Durban e o Naufrágio Antecipado da Rio + 20

O turismo diplomático / temático sobre mudanças climáticas que está sendo finalizado em Durban é risível.  E, segundo John Vidal, editor de meio ambiente do jornal diário que dá a melhor cobertura nessa área, a não mais do que 5 km de Durban, o ar fede.

“Ali, duas refinarias de petróleo, as duas maiores fábricas de papel e o maior terminal de containers da África do Sul; além disso, uma dúzia de indústrias químicas, diversos grandes lixões, 80% da produção industrial de derivados de petróleo do país e uma boa parcela de suas emissões industriais. Os moradores da parte sul de Durban bem sabem o que são as tosses, as tonteiras, as crises de vômito e as dores de cabeça advindas de toda a poluição ali produzida.”

John Vidal cita Desmond D’As, líder da Aliança Ambiental da Comunidade do Sul de Durban, um ex-trabalhador da indústria química.

“Aqui temos todas as substâncias químicas do mundo: etanol, metanol, solventes, toxinas, benzeno, sulfetos, compostos clorados; duas vezes por semana ocorre a queima de gases; vazamentos, explosões e incêndios são comuns; e a poucos dessas fábricas e refinarias vivem 285.000 pessoas.  (…)  Aqui temos as mais elevadas taxas de câncer e de asma da África do Sul.  Um estudo recente mostrou que quase a metade das crianças da área sul de Durban têm asma.  E os níveis de poluição seriam inaceitáveis nos EUA ou em qualquer país rico.”

Os turistas da diplomacia e das ONGs que visitam Durban em nome de um acordo qualquer em torno das mudanças climáticas – ou de qualquer coisa que possa dar a impressão de que alguma decisão importante foi ali tomada – não verão essa área de Durban.

Durban está sendo uma piada!  O Japão, o Canadá e a Rússia já disseram que não apoiarão a extensão da farsa que foi o Protocolo de Kyoto.  A China já deixou claro que terá apenas suas metas internas de redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  Os EUA nunca assinaram qualquer tratado internacional na área de mudanças climáticas; e só está disposto a contribuir para o REDD – a nova moda – se houver transparência na aplicação dos recursos, uma transparência que os países do terceiro mundo não conseguem em nenhum campo de seus investimentos internos em áreas básicas como educação e saúde.

O encontro de Durban antecipa o naufrágio da Rio + 20, que tende a ser um encontro de ONGs que podem ser barulhentas mas confundem movimento com ação e não têm poderes para tomar qualquer decisão.  A Rio + 20 será apenas outro encontro turístico, com a presença mínima e irrelevante de chefes de estado: apenas 12 presidentes e primeiros-ministros esta semana em Durban, contra 120 deles em Copenhague, onde também nada foi decidido.

***

No exato momento em que este post é publicado, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) fala nas importantes relações entre o “código”  florestal e o cacau-cabrunca.  A versão remendada do antigo “código” não chega a caracterizar um “novo código”.  A maior parte das bobagens subsistem no “novo”.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Durban e o Naufrágio Antecipado da Rio + 20”

  1. E a ong IPAM usar dinheiro público para pagar viagem, hospedagem, ou seja patrocinar Marina Silva para detonar o Brasil? É a maior vergonha para os brasileiros que não se rebelam e exigem uma devassa fiscal nessas malditas ongs aproveitadoras que querem acabar com nosso pais. A imprensa, com a força que tem, é o único poder que pode desmascar tanta má fé e sujeira.

O que você pensa a respeito?