Ban Ki-Moon, o Marionete, Etanol de Segunda Geração, Conservação de Solos e Outros Comentários

Ban Ki Moon, coreano de lamentável desempenho como secreário-geral da ONU, vem ao Brasil, fala sobre Amazônia, e ninguém pergunta por que ele não vai para Nova York dizer que o mundo está atento ao fato de que os EUA não aprovaram projetos de lei limitando as emissões de gases causadores de mudanças climáticas e ainda licenciaram novas mega-minerações de carvão. NA-DA!  Ele não vai criticar quem pode tirar-lhe o cargo que nada fez por merecer e que nunca honrou.

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Esse lero-lero de etanol de segunda, terceira e quarta geração já cansou!  Lê-se nos jornais de hoje:

“Um dos painéis do 3º Ethanol Summit, encontro internacional sobre etanol organizado pela Unica, tratou das novas tecnologias que trarão aumento do uso dessa planta em diferentes mercados. Duas empresas vindas dos Estados Unidos mostraram tecnologias que transformam açúcar em combustíveis renováveis, moléculas idênticas aos hidrocarbonetos de petróleo. Isso envolve o diesel de cana, querosene de aviação, gasolina e também todos os tipos de plásticos, solventes, lubrificantes, cosméticos, surfactantes, inclusive produtos medicinais.

“É assustador pensar que os motores atuais de caminhões, ônibus, aviões, carros podem rodar com um combustível vindo da cana, pois são mercados de tamanhos impressionantes.

“Foi apresentada também termelétrica com turbinas convertidas para usar etanol em vez do gás, com resultados interessantes e motogeradores (motores de combustão interna com alto desempenho) movidos a etanol, possibilitando que a energia elétrica seja gerada localmente nas comunidades, evitando a construção de grandes linhões de transmissão.

“É uma tecnologia de grande impacto para países pobres e em desenvolvimento. Não bastasse a dificuldade em abastecer o mercado interno de etanol hidratado, ainda aparecem todos esses novos usos para a cana, o que demandará grande aumento de produção.

“A boa notícia é que existe potencial na planta para aumentar a produtividade. Acredita-se que, em dez anos, a cana possa duplicar a produtividade, assim dividida: ganho de 15% a 25% com melhoria dos agroquímicos (melhor controle de insetos, ervas daninhas e fungos), 10% a 20% com germoplasma, melhorias no plantio, colheita e em processos, 20% a 50% com biotecnologia, modificação genética, etc.

“Finalmente, usando essas soluções de maneira integrada, consegue-se ainda potencializar essa produtividade, fora a irrigação e outras inovações que vêm por aí.

“Isso será fundamental para que toda essa cana seja produzida de maneira sustentável e usando menos áreas que as utilizadas com a produtividade atual. Essas novas áreas para produzir cana sobram no Brasil, e virão principalmente da liberação de áreas de pastagens.”

Esse trololó cansa! Aos fatos!

A capacidade de produção de matéria orgânica do planeta é limitada!  Falar em transformar “resíduos agrícolas” em etanol é bom para o tal do mercado, mas agride frontalmente os princípios mais elementares das técnicas de conservação dos solos, que tem como pilar o retorno desses resíduos para a proteção dos solos e para a sua renovação.  Tudo o que se retira do solo e para ele não volta – como os resíduos de cana usados na cogeração – é solo perdido.  O etanol de segunda geração que usa os “resíduos agrícolas” compete com a cogeração e com a conservação dos solos (e, em decorrência, dos recursos hídricos).

Não tem “almoço grátis”.  O que se faz é usar, agora, um recurso cuja formação é de muito longo prazo, exatamente como quando se usam combustíveis fósseis.  Estima-se de uma maneira geral que sejam necessários 180 anos para que se forme 1 centímetro de solo agrícola.  Então, agora também nessa área, o que se propõe é consumir os recursos das tais gerações futuras… para sua proteção.

Que assim seja, em nome da esperança e de ganhar algum fôlego.  Mas, por favor, parem de mentir em nome de um “mercado sustentável”.  Ou é mercado ou é sustentável!  Os dois só se unem episodicamente, numa reciclagem qualquer de plástico para fazer dormentes que nunca encontra qualquer apoio nas políticas públicas brasileira ditas “ambientais” e nem apoio dos “ambientalistas”.

A produção e o consumo de matéria orgânica não escapa a essa regra.  Não tem essa de óleo de palma (dendê) “sustentável”que vai “salvar” a biodiversidade nas florestas tropicais e as gerações futuras.  O biodiesel de palma para assegurar a continuidade de uma demanda crescente de transporte de tudo e de todos não é “sustentável”.  O “bife orgânico” dos super-mercados norte-americanos voa até lá vindo da Argentina!

Não é “sustentável” um etanol dito “importante para os países em desenvolvimento” mas destinado a a assegurar que as empresas de aviação continuem a atender ao crescimento da demanda de vôos internacionais dos Ban Ki-Moons da vida e até de executivos de verdade, bem como de gente indo à Disney.

Os Ban Ki-Moons estão bem unidos nessa enganação toda.  O mercado que vai continuar a crescer de verdade, seu Ban Ki, é o mercado de combustíveis fósseis.  Não minta, não engane os outros, procure honrar ainda que minimamente a memória de alguns de seus antecessores como Kofi Annan.

A preservação da Amazônia é outro assunto!  Algum nível de proteção viável das florestas e dos solos frágis só pode ser alcançado se forem ouvidos os profissionais da região que trabalham com tecnologias agro-florestais.  Leia-se Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Amazônia Oriental, e agrônomos da região que sabem trabalhar no campo, levar o conhecimento ao teste da realidade.

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As “putas da ciência” que recebem por número de “papers” publicados sem nunca se arriscarem a um confronto com a realidade (o reality check, do qual bons cientistas não mão) são inúteis, danosas, perigosas, enganadoras, e devem ser retiradas de cena pelo governo brasileiro.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

Um comentário em “Ban Ki-Moon, o Marionete, Etanol de Segunda Geração, Conservação de Solos e Outros Comentários”

  1. Luiz, essas tuas criticas aos zambientalistas sao um negocio muito importante e deviam ter mais espaço na “grande” mídia.
    Qualquer dia, falsos ambientalistas se tornam os novos banqueiros, a dominar o mundo, e será tarde demais.

O que você pensa a respeito?