Economia “Verde” – Eficiência e Segurança Energética – A Inglaterra Anuncia Novos Mecanismos de Incentivo

A Inglaterra prepara-se para lançar um novo mecanismos de incentivo à eficiência energética: os consumidores poderão fazer os investimentos e pagar de acordo com a redução de suas contas de eletricidade.

Projeções iniciais indicam que com a alavancagem das tecnologias já disponíveis no mercado inglês, a economia de energia até 2020 será suficiente para abastecer 1 milhão de residências.  Apenas no setor de insulação de edificações, o número de empregos deve subir dos atuais 26.000 para cerca de 60.000.   A projeção de investimentos com a nova estrutura de financiamento é de R$ 4 bilhões, com potencial de atendimento de 15 milhões de residências.

A ideia inicial é dar poder aos consumidores e aos fornecedores de tecnologias para decidir sobre as melhores opções, dinamizando um mercado ainda nascente.  Alguns fornecedores de tecnologias e prestadores de serviços já se preparam para estender as mesmas práticas para as edificações comerciais.

O governo inglês afirma que concederá incentivos de aproximadamente R$ 670 milhões; os fornecedores de tecnologias e de serviços pedem maiores esclarecimentos e transparência sobre como serão distribuídos tais subsídios.

Esquemas de promoção de eficiência energética baseados na divisão da economia resultante de investimentos – shared-savings – já haviam sido amplamente adotados nos EUA no início da década de 1990.  O pagamento ao fornecedor dos serviços era calculado com base no custo evitado de geração de uma unidade adicional de energia elétrica conforme proposto pela concessionária à agência regulatória, ao qual se somavam os custos de transmissão e de distribuição.    Assim, se o custo marginal de geração (custo de geração de 1 kW adicional) fosse de 100 (unidade de valor imaginária) e o custo de economizar a mesma quantidade de energia (aumentar a eficiência) numa instalação como um aeroporto ou shopping fosse de 60, a concessionária deveria arcar com uma parte dos investimentos em eficiência energética.  Esse mecanismo, que alavancou enormemente todo um segmento da economia, aumentando a eficiência global do sistema, ficou conhecido como gerenciamento da demanda, tirando as concessionárias de confortável posição de meras vendedoras de eletricidade

Hora de rever as políticas de eficiência energética brasileiras, que são extremamente tímidas e cujos resultados são altamente questionáveis.

O Brasil ainda não chegou a absorver de forma efetiva o conceito de “economia verde”, ainda que sejam imensos os potenciais benefícios de iniciativas na área de eficiência energética, tanto para os consumidores quanto para o dinamismo e a eficiência da economia nacional.

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?