Código Florestal – “Ambientalismo” e Pensamento Mágico

Uma das maiores tolices do pensamento mágico de grupos ambientalistas que atuam no Brasil – aí incluído aquele pequeno grupo MP que tentou interferir nos trabalhos do Legislativo – é que as encostas têm que ser protegidas por estarem sujeitas a deslizamentos.  Essa tolice consumada só é possível pelo alto grau pelo total desconhecimento do que aconteceu e acontece em outros países e pelo desprezo a tudo que se relaciona ao mundo real.  Mas, também, pela ignorância da Geologia e das possibilidades abertas pela Geotecnia.  Essa turma prefere o apego ao conforto das abstrações que não têm responsabilidade com resultados e pelo pensamento mágico do tipo “a gestão de meio ambiente existe porque a lei está escrita”.

Como uma considerável parcela desses ativistas – que confundem movimento com ação –  é meio hippie e devota da Mãe-Terra, vale observar imagens dos terraços que fizeram os  Incas num “vale sagrado“, em plena consonância com a Pacha Mama: não transformaram a encosta em “área de preservação permanente” mas interferiram de maneira radical nela – inclusive trazendo solos de outras regiões – em prol da segurança alimentar das pessoas.

Atualmente, a mesma coisa continua a ser feita para o melhor aproveitamento de terras agrícolas, com o apoio das agências de cooperação técnica do Canadá e do Japão, como se pode ver nos primeiros minutos das imagens de divulgação de um programa feito em colaboração com o governo de Ruanda para o desenvolvimento da agricultura nas encostas.   Serão os que concebem e apoiam esses projetos apenas um bando de ignorantes das “leis da natureza”? Ruralistas?

Dito isso, é interessante ver como “ambientalistas” – de ONGs ou atuantes no MP – ignoraram durante décadas a efetiva aplicação das abstrações do “código”.  Essa é uma imagem do reservatório de Funil, situado na divisa dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.  Vegetação nativa nas “áreas de preservação permanente” de margens de reservatórios?  Qual nada!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para quem não gosta da tal da realidade, quem sabe uma imagem mais aproximada?  Aí, talvez, façam um Termo de Ajuste de Conduta – TAC!  E depois o TAC do TAC.  E assim por diante!  Bem diferente do que seria feito com produtores rurais, já que o responsável neste caso é uma estatal de renome: Furnas Centrais Elétricas.  Então, que sabem como “compensação ambiental” reservem até um trocado para estudar a “comunidade bentônica” do reservatório.  Afinal, não há pressa, já que esse reservatório é contemporâneo da versão em vigor do tal “código” florestal: a Usina Hidrelétrica de Funil entrou em operação em 1969!

 

Aos ambientalistas do MP que redigiram até “nota técnica” – sem o mais vago traço de qualquer técnica – vale fazer uma pergunta simples:  como é feito o trabalho de contenção dos processos erosivos no entorno e à montante dos reservatórios dos países s bem mais desenvolvidos e que há muito (MUITO!) já resolveram esses problemas?  Ah – isso eles não sabem!  E nem querem saber.  Esse é um belo exemplo da ignorância orgulhosa de si mesma, petulante, autoritária, fascista mesmo.  Mas talvez saibam que certamente não é com “áreas de preservação permanente” de largura fixa estabelecida em lei, abstrações dignas do pensamento mágico mais primitivo.

Esse “código”, revisto ou não, remendado por novas medidas provisórias para tentar agradar a gregos e troianos,  não superará a tal da insegurança jurídica!  Isso porque nunca ninguém saberá, por exemplo, onde é a cota de cheia máxima de um rio – tarefa que só pode caber ao estado, que não a realiza; ou em que encostas não se pode fazer nada – nas áreas rurais ou urbanas – pelo simples fato de que as encostas não são linhas reta e podem acrescentar um declive em cada trecho.  Nos países minimante sérios, os riscos de deslizamentos de encostas são definidos no mundo real, por equipes de profissionais, com a indicação das medidas para que seja evitados tais riscos, bem como os de perda de solo.  Não são “ambientalistas” e jovens do MP – idealistas e sem experiências no mundo real –  que cuidam de assuntos cuja definição requer especialização profissional.

O “código” – entre aspas porque a palavra deveria se referir a algo sistemático e exaustivo – sempre foi e continuará sendo inútil.  Essa turma brinca de fazer gestão ambiental!  Mas agora com uma estratégia mais clara: a imobilização do território nacional.

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?