Monthly Archive for setembro, 2011

Código Florestal – Faixas Marginas de Proteção: O Sagrado e o Profano

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Na mitologia ambientalóide, a preservação da “faixa marginal de proteção” tem muitas funções sagradas, que faz com que a sua intocabilidade seja uma lei da “Mãe-Terra”. E a definição da faixa a ser preservada deve ser proporcional à largura do rio, não importando a geologia, a hidrologia e a climatologia da região; e importando menos ainda a ocupação humana ou os recursos disponíveis de engenharia, usualmente desconsiderados por serem incompatíveis com alguma lei superior, senão divina, não importando que a civilização tenha surgido às margens dos rios de todos os tipos, com ou sem áreas de alagamento.

Mais recentemente, os ambientalóides resolveram que essas faixas servem para proteger a vida e o patrimônio das pessoas. Assim, inventaram as “áreas de risco” para ampliar o seu poder sobre a opinião pública.  Essa é, literalmente, uma “pegada ecológica” tupiniquim.  Agora, só falta o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA adotar uma “resolução” proibindo chuvas torrenciais acima dos limites considerados em ciclos de 10, 20 ou 50 anos. Eventualmente, incluirão nessa “resolução” a proibição de tufões extra-tropicais, sendo aceitos apenas os tufões puramente tropicais.  Afinal, tais chuvas provocam a subida do nível dos rios e, em consequência, a mudança das faixas marginais de proteção!

Infiltrados no poder público, ambientalistas de algibeira já falam até mesmo na “função ecológica” dessas faixas para a infiltração de água e recarga dos aquíferos subterrâneos. Essa abordagem é divertida!  É inexpressivo o papel das faixas marginais de proteção para a recarga de aquíferos quando comparado com a adoção de técnicas de conservação dos solos na agricultura, com a limitação das taxas de impermeabilização e com a adoção de tecnologias apropriadas para assegurar a retenção e a infiltração das águas de chuva.

O ecologismo tupiniquim é vazio e desconhece que outros países adotaram estratégias diferentes e bem mais sensatas para lidar com esses assuntos, entre as quais a definição de diretrizes para a drenagem e a infiltração das águas de escorrimento superficial nas cidades. Essa abordagem envolve engenharia, planos diretores de micro e macrodrenagem, desenho e dimensionamento adequados dos sistemas de coleta de águas pluviais, etc – coisas que fogem ao domínio dos ambientalóides e, portanto, reduz o seu peso nas decisões sobre políticas públicas em áreas sobre as quais eles tentam exercer algum tipo de domínio através de uma “re$erva de mercado”.

Quem resolveu os problemas de poluição hídrica, de recarga dos aquíferos subterrâneos, de contenção de cheias, de usos múltiplos dos rios e similares em países como, por exemplo, a Alemanha, foram engenheiros e profissionais de formações técnicas diversas – geologia, hidrologia, química, microbiologia – e não “ambientalistas”.  Mas que importância tem isso para quem professa a fé em princípios tão abstratos e genéricos quanto imutáveis?

Nos países sérios, diretrizes para lidar com as águas de escorrimento superficial resultante das chuvas e seu encaminhamento a áreas de infiltração – tanto para recarga do lençol freático quanto para controle de poluição e de cheias – podem alcançar algumas centenas de páginas, com indicadores sobre o regime de chuvas, as taxas de impermeabilização dos solos urbanos, a geologia, e topografia, etc. O fato de não termos nada similar no Brasil não significa que não seja possível, necessário e desejável desenvolver diretrizes desse tipo, que devem servir de base para planos diretores e para a elaboração de projetos específicos.

Um bom exemplo dessas diretrizes, bem como de sua extensão e amplitude das variedades de abordagens técnicas pode ser encontrado, apenas como exemplo, no Manual de Gestão de Águas Pluviais da Região Oeste do Estado de Washington, nos EUA (revisão feita em 2005).  São cinco volumes, nos quais é usada a melhor tecnologia disponível para a concepção e o desenho de sistemas de drenagem de áreas urbanas, incluindo importantes dimensões “ecológicas” (aqui entre aspas porque o se os países sérios denominam ecologia é muito diferente daquilo que parece prevalecer aqui na Terra Brasilis).

O primeiro desses volumes tem 218 páginas com requisitos técnicos mínimos e indicadores para o planejamento da área real – não uma generalização que aqui tem possibilitado o “cheque em branco”  para a omissão.

O volume II, com 178 páginas (até aqui, cerca de 400 páginas) , inclui não apenas um conjunto de parâmetros para lidar com a quantidade, mas também com a qualidade das águas que lavam as ruas e não podem ser lançadas em rios ou lagoas sem o seu tratamento – que pode ser a sua infiltração lenta em certos trechos.  Isso é denominado controle da poluição, algo que não parece despertar muito interesse de nossos ambientalóides.

Com os volumes III, IV e V, chega-se a um documento de cerca de 900 páginas, fora os mapas do mundo real da região noroeste do Estado de Washigton.

Na suposição de que cidades existem inevitavelmente, atribuir à faixa marginal de proteção definida através de um número cabalístico de metros igualmente aplicável às serras do Rio de Janeiro, ao Pantanal e ao Sertão o poder mágico de assegurar a infiltração de água e a recarga do lençol freático pode ser visto como parte do mundo fantástico de ambientalistas neófitos e/ou superficiais.

A Alemanha, entre muitos outros países onde gestão ambiental é levada a sério, têm, há décadas, áreas para destinação das águas de chuvas no meio urbano e sua infiltração lenta no terreno para evitar a poluição das águas superficiais e as enchentes; e áreas reservadas para alagamento e contenção de cheias no meio rural, além de trabalharem intensamente sobre técnicas de conservação dos solos agrícolas que de fato – e não apenas no mundo imaginário – asseguram a recarga dos reservatórios de águas subterrâneos.

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Durante uma visita recente do prefeito de Nova Jersey ao Rio de Janeiro, o diretor de águas da cidade perguntou-me o que acontecia, no Rio, com a chuva incidente sobre uma edificação e se existiam regras para evitar que elas alagassem o terreno vizinho.  Apenas sorri e ele compreendeu.

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O Brasil é tem a patente mundial de “palpites ambientalóides em áreas de risco”.  Isso se deve à omissão geral das autoridades no que se refere ao uso do espaço territorial.

Código Florestal – Cheque em Branco para a Omissão

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Em todos os países que tiveram políticas sérias de meio ambiente (isto é, políticas que levaram a resultados), passagens para peixes foram implantadas sempre que um curso d’água foi bloqueado por uma barragem para a geração de eletricidade ou assegurar a navegação com a colocação de eclusas.

Quando essas passagens não existiam porque a interrupção do curso dos rios foi feita num período anterior a essa percepção da importância dos processos migratórios dos peixes, alternativas para atender a esse requisito (óbvio, básico, elementar) foram criadas no momento em que as empresas operadoras das hidrelétricas foram chamadas ao licenciamento ambiental.

Soluções diferenciadas e adequadas a cada caso surgiram nos EUA, no Canadá, na Europa, sempre envolvendo o monitoramento dos peixes.  Algumas imagens ilustram a facilidade com que tais soluções poderiam ser implantadas.

Passagem para peixes na Holanda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que exigências semelhantes não foram feitas para TODAS as hidrelétricas existentes no Brasil a partir da aprovação da lei 6.938/81 que estabeleceu o sistema de licenciamento e já completou 30 anos?  Ou por força da Resolução CONAMA 001/86, que estabeleceu diretrizes para a realização de estudos de impacto ambiental e contra a aprovação da qual o setor elétrico lutou, à época, com todas as suas forças?  Pura omissão, covardia ou só ignorância?

Afinal, o próprio rio deveria ser muito mais “área de preservação permanente” do que a sua “faixa marginal de proteção”!  O rio É o bioma esquecido por essa gente.  E não se trata apenas do conceito abstraro de “fluxo gênico” – ah, como eles gostam do palavreado rococó -, mas da própria alimentação de muita gente.

Passagem para peixes em Uppasal, na Suécia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É curioso que as coisas continuem dessa forma no país que, segundo alguns, têm no “código” florestal uma das leis mais modernas do mundo.  E é de se questionar por que essa turma que agora faz “vigília” virtual depois de passar quase uma década no comando do Ministério do Meio Ambiente não tomou essas iniciativas elementares.  Ou mais de duas décadas se considerado o tempo decorrido desde a introdução de um sem número de alterações no “código”, todas gestadas nos gabinetes, encaminhadas ao Congresso Nacional por Medida Provisória e incorporadas à lei por decurso de prazo, sem qualquer votação.

 

Passagem para peixes na barragam de Johan Day, no Oregon, nos EUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A turma da vigília e do lero-lero sobre autista sobre a intocabilidade da lei nunca votada uniu-se a grupos ligados ao setor elétrico.  O mesmo setor elétrico que até o presente só tomou raríssimas iniciativas para controlar os processos erosivos nas bacias hidrográficas à montante de seus reservatórios;  o mesmo setor elétrico que deu origem a um importante movimento de “atingidos por barragens”  por não conseguir sequer calcular qual será a área de enchimento desses mesmos reservatórios e ainda tem a petulância de falar em “faixa marginal de proteção”;  que fez e continua fazendo barragens que impedem a navegação (em lugar de viabilizá-la), e que continua enganando os otários com a farsa do “peixamento”.

Aqui, cabe pelo menos uma pergunta: qual o reservatório de hidrelétrica que teve o seu perímetro demarcado e a faixa marginal de proteção reflorestada com essências nativas às expensas das operadaras de hidrelétricas?  NEN-HUM!  E são esses os ambientlistas que querem servir de exemplo para alguma coisa?

Enfim, misturando a abordagem “Antonio Conselheiro” acreano com o mais puro oportunismo paulistano,  essa gente que cafetina a gestão ambiental sem apresentar resultados finge para os mais jovens que não tem nada com essa contínua omissão.  E vai levando o seu andor da mais pura enganação.

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As imagens deste artigo – como de um anterior sobre o tema – foram encontradas na internet e utilizadas apenas com objetivos de ilustrar as considerações sobre o tema. Qualquer um que queira visualizar outras imagens ou vídeos pode usar “fish ladder” na busca.  Fish ladders ou passagens para peixes continuam a ser feitas nos países sérios – onde ninguém perde tempo com masturbações sobre um pretenso “código” florestal que apenas justificam a inação.  A última iniciativa dessas que aqui a “gestão” pública de meio ambiente e as ONGs não têm pode ser vista em http://www.hydroworld.com/index/display/article-display/7996410848/articles/hrhrw/environmental/2011/09/us-approves-fish-passage-facility-for-washingtons-cle-elum-dam.html.

Pontes Vivas no Mundo Real X Tolices do “Código” Florestal no Brasil

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Como se demarcaria a tal da faixa marginal de proteção numa região em que riachos se transformam em rios caudalosos durante as chuvas torrenciais de verão?

No Brasil de hoje, organizações zumbientalóides do sétimo dia clamariam contra os riscos de total devastação planetária e mesmo interplanetária, formalizariam denúncias sobre a necessidade de proteger a humanidade de si própria, e emepéios moveriam processos contra aldeões por invasão da tão brasileira “faixa marginal de proteção” (não confundir com alguma faixa de proteção de marginais).  O Congresso Nacional convocaria mais uma audiência pública, um grupo de cientistas tão ilustres quanto desconhecidos e irrelevantes se pronunciaria sobre a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as relações entre a vegetação e o clima, e ilustres juristas falariam sobre a necessidade de regras de alcance nacional, impondo a mais avançada filosofia do direito do mundo sobre uma natureza que precisa ser domesticada para sobreviver.

Mas como o resto do mundo não perde tempo com tanta baboseira, ainda é possível encontrar iniciativas tão criativas e belas quanto pontes vivas na província de Meghalaya, na Índia, talvez a região mais úmida da Terra: até 25 metros de chuva num único ano, a quase totalidade nas monções que ocorrem no verão.  Aí, no mundo real, intocado por cientistas e juristas de bolso, é possível “plantar uma ponte” que sobrevive aos grandes dilúvios.  ”É um projeto épico que nenhum ser humano pode terminar ao longo de uma única vida” – nas palavras do narrador.

Algumas dessas pontes foram feitas há séculos, muitas têm “dois andares”, e elas são um modelo de “arquitetura sustentável viva”.

Vale discutir sobre a aplicação das mesmas regras à Província de Cheerapunji, no nordeste da Índia, e na área urbana de Nova Delhi?

A “judicialização” e a “cientifização” da gestão ambiental em detrimento das normas feitas para a vida real encontram-se entre as causas e as consequências do quase total naufrágio da gestão ambiental no Brasil.  Mas fiquemos com a beleza das pontes-vivas, que são bem mais férteis e inspiradoras.

 

 

Agricutura Urbana nos EUA (Sem a Tolice da Reserva Legal) – Uma Nova Realidade?

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Aumenta o número de notícias sobre o cultivo de vegetais para alimentação humana em áreas urbanas dos EUA.

Os “agricultores urbanos” e muitos especialistas atribuem o rápido crescimento dessa prática à recessão econômica.  Os temores relacionados às mudanças climáticas talvez contribuam para o desejo de estar mais próximos de suas próprias fontes de alimentos, algo que nunca desapareceu completamente em países como a Alemanha e o Japão, que viveram tempos de guerra e de escassez de alimentos.

Nos EUA, essa prática tampouco desapareceu, ainda que tenha se mantido como forma de lazer e de educação das crianças.  Lá existe uma Associação Nacional de Jardinagem, cujo site tem uma área específica para o que se poderia denominar de “jardins para a alimentação” (já que a tradução literal “jardins vegetais” soaria redundante em português), além de muitas outras informações úteis.

Recentemente, o diretor de pesquisa dessa organização atribuiu o rápido crescimento desse tipo de agricultura urbana à rápida elevação dos preços de alimentos e ao acelerado crescimento do número de “consumidores conscientes”.

Até recentemente, a idéia de “alimentos produzidos localmente” esteve associada apenas a uma elite endinheirada que podia pagar mais pelo que estava na moda.  Mas, segundo o presidente de uma das maiores redes de verduras e legumes dos EUA, a grande mudança começou com a concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008: “a ansiedade sobre o dinehiro cresceu rapidamente, afirmou.  Mas, ao que tudo indica, o que se cresceu mesmo foi a falta de confiança no sistema financeiro como provedor de riquezas, e isso já foi um grande passo para uma mudança de rumos na economia.

Entrevistada, uma professora de uma pequena cidade do Kentuchy, afirmou que as suas despesas com alimentação caíram à metade com a produção própria e com a aquisição de maiores quantidades de alimentos de produtores locais para fazer conservas.

Essa tendência é diferente da que se encontra nas grandes cidades: não há certificação do tipo “orgânico” ou propagandas desse tipo; as pessoas produzem e compram para reduzir despesas mesmo, e usam as mais variadas técnicas para conservar os alimentos, ou os congelam.

“Esse é o meu verdadeiro seguro-social” – afirmou durante uma entrevista um ex-trabalhador na mineração de carvão que resolveu plantar.  Pedaços de terras nas encostas dos morros estão se transformando em “jardins de alimentos” com grande velocidade.

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Imagens da agricultura urbana em plena área urbana de Sacramento, capital da Califórnia, são uma boa ilustração do assunto.  Felizmente, eles não têm, lá, jovens ingênuos, bem intencionados e autoritários do Ministério Público que insistem na aplicação da reserva legal até mesmo em áreas urbanas.  Na verdade, eles simplesmente não têm esse conceito de reserva legal, intocada e que deve ser mantida com vegetação nativa até mesmo no semi-árido nordestino.

Os conceitos de áreas de infiltração para recarga do lençol freático, controle de poluição e contenção de cheias, bem como de segurança alimentar para as áreas urbanas e de proteção da biodiversidade são bem mais sofisticados e efetivos do que essa mega-tolice nacional.  Mas esses são outros assuntos.

Código Florestal – Audiência Pública – Vale Assistir!

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Transcrito do Boletim Online da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina – OCESC – talvez seja possível assistir online)

Produtores e líderes rurais de todas as regiões catarinenses estarão reunidos em Chapecó nesta sexta-feira (16), às 14 horas, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, para acompanhar a audiência pública do Senado Federal sobre o Código Ambiental Brasileiro cujo projeto tramita na câmara alta do Congresso Nacional, depois de ser aprovado na Câmara dos Deputados.

A audiência será transmitida ao vivo pela TV Senado e será presidida pelo relator da comissão do código ambiental, senador Luiz Henrique da Silveira. Também participarão os presidentes das comissões permanentes, de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle (CMA) e Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

Para articular ações que assegurem a presença de dois mil produtores nesse evento, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reuniu nesta semana, em sua sede, dirigentes da Fetaesc, Ocesc, Fiesc, Sindicarnes, ACAV e ACCS. “Cada entidade mobilizará suas respectivas bases para levar técnicos, produtores e empresários rurais à audiência pública”, expôs o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri. Essa mobilização também atingirá os secretários municipais de agricultura, a Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e a União dos Vereadores de SC (Uvesc).

O dirigente mostra que – ao contrário do que apregoam algumas pessoas – o projeto em tramitação no Senado não anistia produtores rurais, que terão que recuperar áreas que podem ter sido desmatadas quando a lei permitia, recuperando danos ambientais, se quiserem regularizar a sua situação. Um aspecto importante é a possibilidade de os Estados também tratarem de questões ambientais – como já fez de forma pioneira Santa Catarina. De acordo com o Artigo 24 da Constituição Federal, a matéria de meio ambiente é concorrente e não de exclusividade da União.

A produção de alimentos, silvicultura e biocombustíveis ocupa 236 milhões de hectares do território brasileiro de 851 milhões de hectares. Os dados são do Censo Agropecuário 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentro das propriedades, 93,9 milhões de hectares estão preservados com florestas nativas. A maior parte do território brasileiro – 61% – está conservado. Sem a atualização do Código Florestal Brasileiro, outros 80 milhões de hectares que estão dentro das propriedades deixarão de produzir comida nos próximos anos para dar lugar a Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de reserva legal.

Código Florestal e Pantanal – Parabéns à Prefeitura de Aquidauana

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O pessoal do MMA encarregado da “gestão” de parques (entre aspas mesmo) não gosta de gente e nem de turismo de qualquer tipo.   A prova factual é a total falta de infraestrutura dos parques nacionais, impedindo o convívio de gente com a natureza.  Como já foi dito aqui, adoram ver os parques norte-americanos ou canadenses com as suas amplas estradas asfaltadas e pousadas confortáveis nos canais de televisão, mas assenhoram-se quase totalmente dos parques nacionais (e estaduais) para o seu uso pessoal.

Quando falam tanto na Amazônia e no código florestal não explicam o que vão fazer com as populações ribeirinhas.  Nem na Amazônia, nem ao longo de centenas de quilômetros do rio São Francisco, e muito menos no Pantanal.  O “bioma” deles é uma mancha no mapa do IBGE, sem gente.

Bem mais do que os rios da Amazônia, onde as planícies de alagamento são muito amplas, a vida humana em muitas áreas do Pantanal se tornará “ilegal” se o Congresso Nacional e o governo não flexibilizarem a bobagem da faixa marginal de proteção padrão para qualquer corpo d’água.

No Pantanal, a partir novembro – e até abril – as chuvas torrenciais alagam um percentual significativo das terras do Pantanal em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, formando “baías” de centenas de quilômetros quadrados.  A rede hídrica muda completamente e muitas estradas ficam sob as águas – são estradas ilegais? -, os animais se refugiam nas terras mais altas (chamadas de cordilheiras pelos incômodos humanos que vivem em toda o “bioma”), e em muitos locais o transporte só pode ser feito de barco ou por animais de carga.  Durante as cheias, não são poucas as povoações que só podem ser atingidas de barco ou de avião.

Em maio deste ano, um vídeo promocional patrocinado pela Prefeitura de Aquidauana ganhou um prêmio no festival Tour Filme Brazil, realizado em Florianópolis.  O prêmio foi na categoria Turismo de Ecologia e Natureza e vale ser visto aqui, tanto pela sua qualidade quanto para que ninguém ache que quem protege o Pantanal é alguma ONG gringa ou alguma ONG da família Klabin, ou que é possível ter uma regrinha “ambiental” imaginária aplicável em todos os recantos do Brasil.

Nesse festival, concorreram 496 filmes de todo o mundo, incluindo países como Índia, Camboja e Birmânia. O Tour Filme Brazil é membro do Comitê Internacional dos Festivais de Filmes Turísticos.  O filme brasileiro esta sendo exibido no mundo inteiro.

 

 

Código Florestal e Pressões do Agronegócio dos EUA: Florestas Aqui, Empregos Lá

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Quando ficou claro que a administração Obama sonhava com o estabelecimento de limites para as emissões de gases causadores de mudanças climáticas, o agronegócio negócio norte-americano aproveitou os temores dos maiores responsáveis por tais emissões – geradores de energia, petroleiras, indústrias – e desencadeou forte campanha pela defesa das florestas tropicais, em particular no Brasil.  Essa campanha envolveu abertamente uma ONG de lá com atuação aqui, e talvez outras de forma mais discreta.

Ninguém com um mínimo de bom senso acredita que o agronegócio norte-americano esteja ou tenha estado em qualquer momento interessado em florestas de qualquer tipo e, ainda menos, num país distante.  Ou na biodiversidade, ou nas mudanças climáticas.  Mas… por que o Brasil?

Por uma razão simples, demasiadamente simples: o temor da concorrência com os produtos agropecuários brasileiros!  Eles querem a abertura do mercado brasileiro para os seus produtos de alta tecnologia mas fecham os seus mercados para as “commodities” agrícolas como o algodão e o etanol.

O uso de “cotas” e sobretaxas para atingir esses objetivos espúrios é o “normal” norte-americano – e o Brasil que se vire na Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas decisões, de toda forma, não são lá muito respeitadas pelos EUA.

Essa campanha farsante incluiu a confecção e o envio para os congressistas de um vídeo curto sobre os riscos e potencias prejuízos para o agribusiness dos EUA diante do crescimento das exportações brasileiras.  Essa peça publicitária usada para que o Congresso norte-americano não aprovasse lei contendo metas de redução das emissões de CO já foi mostrada neste blog, mas no atual momento vale relembrar essas raízes da mentira.

Com a muita grana e descaramento dessa turma, não é de se admirar que tenham crescido os recursos financeiros para ONGs de lá com franchises aqui acirrarem campanhas mentirosas contra o trabalho que vem sendo feito pelo Congresso Nacional em relação ao nunca votado “código florestal” (que não é código de coisa alguma, mas um fuxico de conceitos abstratos e mal costurados).  Afinal, é tão fácil capturar o imaginário de adolescentes e jovens urbanos que nada conhecem da produção de alimentos e menos ainda de conservação de solos ou de recursos hídricos.

Com a derrota final das proposta de Obama no Congresso dos EUA, esse apoio ao lobby feito no Brasil deveria ter-se reduzido.  Mas as pressões continuaram porque a posição brasileira na produção agropecuária internacional continua a ameaçar os interesses da produção de alimentos lá altamente subsidiada e consumidora de combustíveis fósseis.

De fato, os pecuaristas norte-americanos desencadearam nova ofensiva para contingenciar a exportação de carne brasileira.  Alegam aftosa, doença da vaca louca, qualquer mentira – e até que o gado provem de áreas desmatadas ilegalmente.  Logo eles, que têm a mais antiquada e menos sustentável produção pecuária do mundo: 10 calorias de petróleo por caloria de alimento produzida.  Uma carne vagabunda, de gado criado em grandes campos de concentração, alimentado com milho, soja, hormônios e antibióticos.  Querem manipular o preço da soja mas não querem qualquer valor agregado fora de lá.

E financiam ONGs “ambientalistas”.  Os impostores, é como deveriam ser conhecidos.  Não é essa a agropecuária que queremos!