Monthly Archive for julho, 2011

Rio de Janeiro – Cuidados com as Lagoas

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Nada como acordar com o dia amanhecendo, porque não há trânsito e é possível observar melhor a cidade – todas as coisas, tanto as lindíssimas quanto os absurdos.

Às margens do complexo lagunar ao longo da Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, a movimentação de terra feita pela prefeitura ou pela empreiteira – dá na mesma, já que a primeira deveria estabelecer normas e fiscalizar a segunda – fazem com que a quase-montanha de terra seja depositada de maneira a ser lavada para o leito do canal na primeira chuva.  Que importa?  Depois, as caríssimas dragagens pagas por metro cúbico mas nunca medidas. cidades sustentáveis

 

Chamem os zambientalóides que vivem de mostrar o lixo nas lagoas.   Afinal, a “culpa” é do lixo jogado pela população, ainda que a maior parte do esgoto continue sendo lançado sem qualquer tratamento no sistema lagunar (afinal, o projeto de coleta de esgotos da região só começou há 25 anos e continua sem data para terminar).  Isso para não falar na tal “faixa marginal de proteção”, tão ao gosto da equipe infanto-juvenil do Ministério Público ”ambiental”.

“Desenvolvimento Socio-Ambiental” no Porto do Açu – Rio de Janeiro

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Esse é o exemplo máximo do ”desenvolvimento socio-ambiental“ à moda do chefe!

Vale assistir TODO o excelente trabalho dos estudantes de jornalismo cujos nomes se encontram ao final do documentário.  Qualquer comentário sobre o amontoado de leis e regulamentos jogados no lixo é redundante diante das imagens.  Parabéns, também, ao professor que os orientou os estudantes.

Os ongolóides do “desenvolvimento sócio-ambiental” ainda não se pronunciaram!

No Brasil, a mera expulsão de pessoas de suas propriedades sempre foi feita com o enchimento de barragens de hidrelétricas.  Mais tarde, também com a criação de parques de papel e de outras unidades de conservação, mas aí o roubo é gradual, ainda que igualmente “na mão grande”.

Mas o uso de recursos públicos para fazer desapropriações em benefício de uma única empresa é uma novidade!  Nesse caso, o interesse social foi apenas uma “ação entre amigos”.

 

Rio de Janeiro – Bagunça Administrativa e a Arte da Feiura

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Do Rio, já se disse que é um espetáculo da natureza cercado de caos urbano por todos os lados.

O Rio passa, hoje, por um tipo de caos especial: explosões de bueiros.  Para quem mora na cidade-caótica e é obrigado a caminhar olhando para o chão por causa das calçadas esburacadas, desniveladas, cheias de obstáculos para pessoas, carrinhos de bebê e cadeiras de rodas – vale bricar de contar o número de tampas de ferro num único quarteirão.  Cada um tem a sua – é uma farra do boi.

Conta a lenda que à época em que fez um programa de esburacar as calçadas para facilitar a colocação de cabeamento de fibra ótica por uma grande rede de televisão – era o iníico da tv a cabo -, empresas de telefonia e de internet pediram que a oportunidade lhes fosse estendida e não foram atendidas.  Depois daí, cada provedor de internet ou outro que quisesse fazer cabeamento teve que fazer os seus próprios buracos.  E a cidade é uma permanente buraqueira!  Nenhuma coordenação entre os programas de obras dos vários prestadores de serviços públicos, abre aqui, quebra ali, a denominação precisa seria “uma zona”.. mas “zonas” são mais organizadas.

E, o que é pior – ainda que isso não se restrinja à cidade do Rio de Janeiro – , não há um sistema centralizado de informações sobre o que se encontra instalado no subsolo – desde manilhas de drenagem improvisadas até redes de água e esgotos, de distribuição de gás (mal instaladas por firmas teceirizadas), e por aí afora.  No passado, qualquer um que fosse fazer uma instalação subterrânea tinha que enviar cópias de plantas para as outras concessionárias e para a prefeitura, mas esse hábito se perdeu no tempo.  Nas cidades dos países sérios, essa infraetrutura pode ser visualizada num terminal de computador, com precisão.

Assim, quando explodem bueiros improvisa-se uma empresa ninguém-sabe-de-que para fazer inspeções para a prefeitura e a concessionária de gás (Petrobras) anuncia que vai trocar dezenas de quilômetros da rede que ninguém sabia que tinham que ser substituídas.  Afinal, que instalações de concessionárias de serviços públicos já ultrapassaram a vida útil e precisam ser substituídas?

Enquanto não há nem indícios de um planejamento de médio prazo para resolver essas bagunça, valem duas imagens de como as assim chamadas autoridades permitem que se enfeie a cidade.  Poucos metros antes da praia da Barra, na altura do quebra-mar, as imagens abaixo, que encantam os olhos… depois que se ultrapassam essas “pequenas” contribuições da prefeitura à arte da feiura.

Imagens do Rio de Janerio

 

E, diante da mesma obra de arte urbana, ao olhar para o chão para evitar o tombo…

a arte na calçada

Como se vê, o meio fio, que nas cidades do primeiro mundo tem altura padrão em relação ao asfalto, está à altura do restante da manutenção da Cidade Maravilhosa.  Como as calçadas em geral, a pavimentação das ruas, e por afora.

 

Gestão Ambiental: Diversos Pesos e Muitas “Desmedidas”

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Para quem acha que o poder público é sério e isento na aplicação da lei que se convencionou chamar de “código” florestal, que as ONGs gringas ou as locais que atuam com dinheiros públicos ou “semi-públicos” estão mesmo atentas ás tais dimensões “sócio-ambientais” de alguma coisa, e por aí afora, vale ver como são “demarcadas” as unidades de conservação, ao estilo do que os franceses chamam de “à vol d’oiseau” – ou a vôo de pássaro -, no “olhômetro”, enquanto das propriedades rurais se exige o georrefrerenciamento das reservas legais e outras, além do georrerenciamento exigido pelo INCRA para qualquer alteração no registro de imóveis das propriedades rurais desde a regulamentação da Lei federal 10.267/2001.

Do decreto criando um parque, publicado no Diário Oficial, retirou-se a primeira página apenas para que ninguém ache que esse é um caso isolado!  Não, não é!  O que se aplica ao privado não se aplica àquilo que a lei determina que seja propriedade do poder público, e não é – como é o caso da maior parte das unidades de conservação.  Mesmo as mais antigas, de quando não existiam modernas técnicas além dos teodolitos, continuam sem uma delimitação minimamente acurada.

Vale ler um texto do decreto para se ter clareza de como são “delimitadas” as unidades de conservação no Brasil, amplamente conhecidas no exterior como parques de papel.  Ou pelo menos para dar uma boa risada!

***

Isso para não falar nas desapropriações!  Como disse recentemente um alto dirigente de órgão público de meio ambiente, “vai tudo na mão grande mesmo”.   E depois querem que a turma do MST ou as milícias e traficantes das “comunidades” se comportem….

Já é hora dos prefeitos se posicionarem e dos proprietários se organizarem para impedir que esses descalabros prossigam!  Do jeito que vai, ficam os Municípios com um percentual signficativo de seus territóriso imobilizados para um “modelo” de gestão de parques que ninguém visita e os proprietários lentamente escorraçados de suas terras.

Vazamentos de Petróleo “Secretos” e a Marcha da Hipocrisia

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“Vazamentos potencialmente letais de petróleo e gás ocorrem no Mar do Norte com freqüência semanal” – noticiou o jornal inglês The Guardian nesta semana.  As informações só foram fornecidas pelo governo da Inglaterra com base numa lei que assegura a liberdade de informações e de acesso a documentos do governo ou sob a sua guarda.

O império da hipocrisia não cessa de brindar o grande público com novidades desse tipo.  Há que proteger a Amazônia para evitar o caos climático… mas sem deixar de abrir novas fronteiras de exploração de petróleo no Ártico ou no tal do pré-sal (denominação marqueteira).  E sem rampouco deixar de abrir novas e imensas minas de carvão que será exportado para a China que depois será responsabilizada por emitir CO em demasia para produzir produtos que serão consumidos os países que mais se dizem engajados no combate às mudanças climáticas.

Os documentos obtidos pelo The Guardian fazem parte do banco de dados da autoridade de regulação da saúde e da segurança ocupacional na Inglaterra.  Esse banco de dados é alimentado voluntariamente desde um grande acidente ocorrido em 1988 no qual 167 trabalhadores morreram.   Tais documentos referem-se apenas a vazamentos classificados como “grandes” ou “significativos” – aqueles que podem resultar em muitas mortes.

A Shell (anglo-holandesa) e a Total (francesa) aparecem na lista como as empresas que causaram mais vazamentos no Mar do Norte.

Na opinião do jornal, essas novas informações representam um sério golpe para a credibilidade do governo que apóia o “fervoroso desejo” das petroleiras de explorarem o petróleo do Ártico.  Recentemente, o ministro da energia, Charles Cairn, afirmou que tais operações nas águas do Ártico são “totalmente legítimas” desde que respeitado a “robusta” regulação de segurança da Inglaterra. (as aspas são do próprio The Guardian).

“Outros acidentes são mantidos em silêncio, afirmam ativistas, porque os trabalhadores temem perder os seus empregos caso os reportem.  Segundo um veterano, ainda que a todos seja dito que qualquer coisa errada deve ser reportada, na prática as equipes aderem a um código de conduta informal para manter o silêncio e evitar paralisar o bombeamento de petróleo em função dos prejuízos que podem ocorrer para as empresas.”

Metas de redução de emissões de CO só podem ser alcançadas com a redução do consumo de combustíveis fósseis.   Isso ainda não foi alcançado apesar de signficativos avanços no uso de energias renováveis e no campo de eficiência energética.  A mera conservação de florestas como forma de assegurar que essas emissões não aumentem é tolice.

Nem mesmo plantando florestas em áreas maiores do que as originàis à época da chegada de Cabral seria possível ”compensar” as crescenes emissões de carbono.  Os países europeus que se comprometeram com metas investem em coisas rentáveis – seja na área de energias renováveis ou de eficiência energética, e exportam indústrias com altas emissões de CO.  Ou promovem a destruição de florestas na Ásia e na África para produzir bioombustíveis! 

Então, seria bem mais produtivo parar de fazer de conta com discursos de folhetim!

A Pedra do Sal e Largo João da Bahiana Pela Lente de Zeca Linhares

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“A palmeira bem no centro da foto fica na tombada Pedra do Sal, na base do Morro da Conceição, vertente voltada para as proximidades da Praça Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro.  Essa rua é a Argemiro Bulcão e o prédio àdireita é a sede da Cedae.  A Pedra do Sal, hoje conhecida como Largo João da Bahiana, é o mais antigo monumento vinculado à histórica do samba carioca.  Ponto de encontro dos escravos, muito próximo de onde se negociava o sal, nela nasceram as rodas de capoeira, de choro, as “tias bahianas”.

“Hoje é um lindo estacionamento.”
Pedra do Sal

 

Zeca Linhares é fotógrafo do mundo.   E tem desenvolvido alguns  dos mais excelentes trabalhos já feitos sobre a gente e a cidade do Rio de Janeiro.  Sem o devido reconhecimento!

Depois de fotografar praticamente todo o patrimônio arquitetônico da cidade, Zeca tem fotografado a zona portuária e o Morro da Conceição, muitas vezes na companhia de outro excelente fotógrafo, Pedro Pinheiro Guimarães, agora de retorno de Paris onde viveu a maior parte de sua vida.

Na ânsia de “modernizar” a zona portuária, negocia-se o “esapço aéreo”, isto é, o direito à verticalização dos poucos grupos investidores que conseguiram ou que ainda conseguirem adquirir terrenos na área.  E fala-se, com grande sem cerimônia, que prédios que poderão ter 50 pavimentos (de repente, depois fazem mais) vão “pontuar a paisagem da Baía de Guanabara”. 

Essa é a imagem do descaso do nosso falido urbanismo com o patrimônio histórico e com algumas das mais belas paisagens do mundo.

Enfim, a opção pelo estilo Chicago ou Nova York está sendo feita em detrimento da opção peloa abordagem urbanística de San Francisco, por exemplo, ajnda que a “moda dos arranha-céus” já tenha passado há muito.   Mas esse é outro assunto.  Fica apenas a curiosdade de saber como se entrega a gestão de uma área tão importante do Rio de Janeiro à iniciativa privada antes de saber quanto seria necessário de investir ali em infraestrutura. 

***

Para os que nunca ouviram falar de João da Bahiana, que antecedeu e inspirou até mesmo o grande mestre Pixinguinha, vale vê-los com Baden Powell ainda jovem tocando Lamento, ou com 82 anos ainda falando em africano e ensinando as origens do samba para o jovem Baden Powell, ou ainda ouvi-lo numa de suas muitas gravações afro-brasileiras que levaram o Largo-hoje-estacionament0 a receber o seu nome.