Folha de São Paulo – Prêmio de Pior “Jornalismo Ambiental”

Ao final do encontro turístico em Durban, a Folha de São Paulo deu as mais alvissareiras notícias: nos momentos finais, após um esforço hercúleo noite adentro, os participantes da jornada haviam conseguido não apenas um grande sucesso e, o que foi mais divertido, tudo devido a um genial coelho que havia sido tirado da  artola pelo líder da delegação brasileira.

Esse tom otimista e o conteúdo  “jornalístico” da notícia divergia totalmente do que nos mesmos  dias era publicado pelos jornais mais sérios do mundo: Le Monde, The Guardian, The San Francisco Chronicle, New York Times e, segundo  estes, o jornal (governamental) de Pequim e os jornais indianos.

Pouco a pouco, o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo moveu-se na direção de maior contato com a realidade: o Brasil havia sido contrário a qualquer novo acordo até 2020 – já que, em tese, tem metas próprias de redução de emissões -, o que se conseguiu em Durban foi irrelevante – um acordo segundo o qual é preciso se buscar um acordo -, e alguns “detalhes”adicionais: o tal protocolo de Kyoto não impõe qualquer regra para países como Brasil, China e Índia,  e não foi – e nem será – subscrito pelos EUA.

Fora isso, um tal fundo ambiental ou verde (ao gosto do fregues) que atingiria US$ 100 bilhões por ano  até 2020… mas que ninguém sabe de onde virá a improvável bufunfa tendo em vista a crise econômica que não dá sequer  indícios de ceder e a marcada incapacidade de muitos países em  desenvolvimento de administrarem recursos financeiros até mesmo para coisas elementares como educação, saúde e saneamento (como é o  caso do Brasil).

A saída do Canadá do natimorto Protocolo de Kyoto – serviu para dar alguns rocados para corretores e para transferir emissões de países ricos para economias periféricas – já havia sido anunciada antes do encontro de Durban, mas o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo – marcadamente “verde” preferiu não dar a informação o necessário destaque.

Enfim, com a cobertura do encontro de turismo ecológico de Durban, a Folha de São Paulo conseguiria o prêmio de “pior jornalismo ambiental do mundo”, se tal prêmio existisse.  Trata-se, apenas, da tentativa de enquadrar a realidade num conjunto de conceitos “verdolengos”.  Mas, será que isso importa para a Folha de São Paulo?  Talvez o objetivo seja vender notícias para o público jovem da papulicéia…

O que se decidiu em Durban foi NA-DA!  Isso não significa que todo o noticiário sobre as mudanças climáticas – não o de ONGs, inúteis, mas o de cientistas – não tenha tido qualquer resultado.  Ao contrário: a eficiência energética vem crescendo muito nos países desenvolvidos, que já começam a vender essas tecnologias para os países de economia periférica (em termos científicos e tecnológicos, a China já pode ser colocada entre os países desenvolvidos.  As mudanças climáticas certamente não foram a única razão para que isso acontecesse, até porque países como os EUA e a Alemanha estão muito mais preocupados com a própria segurança energética preocupação que também influi – e muito – na busca de eficiência energética e de energias alternativas.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Folha de São Paulo – Prêmio de Pior “Jornalismo Ambiental””

  1. Para a formação de um país ético, livre e soberano, as fontes de informação devem ser verdadeiras. Um jornal sério não se coloca a serviço de um grupo ou elite, tornando-se parcial, em detrimento de interesses particulares. O público leitor tem direito a verdade dos fatos sem servir de massa de manobra para jornais tendenciosos e ideológicos. Por ser o jornal um veículo formador de opinião, as informações que recebemos não devem ser passíveis de suspeitas, colocando-nos como reféns de suas verdades construídas. Alguns profissionais como editores, repórteres, colunistas, cronistas, são colocados por empresas jornalísticas como muralhas de defesa a interesses ocultos a serviço de terceiros. Buscar várias fontes de informação para se chegar à verdade é aceitar que o jornal não merece credibilidade, perdendo sua real função social. Assim como abominável é o político que compra votos, também é abominável o jornal que vende mentiras.

O que você pensa a respeito?