Extra! Extra! – Greenpeace e Outros Ongolóides Descobrem “Gente Pobre” na Amazônia

Franquias brasileiras de ONGs estrangeiras e suas parceiras locais também financiadas com dinheiro externo anunciaram uma sensacional descoberta (para o padrão mental delas): existem “humanóides” na Amazônia.  A notícia foi veiculada numa “reportagem” feita no quadro de contenção de despesas de O Globo que se propõe a fazer jornalismo telefônico e sem sair da redação.  De São Paulo, o repórter descobriu que de uma população de 7 milhões de habitante do Estado do Pará, cerca de 1,5 milhão ou metade da população rural vivem em “assentamentos”.

Os números da “reportagem” de O Globo limitam-se ao Pará, por falta de informações, falta de interesse pela pesquisa ou por se tratar de reportagem induzida pelas próprias ONGs (sim, O Globo se presta a esses papéis).  O fato é que a população da região Norte do Brasil é de 15,9 milhões e, como os ongolóides gostam de confundir Amazônia Legal com Amazônia quando isso lhes interessa, pode-se falar de uma população superior a 20 milhões.

No passado recente foi moda falar nos “povos da floresta”, mas essa expressão foi rapidamente banida do jargão ongolóide talvez pelo incômodo que os tais “povos” causavam à conveniente fantasia das florestas intocadas.  Agora, são esses povos que incomodam a floresta, e os ongolóides querem mais “fiscalização”.  Talvez um destacamento da Guarda Nacional em cada assentamento ou um programa de governo com um belo nome de fantasia: “bolsa polícia federal”, assegurando a cada família um poloicial.

Para o representante do Greenpeace, “o desmatamento causado por assentamentos é como um cupim que vai comendo a floresta pelas bordas”.   Imagina, então, se essa gente resolve comer e ainda por cima plantar ou criar algum gado para abastecer os centros urbanos – de todos os tamanhos – na Amazônia?  Pobre tem cada uma!!!  Se esse “cupim” – “gentinha” – não for bem fiscalizado, daqui a pouco vai querer até serviços de saúde, acesso à educação, energia elétrica e quem sabe celulares!!!  Tsc, tsc, tsc.  Pobre tem cada uma!….

Ongolóide não gosta mesmo de gente, e ainda menos de pobres!  Gente só é tolerável quando faz doações para as suas campanhas!

A “reportagem” de O Globo segue entrevistando apenas ongolóides.  Um representante do WWFR no Brasil – que atende pelo sugestivo nome de Scaramuzza – afirma que é preciso ensinar os pequenos produtores a praticar uma agropecuária sustentável, além do agroextrativismo.  Quem sabe uma pequena parcela dos 22 bilhões de dólares de investimentos financeiros do WWF possam ser destinados a demonstrar que é possível alguém viver do tal agroextrativismo?  Ou será que ele está se referindo ao tipo de agricultura praticado na terra-natal do WWF, nos EUA, onde são necessárias de 7 a 10 calorias de combustíveis fósseis para produzir uma caloria de alimentos?

Para simplificar uma longa história, vale rever fotos já aqui públicadas sobre como é a vida real em qualquer pequena cidade às margens da bacia hidrográfica da Amazônia – não tão diferente do que acontece no Tietê ou na baía de Guanabara.  Essa história de gente pobre é realmente insuportável para quem fala de Amazônia nas redações refrigeradas da grande imprensa ou nos restaurantes paulistanos.

Divirtam-se!   Afinal, para eles os problemas ambientais se ressumem às florestas.  E nunca dirão aos seus patrocinadores que cerca de 45% da Amazônia já são unidades de conservação ou terras indígenas.  Se não, arriscam perder a bolsa-teta.

Manacaparu - Às Margens do Soiimões
Manacapru - Margens do Solimões

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?