Dia Mundial do Meio Ambiente – Sobre Marina Silva Antes e Depois do Poder

Em algum momento, Marina Silva teve uma preocupação saudável com o povo da Amazônia, com os Amazônidas.  Aparentemente, depois que começou a andar demais nos tapetões do poder e nos emaranhados de $alamaleque$ internacionais, esqueceu de suas origens.  Nada diferente de muitos outros.  Essa coisas inebriam e corrompem as percepções, as crenças, os sentimentos.

Num trecho da reportagem de Leonard Schapiro já aqui mostrada em diversas partes, há imagens anteriores à decadência moral e política na qual agora se encontra, uma fala em que expõe os seus “antigos”pontos de vista sobre questões fundamentais ligadas à proteção das florestas amazônicas:

“Como é que a gente faz para preservar essa floresta e ao mesmo temo você ter direito a alimentar os seus filhos, ter escola para o seus filhos, viver uma vida digna num lugar em que você escolheu para viver?

“Se não, nós vamos transferir o problema mais uma vez para os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos vão continuar com as mesmas práticas e os mesmos procedimentos.  E aí essa conta não vai fechar.”

Na época em que Leonard Schapiro veio ao Brasil fazer essa reportagem, encontrava-se pendente no Congresso dos EUA uma proposta de legislação limitando as emissões de carbono no país.  Obama tentou mais de uma vez fazer com que o Congresso aprovasse leis sobre energias renováveis, eficiência energética e emissões de carbono.  Levou uma sova dos Republicanos, as propostas não foram aprovadas e o assunto morreu.  Os recursos para manter as florestas nativas (dos outros) não apareceram ou apareceram como fração desprezível daquilo que foi anunciado ou estimado pela ONU como necessário para atingir metas aceitáveis nesse campo.

Agora, com as posições que adota sobre a manutenção de um Código Florestal que não será modificado porque nunca foi de fato promulgado – por ser inaplicável e insensato -, vale perguntar:  onde foi que Marina Silva se perdeu?

Sim, porque não há indícios de que ela ainda se preocupe com a pergunta original: como fazer para preservar florestas e ter recursos para alimentar os filhos e viver com dignidade nas florestas?  Por viver com dignidade entenda-se ter acesso não apenas à alimentação, mas a serviços básicos de saúde, habitação, saneamento e, modernamente, comunicações.

De fato, hoje em dia, ela parece ter feito a sua opção pelo Greenpeace, o WWF e outros chacais zumbientalóides gringos que a cada dia exercem mais influências sobre o já enfraquecido governo Dilma.  Esses,  injetam grandes quantidades de dinheiro no Brasil para impor idéias colonialistas, falando de uma Amazônia SEM GENTE, como o Éden deles.  Exceto, é claro, nas ocasiões em que precisam de minérios.

Essa é, também, a linha seguida pelo MMA que, como mostra a reportagem de Leonard Schapiro, cria Reservas Extrativistas com acenos de apoio aos antes chamados “povos da floresta” e depois os abandonam sem sequer considerar a alternativa dos sistemas agro-florestais já desenvolvidos pela EMBRAPA e apoiados por ONGs brasileiras sérias.

Divirtam-se com a parte final da reportagem e feliz Dia do Meio Ambiente.

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Ainda com o desprezo que os outros países tenham pelo Partido Republicano, talvez valha refletir sobre um “detalhe” desse combate às emissões de carbono através da preservação de florestas: não será excesso de cinismo falar nisso e omitir que o Brasil pretende avançar rapidamente na produção de petróleo?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?