Um Duto da Sujeira Garante a Liderança dos EUA na Emissão de Gases Causadores de Mudanças Climáticas

Grandes manifestações populares relacionadas às mudanças climáticas estão programadas para ocorrerem na capital dos EUA nas próximas duas semanas.  O estopim para essa série de eventos foi o intenso lobby que vem sendo feito para que a administração Obama aprove a construção de um novo duto com cerca de 2.500 km – já conhecido como TransCanada.

Se autorizada a construção, esse duto transportará o mais sujo tipo de oleo do planeta: aquele extraído das areias betuminosas da provincial de Alberta, no Canadá.

Os manifestantes, evidentemente, se opõem à construção desse “duto da sujeira” que, se aprovado, transportará 1,1 milhão de barris do petróleo por dia, enriquecendo ainda mais algumas grandes corporações ao custo de tornar os EUA bem mais dependente de combustível fossil da pior qualidade.  Afinal, a invasão do Iraque para assegurar suprimentos de petróleo não deu aos EUA a “segurança energética” que a motivou.

Essas manifestações estão planejadas para ocorrer entre 20 de agosto e 3 de setembro e incluirão a presença de representantes dos mais diversos grupos sociais: de pequenos produtores rurais do Nebraska a grandes latifundiários do Texas, de professores de Wisconsin até líderes indígenas canadenses, de renomados cientistas a celebridades do mundo das artes.

Os manifestantes sabem que se arriscam à prisão por desobediência civil se ocuparem os espaços em torno da Casa Branca.  E mais de 1.500 já confirmaram que estão dispostos a isso.  De fato, a licença para a construção desse “duto da sujeira” significará o abandono de outras alternativas de segurança energética propostas pela administração Obama e rejeitadas pelo Congresso norte-americano.

Um renomado cientista/especialista em climatologia norte-americano – James Hansen – posicionou-se favoravelmente às manifestações afirmando só medidas muito drásticas evitarão um aumento catastrófico da temperatura  do planeta.  Entre essas medidas, a redução a zero do uso de carvão como fonte de enegia no prazo de 20 anos.

“Liberem as imensas reservas de carbono das areias betuminosas do Canadá e poderá ser declarado o fim do jogo para o combate às mudanças climáticas.”

Os moleques ongolóides que tanto fingem que as mudanças na lei brasileira cujo apelido é “código florestal” causarão um grande dano à imagem do Brasil no teatrinho da Rio + 20 que ocorrerá em breve ainda não se pronunciaram sobre a construção do duto da sujeira nos EUA.  Lá, como em outros países sérios, eles silenciam porque ninguém presta atenção no que dizem.

Estima-se que as emissões de CO do petróleo recuperado a partir das areias betuminosas seja 30% mais alta do que aquelas provenientes da queima do petróleo comum. 

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A exploração de areais betuminosas não era economicamente viável até há cerca de uma década.  Com o  novas tecnologias e a previsão de futuros aumentos nos preços do petróleo convencional, crescem os investimentos na produção desse tipo de combustível fóssil.  As reservas já dimensionadas e recuperáveis existentes só no Canadá e na Venezuela são duas vezes superiores às reservas ainda existentes de petróleo convencional no Oriente Médio – 3,6 trilhões de barris contra 1,75 trilhões de barris.

O “governo nacionalsita” de Hugo Chavez já concedeu a uma grande petroleira os direitos de exploração desse óleo na região do Orinoco.  Se alguém, sinceramente, acredita que as petroleiras vão recuar dianta das oportunidades dessa nova fonte de imensos lucros em prol de algum tipo de “energia renovável”, boa sorte.

Para os onolóides gringos no Brasil, é mais lucrativo bater o tambor sobre a floresta amazônica.  Assim, pelo menos, desviam a atenção desses outros “detalhes” como a produção de combustíveis fósseis de muito pior qualidade.

Abaixo, uma imagem do delta do Orinoco, bacia hidrográfica ainda razoavelmente intocada e que literalmente irá para o belelléu com o avanço da esploração de areias betuminosas na região.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?