A Farsa do Protocolo de Kyoto Ganha Sobrevida Anêmica

O Protocolo de Kyoto ja nasceu como uma farsa criada por burocratas, muitos dos quais mascarados de economistas e enraizados nos bancos mundiais da vida.  Afinal, de que poderia servir uma papelada sem fim para comprovar que uma indústria reduziu as suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas quando apenas os exportou para algum país de economia periférica?  De fato,  nunca se cogitou de colocar limites ao próprio uso de combustíveis fósseis cujas reservas continuam a crescer e a serem exploradas!  Petróleo, gás e carvão continuarão a ser as principais fontes de energia e as matérias-primas fundamentais utilizadas para a civilização contemporânea.  Ou alguém imagina um mundo só de plásticos biodegradáveis, bonitinhos, feitos de milho e similares?

No Brasil, a farsa da redução do desmatamento como forma de demonstrar compromisso com a redução das emissões nacionais e até mesmo globais nunca se arriscou ao confronto numérico com o aumento das emissões resultantes da exploração de petróleo do pré-sal, ou dos muitos estímulos ao crescimento da indústria automobilística, e por aí afora.  Quantas amazônias devem ser plantadas para “compensar” o pré-sal?  A tal da realidade é demasiadamente incômoda e o ambientalismo que cacareja para a esquerda e põe ovos açucarados para a direita precisa se blindar de qualquer contágio decorrente do contato com ela.

Nos últimos anos, a burocracia das mudanças climáticas – composta de diplomatas de quinta linha, ministros de meio ambiente e seus acólitos de ONGs variadas – conseguiu apelar até mesmo para o esoterismo em compotas com reuniões e documentos que receberam nomes como “roadmap” que na tradução para o portugues ficaram ainda mais engraçados: o mapa da caminho.  Mas nada de concreto.

Enceerrou-se a última Conferência Sobre o Clima da ONU com um pífio faz de conta de que o Protocolo de Kyoto foi prorrogado até 2020.  Não importa que ao longo da vida do tal Protocolo as emissões de gases causadores de mudanças climáticas só tenham aumentado.  E, o que é pior, agora só participam da brincadeira países responsáveis por 15% das emissões totais.  Esse é o divertido percentual ao que se chega quando se considera que do Protocolo se retiraram Japão, China, Índia, Austrália, Nova Zelandia, Canadá e Rússia (os EUA nunca aderiram ao Protocolo, como nunca aderiram à Convenção da Biodiversidade).

Possivelmente detentor de um título de pós-doutorado em abstrações e generalidades, o “negociador-chefe” da delegação brasileira na conferência do clima realizada no Qatar afirmou à imprensaa que “queremos um novo instrumento que assegure que todos os países tenham obrigações”.  Ah, bom.  O mesmo discurso de Obama na conferência da Oslo, muitas vezes requentado desde então.  “Só falta combinar isso com os adversários” – como diria Garrincha diante de um técnico que propunha um futebol matemático.

Já a Europa tem metas próprias.  As metas europeias de redução de emissões não dependem desses fantasiosos encontros da burocracia internacional como são as “cúpulas do clima”, já realizada até mesmo em Bali para melhor assegurar o turismo de seus participantes.  Nessas ocasiões, a diplomacia e a política de nível decisório inferior se uniram ao ambientalismo de boutique para planejar uma viagem à Terra do Nunca, de Peter Pan.  Nenhum deles se pergunta se as metas são possíveis de serem atingidas e como isso pode acontecer?

De fato, as metas da União Europeia são bastante mais reais, como as que se apoiam nas possibilidades de aumento da eficiência energética nas edificações.  Se economicamente viável, essa iniciativa representará um mega estímulo ao setor imobiliário e às tecnologias relacionadas à eficiência energética, como bombas de calor e outras.  Ou seja, as metas europeias de redução de emissões de gases ó totalmente compatível com o desenvolvimento da economia de seus países membros (até porque, se assim não for, nada acontece).

No Brasil, esses planos de investimento em eficiência energética não existem, o controle das emissões restringe-se à redução do desmatamento na Amazônia, e os países desenvolvidos nunca compraram gato por lebre a ponto de liberar recursos para o Brasil fazer o que já tinha mesmo que fazer – cumprir a própria lei.  Os altamente desenvolvidos não vão despejar dinheiro sério em Fundo Amazônico nenhum!

Prorrogado o Protocolo de interesse dos europeus, será possível continuar a transferência das emissões e da poluição em geral para países de economia periférica como o Brasil.  Assim aconteceu no caso da instalação da Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA no estado do Rio de Janeiro – que beneficiou o grupo ThyssenKrup com os tais créditos de carbono.  Eles não são fofos?

Ninguém ganha nada, exceto um número cada vez mais reduzido de corretoras que trabalham nesse mercado fictício de papéis sem lastro.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?