Economia Verde, Rio + 20 e Turismo Ecológico – III

Temerosos de que ninguém de peso no cenário político internacional compareça à Rio + 20, os funcionários da ONU encarregados de sua organização optaram por adiá-la em uma semana para evitar que coincidisse com o “jubileu de diamantes” da rainha da Inglaterra.  Afinal, o establishment inglês vai querer participar das comemorações das lembranças dos velhos tempos em que o país tinha colônias pelo mundo afora.

Considerando a agenda apertada dos governantes dos países altamente desenvolvidos – os EUA estará às vésperas de eleições presidenciais -, os burocratas da ONU já optaram, também, por reduzir para 3 dias o período de realização da Rio + 20.  A Rio 92 durou duas semanas!  A ocupação militar do Rio de Janeiro será reduzida proporcionalmente.  Que bom!

A conferência anterior do mesmo tipo, realizada em Joanesburgo em 2002 e apelidada de Rio + 10 durou 10 dias e não tomou nenhuma decisão.  George W. Bush a boicotou e por essa ausência foi aplaudido por grupos conservadores em seu país, que não enviou sequer uma delegação.  Lá, reuniram-se basicamente um grupo de ONGs e empresários.

Em janeiro deste ano, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNCSD, na sigle em inglês) divulgou um documento intitulado “rascunho zero” ou “versão zero do rascunho”.  Costuma ser bem divertido o idioma falado pela burocracia da ONU!  A interpretação geral dada ao tal documento foi de que nenhum país será sequer convidado a assinar nada.  A página da Rio + 20 na internet é divertida o suficiente para informar que os “eventos paralelos” durarão muito mais do que os eventos oficiais: 10 dias!

Na área sobre economia verde da página da Rio + 20 na internet há documentos com editoração gráfica de qualidade duvidosa e a palavra “roadmap” – “mapa do caminho” na tradução da delegação brasileira em Bali – foi substituída por “pathways” – expressão bem menos ambiciosa.  Nas palavras da ONG washingtoniana Iniciativa por Direitos e Recursos – uma dessas ONGs financiada por outras ONGs – “não há nada na minuta zero produzida pela organização da Rio + 20 que sequer mencione os direitos dos pobres à sua terra e às suas florestas”.

Espera-se, agora, pelo que resultará do encontro do Conselho Internacional para a Ciência que ocorrerá ao final de março em Londres com a denominação de Planeta Sob Pressão com o objetivo de induzir os políticos a terem algum contato com a realidade planetária não imediata e eleitoral.  Para isso, tentarão usar as credenciais da representação de grupos científicos de 140 países.  É bem difícil de prever o que resultará quando o Conselho Internacional para a Ciência discute um pouco de tudo, desde a patente sobre genes até nano-materiais.

Quem sabe, a necessidade maior é que a turma da “economia verde” comece a conversar com a economia real.  Afinal, se desconsideradas as grandes hidrelétricas, que agora sofrem a oposição dos movimentos ambientalistas, a participação das energias renováveis na matriz energética mundial é simplesmente desprezível (ainda que se possa falar em elevadas taxas de crescimento, já que é bem mais fácil ter um crescimento muito elevado quando se é bem pequeno).

O mais provável é que a Rio + 20 seja um grande evento turístico e as autoridades ambientais brasileiras talvez sejam mais efetivas se planejarem belas programas de “turismo ambiental” nas raras unidades de conservação que dispõe de ALGUMA infraestrutura (de verdade) para receber visitantes.  No momento, não ocorre ao autor deste blog nem uma só no estado do Rio de Janeiro.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?