A Pedra do Sal e Largo João da Bahiana Pela Lente de Zeca Linhares

“A palmeira bem no centro da foto fica na tombada Pedra do Sal, na base do Morro da Conceição, vertente voltada para as proximidades da Praça Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro.  Essa rua é a Argemiro Bulcão e o prédio àdireita é a sede da Cedae.  A Pedra do Sal, hoje conhecida como Largo João da Bahiana, é o mais antigo monumento vinculado à histórica do samba carioca.  Ponto de encontro dos escravos, muito próximo de onde se negociava o sal, nela nasceram as rodas de capoeira, de choro, as “tias bahianas”.

“Hoje é um lindo estacionamento.”
Pedra do Sal

 

Zeca Linhares é fotógrafo do mundo.   E tem desenvolvido alguns  dos mais excelentes trabalhos já feitos sobre a gente e a cidade do Rio de Janeiro.  Sem o devido reconhecimento!

Depois de fotografar praticamente todo o patrimônio arquitetônico da cidade, Zeca tem fotografado a zona portuária e o Morro da Conceição, muitas vezes na companhia de outro excelente fotógrafo, Pedro Pinheiro Guimarães, agora de retorno de Paris onde viveu a maior parte de sua vida.

Na ânsia de “modernizar” a zona portuária, negocia-se o “esapço aéreo”, isto é, o direito à verticalização dos poucos grupos investidores que conseguiram ou que ainda conseguirem adquirir terrenos na área.  E fala-se, com grande sem cerimônia, que prédios que poderão ter 50 pavimentos (de repente, depois fazem mais) vão “pontuar a paisagem da Baía de Guanabara”. 

Essa é a imagem do descaso do nosso falido urbanismo com o patrimônio histórico e com algumas das mais belas paisagens do mundo.

Enfim, a opção pelo estilo Chicago ou Nova York está sendo feita em detrimento da opção peloa abordagem urbanística de San Francisco, por exemplo, ajnda que a “moda dos arranha-céus” já tenha passado há muito.   Mas esse é outro assunto.  Fica apenas a curiosdade de saber como se entrega a gestão de uma área tão importante do Rio de Janeiro à iniciativa privada antes de saber quanto seria necessário de investir ali em infraestrutura. 

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Para os que nunca ouviram falar de João da Bahiana, que antecedeu e inspirou até mesmo o grande mestre Pixinguinha, vale vê-los com Baden Powell ainda jovem tocando Lamento, ou com 82 anos ainda falando em africano e ensinando as origens do samba para o jovem Baden Powell, ou ainda ouvi-lo numa de suas muitas gravações afro-brasileiras que levaram o Largo-hoje-estacionament0 a receber o seu nome.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?