Economia Verde – A Enganação (Européia) Combinada – II

A União Européia que tanto fala em “economia verde” não conseguiu, nos últimos dias, aprovar uma proposta de inclusão do óleo extraído de areais betuminosas numa categoria abstrata cujo nome de fantasia seria “altamente poluente”.  Entre os arautos do combate às mudanças climáticas que se abstiveram incluem-se Reino Unido, Alemanha, Holanda e França; outros, com menos pudor, votaram contra a iniciativa, entre os quais Itália e Espanha; só votaram a favor países altamente desenvolvidos como Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustria.

Todos sabem que a queima do petróleo extraído de areais betuminosas emite cerca de 25% mais carbono do que o petróleo “comum”.  Mas, como o Canadá é o segundo maior detentor de reservas de areias betuminosas do mundo e os interesses das grandes petroleiras falaram alto, não há indícios de que a medida venha a ser aprovada.  Para que isso acontecesse, seria necessária uma maioria de 3/4 – mas só 89 votos favoráveis foram dados à proposta; 128 foram contrários, além de 128 abstenções.

Se as areias betuminosas estivessem na China ou mesmo no Brasil, o apoio à iniciativa seria maciço!

Esse resultado da votação, cuidadosamente sonegado da opinião pública, foi interpretado por analistas europeus como um claro questionamento da capacidade da União Européia de implementar as suas próprias propostas e políticas de combate às emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

Depois de mais esse fiasco, 0 Brasil que se prepare! – é quase certo que será desencadeada uma nova campanha sobre a importância das florestas amazônicas, quem sabe até com novas promessas de um fenomenal montante de recursos para o mecanismo conhecido como REDD – sigla para a redução das emissões por desmatamento, como já fizeram anteriormente para mascarar o naufrágio em Copenhagen (2009), quando o foco das atenções eram as mudanças climáticas e a extensão do Protocolo de Kyoto.  E os tolos acreditarão! – novamente.

É essa gente que fala em “economia verde”…. sempre que existe a possibilidade de faturar algum com a venda de tecnologias.

Ah – a tendência da União Européia é aceitar que a queima do petróleo proveniente de areias betuminosas emite cerca de 22% mais gases causadoras de mudanças climáticas apenas pela quantidade de energia extra necessária à sua extração e reino.  Eles não gostam de falar nas imensas quantidades de águas contaminadas ou de fazer referência à devastação das florestas boreais em decorrência da exploração dessas areias.

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Existem, de fato, muitas tecnologias e atividades econômicas “verdes” que já têm o seu próprio mercado.  Elas serão analisadas em breve nestes comentários.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?