Senador Jorge Viana e a Burrice do Autoritarismo Ambientalóide

Moeda de político é voto e moeda da imprensa é notícia, não importando muito bem a origem e a lucidez de qualquer das duas.

Nessa linha, o senador pelo Acre resolveu tentar o filão das tragédias para abocanhar um naco da atenção do eleitorado e de credibilidade: a ênfase nos desastres naturais como algo que possa ser corrigido por lei ambiental.

Numa entrevista ao jornal Valor Econômico, marcada pelo aglomerado de conceitos vagos e sem que o jornalista Tarso Veloso sequer desse indícios de interesse em aprofundar qualquer dos tema abordado, Jorge Viana brandiu a vaga idéia de “áreas de risco” para as populações urbanas como algo que pudesse e devesse ser decidido em Brasília.

Às favas com a autonomia dos municípios para regulamentar o uso do solo urbano e, o que é igualmente grave, com a engenharia e as demais áreas de conhecimento científico e tecnológico que permitem ao ser humano intervir na utilização do território segundo as suas possibilidades.

O conceito de “risco ambiental” vem sendo objeto de crescente tentativa de cafetinagem política.  Há, nesse campo, uma convergência de interesses de grupos ambientalistas imunes ao conhecimento e à tecnologia, de um lado, e políticos que buscam ampliar os seus rebanhos de crentes.  Não existe país sério no mundo em que órgãos ambientais tenham se imiscuído com desembaraço só equiparável ao próprio despreparo na questão dos desastres naturais e similares.

Para Jorge Viana, a lei apelidada de “código florestal” dever ser clara e rigorosa em relação às cidades, e aí ele fala no plural majestático misturando alhos com bugalhos, demagogia com ignorância: “nós não podemos deixar uma parcela da população em risco e, novamente, seja em encosta ou mesmo margem de rio, seguir contando as vítimas; é preciso que tenhamos regramento rígido daqui para a frente no solo urbano”.

De fato, para as grandes ONGs ambientalóides, a “encosta” é um ente intocável dependendo da sua inclinação e só.  Que se dane o nível de estabilidade geológica, ou a engenharia que se pode aplicar na sua contenção – desde o corte em platôs até a edificação de estruturas de contenção.  Num surto do tipo “imperador do Acre”, Jorge Viana quer o rigor que não tem na formulação de seus raciocínios.  E muito menos a capacidade de ouvir especialistas com diversas formações.

Diante de qualquer crítica, essa gente vai se sair pela tangente e para mascarar os erros do usual autoritarismo de Brasília e o furor legislativo ambientalóide já expresso nos regulamentos que excluem as iniciativas “de interesse social” ou de “interesse público” de qualquer exigência da lei dita código.  O estado querendo, tudo pode!  O cidadão – seja favelado ou rico – que se dane; ou que se torne amigo do rei.

Exemplo simples que Jorge Viana teria a obrigação de conhecer se tivesse realmente interesse em pobres: as construções sobre palafitas nas tais faixas marginais de proteção dos rios!  Outros exemplos, se a sua visão ultrapassasse o Acre e, mais recentemente, os desvãos do poder em Brasília, as construções nas encostas feitas por Zanine – entre outras coisas, um mestre de construções em encostas (a reportagem enfatiza construções feitas por ricos, mas arte de Zanine pode ser aplicada a edificações simples).

Na reportagem, o mago Zanine afirma que “eu tenho cabeça; a minha cabeça é fantástica, como a de qualquer pessoa que tem cuidado com ela”.  A cabeça ambientalóide é monotônica, unidimensional, e fascista.

Senador Jorge Viana! – Acorde!  E veja com calma a belíssima entrevista de mestre Zanine.  Se assim não for, vocês vão acabar, com o estúpido conceito de “área urbana consolidada”, induzindo o MP a pedir a retirada das edificações em “topo de morro” do maravilhoso Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico de Inhotim, uma área entre muitas que NUNCA caberão na definição cretina de “área urbana consolidada” arquitetada apenas para justificar a continuação das favelas onde sempre estiveram.

Alguém tem que dar um basta nessa persistência na burrice característica das ações dos aiatolás do meio ambiente, desde as ONGs até o MP!  Diretrizes são melhores do que regras, tecnologia comprovadaé melhor do que ideologia vazia que fazer a realidade caber num manual como um cavalo selvagem numa caixa de sapatos.

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Vale ver a continuação da entrevista de Zanine, apesar das chatas aberturas e finalizações da reportagem da Casa Cor.  Bem pior é o jornalismo ambiental do Valor Econômico.

 

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Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

Um comentário em “Senador Jorge Viana e a Burrice do Autoritarismo Ambientalóide”

  1. Senador Jorge Viana, será que vocês parlamentares pensam que o povo é tolo? Você pensa que nós, povo,achamos que a Dilma está fazendo tudo que já deveriam ter feito, porque está ouvindo a voz do povo? Ora,senador, ela agora faz por medo dela e o PT não se reelegerem nunca mais.

O que você pensa a respeito?