Observatório da Terra – Incêndios Espontâneos Lá, “Queimadas” Aqui – O Jogo de Palavras

Neste mes de julho, grandes incêndios espontâneos ocorreram nas mais diversas regiões do mundo, entre as quais a Austrália, o Canadá e os EUA.  Eles são chamados pelo que são, e não pela denominação genérica de “queimadas”, como fazem no Brasil o INPE, o MMA e as grandes ONGs.  Por que uma instituição séria como o INPE faz esse tipo de “abordagem mercadológica”, ao gosto da mídia sensacionalista?  Para ter mais recursos do governo?  É uma incógnita.

Afinal, nos países sérios, há muito tempo os dados dos incêndios florestais já são correlacionados com a baixa umidade do ar e com as temperaturas ambientes.  Instituições como a NASA ou os serviços equivalentes / metereológicos de outros países jamais fariam generalidades como “queimadas” – termo ambíguo, de sentido impreciso, que não diferencia o que foi intencionalmente provocado daquilo que ocorre naturalmente.

Em regiões do mundo onde a seca provoca incêndios espontâneos – como ocorre na Córsega e em outras ilhas mediterrâneas – são freequentes as placas às margens das estradas alertando  para o risco de incêndio a partir de uma ponta de cigarro jogada de um carro ou similar.  Mas ninguém fala em “queimadas”.

Enfim, o que importa, as imagens hoje divulgadas pela NASA de muito incêndios espontâneos ocorridos na segunda quinzena de julho de 2011.

Primeiro, na Austrália.

No mesmo intervalo de duas semanas, no Canadá.

E na Califórnia, nos EUA.

Em nenhum dos casos as autoridades locais cafetinaram o tema e nem se deixaram cafetinar por ONGs.  E a imprensa não recebeu ou transmitiu uma mensagem dúbia.  Já no Brasil, nesse mesmo período, ocorreram queimadas no Pantanal, e tudo foi noticiado como se todas essas queimadas fossem intencionais, destinadas a ampliar áreas agrícolas “ilegalmente”, decorrência apenas da falta de maior repressão. 

O INPE poderia ser mais “científico” e menos vago quando divulga essas informações.  Exceto se não tiver a capacidade instalada de análise de imagens de satélite para diferenciar uma coisa da outra.

A NASA tem uma área exclusiva chamada “natural hazars”, que pode ser livremente traduzida por “acidentes naturais” ou como tem sido dito no Brasil “eventos climáticos extremos”.  E ninguém finge que aquele evento “extremo” – como foi o caso dos deslizamentos de terra nas serras do Rio de Janeiro – foram devidos à ação humana ou a má ocupação dos solos, como aqui se faz.  As aves “de mau agouro” que aqui predam a insegurança casusada por tais eventos são da mesma natureza daquelas que desviam recursos públicos destinados à reconstrução das serrras.

Vale visitar a página da NASA cujo link denomina-se Observatório da Terra onde, passeando o cursor na tela, é possível ter imagens de alta resolução e informações sobre eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo.  Divirtam-se!  E não acreditem em grandes ONGs e em palavras de sentido duvidoso.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários sobre “Observatório da Terra – Incêndios Espontâneos Lá, “Queimadas” Aqui – O Jogo de Palavras”

  1. Sabia que a maioria das queimadas que surgem nas margens das rodovias são causadas por FULIGEM INCANDESCENTE que sai dos escapamentos de ônibus e caminhões que se encontram com o motor desregulado?… Vejam pesquisa completa disponível no Google: “Queimadas no Brasil, Causa real nas rodovias”. Edmar- Itabira- MG.

  2. Boa informação, Edmar,
    De fato, eu comento no artigo que vi, em diversas regiões do mundo, as placas nas margens das rodovias alertando para pontas de cigarro
    e outras situações que provocam “queimadas” espontâneas.
    O que você informa, aqui, é importante. Exatamente para chamar a atenção para o fato do INPE não saber – ou preferir não saber – diferenciar uma
    coisa da outra, permitindo o que chamo de “cafetinagem” do tema pelas grandes ONGs e mesmo pelo MMA.
    Grato.
    Luiz

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