Parque do Flamengo – O Porcão Faz a Porcaria

Na surdina, como quem quer usurpar direitos alheios, a churrascaria Porcão encomendou um projeto a Oscar Niemeyer para tentar, com isso, apropriar-se de um espaço público de imenso valor na mais linda enseada da baía de Guanabara.  E quando a notícia chegou à imprensa – projeto já pronto – forneceu uma visão “artística” do projeto direcionada para dar a impressão de que é uma algo irrelevante diante da imponência da paisagem.

Ainda no papel de usurpadores – desta vez da opinião pública -, essa gente resolveu colocar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN como único obstáculo.  Que se dane a opinião pública!

Numa resposta amplamente insuficiente – ou num jornalismo de péssima qualidade – , o superintende do IPHAN no Rio de Janeiro teria dito que o único obstáculo é o decreto federal que tombou o Parque do Flamengo, de 1965.   A essas alturas o chiqueiro inteiro já deve estar conversando com políticos variados para ver se a presidente Dilma Roussef muda o tal decreto.  O preço desses tráficos de influência não deve ser grande.  E que se dane a opinião pública!!

Tanto o argumento – um espaço para espetáculos no Parque do Flamengo naquele local – quanto a resposta preliminar do superintendente do IPHAN que limita a questão a um decreto – enfatizando que é de 65 – são medíocres.  O que realmente importa é mais simples, demasiadamente simples: o interesse público e a apropriação dos espaços públicos.

A abordagem da imprensa é ainda mais medíocre, exatamente por aceitar essa polarização vadia, preguiçosa.  O Parque do Flamengo tem uma história e o decreto que o tomba é resultado dessa história – sempre cuidadosamente escondida pela mediocridade política que assola o país.

Lota Macedo Soares, sugeriu o parque a Carlos Lacerda, e coordenou a sua implantação contra a opinião de todos da antiga Superintendência de Urbanismo e Saneamento – SURSAN, que odiava ver uma mulher e ainda por cima sem diploma de curso superior mudar radicalmente um projeto medíocre que só previa a implantação de novas pistas de tráfego ao longo da Praia do Flamengo.

Carlos Lacerda, então governador, apoiou Lota.  Quando este não fez o seu sucessor, percebeu que o então governador eleito Negrão de Lima poderia simplesmente lotear a área – como já havia sido feito com outros aterros na baía de Guanabara, conseguiu o tombamento exatamente para assegurar que o Parque permaneceria como uma área pública de lazer.  Na origem, ela falava em fazer, ali, algo mais bonito do que o Central Park de Nova York – e totalmente para uso público.

Não se trata, então, definitivamente, de modificar ou não um decreto, mas de saber em que medida a população quer que ali – justamente ali, na enseada – se faça um apropriação indevida do espaço público.  E a opinião publca.. que se dane?  Tudo vira um debate nos tapetões?

O fato do projeto ser ou não do Niemeyer, no caso, é totalmente irrelevante, não passa de uma tentativa de comprar corações e mentes!  A Constituição de 1988 estabeleceu um mecanismo de consulta pública – o referendo – que nunca foi utilizado.  Políticos e porcalhões: tirem as patas do Parque do Flamengo!  Alguém faria uma coisa dessas no Central Park sem consulta pública?

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A  “imagem artística” fornecida à imprensa e por ela repassada meio ao estilo dos moleques de recados, imagem forjada, farsante, mal intencionada, que sonega as informações básicas, que tenta vender Niemeyer para apresentar interesses de um único grupo privado como se fosse o interesse público, fornecida pelos “empreendedores” à imprensa, procura justamente sugerir que o projeto é “moderno” (no Rio de Janeiro, o “ligeirinho” velho de 20 anos em Curitiba e em São Paulo, virou “BRT”), só engana os otários.  Ninguém jamais verá “a coisa” desse ângulo!

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Parque do Flamengo – O Porcão Faz a Porcaria”

  1. O melhor seria que este pessoal entendesse que o parque do FLAMENGO é reconhecido como Patrimônio nacional e internacional e deve ser mantido conforme sua concepção original.

O que você pensa a respeito?