Código Florestal e Pantanal – Parabéns à Prefeitura de Aquidauana

O pessoal do MMA encarregado da “gestão” de parques (entre aspas mesmo) não gosta de gente e nem de turismo de qualquer tipo.   A prova factual é a total falta de infraestrutura dos parques nacionais, impedindo o convívio de gente com a natureza.  Como já foi dito aqui, adoram ver os parques norte-americanos ou canadenses com as suas amplas estradas asfaltadas e pousadas confortáveis nos canais de televisão, mas assenhoram-se quase totalmente dos parques nacionais (e estaduais) para o seu uso pessoal.

Quando falam tanto na Amazônia e no código florestal não explicam o que vão fazer com as populações ribeirinhas.  Nem na Amazônia, nem ao longo de centenas de quilômetros do rio São Francisco, e muito menos no Pantanal.  O “bioma” deles é uma mancha no mapa do IBGE, sem gente.

Bem mais do que os rios da Amazônia, onde as planícies de alagamento são muito amplas, a vida humana em muitas áreas do Pantanal se tornará “ilegal” se o Congresso Nacional e o governo não flexibilizarem a bobagem da faixa marginal de proteção padrão para qualquer corpo d’água.

No Pantanal, a partir novembro – e até abril – as chuvas torrenciais alagam um percentual significativo das terras do Pantanal em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, formando “baías” de centenas de quilômetros quadrados.  A rede hídrica muda completamente e muitas estradas ficam sob as águas – são estradas ilegais? -, os animais se refugiam nas terras mais altas (chamadas de cordilheiras pelos incômodos humanos que vivem em toda o “bioma”), e em muitos locais o transporte só pode ser feito de barco ou por animais de carga.  Durante as cheias, não são poucas as povoações que só podem ser atingidas de barco ou de avião.

Em maio deste ano, um vídeo promocional patrocinado pela Prefeitura de Aquidauana ganhou um prêmio no festival Tour Filme Brazil, realizado em Florianópolis.  O prêmio foi na categoria Turismo de Ecologia e Natureza e vale ser visto aqui, tanto pela sua qualidade quanto para que ninguém ache que quem protege o Pantanal é alguma ONG gringa ou alguma ONG da família Klabin, ou que é possível ter uma regrinha “ambiental” imaginária aplicável em todos os recantos do Brasil.

Nesse festival, concorreram 496 filmes de todo o mundo, incluindo países como Índia, Camboja e Birmânia. O Tour Filme Brazil é membro do Comitê Internacional dos Festivais de Filmes Turísticos.  O filme brasileiro esta sendo exibido no mundo inteiro.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

3 comentários em “Código Florestal e Pantanal – Parabéns à Prefeitura de Aquidauana”

  1. Lindíssimo este video que eu não conhecia. Não há nada mais inebriante que escutar uma criança pantaneira falando sobre a relação entre ela e a natureza. Código florestal, para um destes pequenos pantaneiros que tenho em casa, não é lei, não é multa. É simplesmente a maré indo e vindo, doce ou salgada. São os bois, as guaviras, o pacú e o tatu, o cavalo preferido, tudo rodeado de gente. Não os escuto discriminando veranistas, nem se achando pura população tradicional, nem querendo museu de bugre vivo.

    Acho que essa turma precisa viver menos entre o teclado e as cadeiras anatômicas das agências regulatórias e ir a campo conviver com estes pequeninos. Eles sim sabem falar de manejo, de APA, do que realmente tem que ser só parque. Não fizeram doutorado em tuiuiu, mas sabem bem onde eles moram e o que falam. E sabem falar com eles.

    Adorei as imagens e a trilha sonora. Kimy

  2. Os parabéns são para as gentes do Pantanal e para a Prefeitura de Aquidauana.

    Não creio que a esmagadora maioria da turma desses órgãos ambientais da ilha da fantasia brasiliense saia das cadeiras e do ar refrigerado.

    Pelo menos o Aldo Rebelo tomou a iniciativa de sair por aí em audiências públicas ouvindo gente de verdade (nunca fui filiado e nenhum partido e nem sabia quem era ele). E agora, aparentemente, alguns senadores estão acordando para o fato de que.. perdoe-me a expressão, que não é minha, “o bioma está cag… para o código florestal”.

    Aproveite a vida aí onde quer que você esteja, antes que eles cheguem com a sua guarda nacional do marketing ambiental urbanóide.

  3. Do jeito que está, vamos ter que sumir do Pantanal para os “ambientabobos” fazerem de conta que estão trabalhando? Tenha dó! No Brasil, enquanto preservação ambiental for sinônimo de intocabilidade ambiental não teremos avanços. Fui criada vendo meu avô levar gado de um lado pro outro, como mostra no filme, pra fugir das cheias e conseguir manter o nosso sustento, só que se ele ainda estivesse vivo estaria correndo o risco de num futuro bem próximo ser considerado um “vilão ambiental”, por tocar área de preservação permanente prevista no “Super Código Florestal”. Este filme precisa ser exibido no intervalo da novela “das nove” e numa sessão do Congresso, não é mesmo? É realmente lindíssimo.

O que você pensa a respeito?