, obedece que tem juízo).

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?