Banco Mundial, BID e Outros Hipócritas

Os ambientalistas andam reclamando – novamente! – do Banco Mundial.  A instituição seria “hipócrita” ao defender limites à emissão de gases causadores de mudanças climáticas num relatório bastante assustador ao mesmo tempo que 0 seu “braço privado” – a Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) anuncia o apoio a um mega-projeto de mineração de ouro e cobre ao sul do deserto de Gobi, na Mongólia, que inclui uma usina térmica a carvao com capacidade de 750 MW.  O custo total estimado do projeto é de US$ 13,2 bilhões e o empreendedor é a Rio Tinto, gigante da mineração que como tantos outros tem a cara de pau de se considerar um modelo de responsabilidade social e ambiental.  Esperar que um banco e uma mineradora não sejam hipócritas quando se trata de questão ambiental é mesmo coisa de “abraçadores de árvores” – uma tradução da divertida expressão inglesa “tree huggers”.

Uma banco é um banco é um banco e é um banco, não importando se com a máscara de um banco de dsenvolvimento internacional ou latino-americano (no caso do BID) ou outra.  A sua “função social” é emprestar dinheiro e ganhar mais dinheiro.  Afinal, trata-se do maior projeto de mineração de cobre do mundo e sempre se pode aumentar um pouquinho a geração de energia térmica – no atual estágio destinada exclusivamente à mineração e ao processamento de cobre – para deixar alguma coisa para as populações nômades dessa região da Mongólia.  E não faltarão ofertas de plantio de árvores à título de “compensação ambiental”, expressão tão ao agrado dos ambientalistas brasileiros.  De repente, aparecem alguns com a proposta de plantar 500 milhões de mudas de essências nativas da Mata Atlântica, ainda que não exista essa disponibilidade de mudas e nem o local para plantio onde elas possam ter manutenção adequada e “vingarem”.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID não está sendo menos hipócrita ao abandonar o nome Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – PDBG, que ele próprio considerou altamente insatisfatório em seu relatório final (colocando a culpa nos outros, é claro), e começar um novo com o nome de fantasia mais discreto de Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios da Área da Baía de Guanabara.  Assim, em lugar da sigla PDBG II – que serio mais honesta – adotou-se a discreta sigla PSAM.

No caso desses bancos que usam a máscara do “desenvolvimento” – ainda que nenhum país jamais tenha se desenvolvido com os seus empréstimos – as coisas são até mais simples, já que as garantias são “soberanas”, isto é, são dadas pelos países e não pelos órgãos ou governos estaduais encarregados da implementação dos projetos.  Então, não há razões para preocupações.  Eles sempre serão pagos.  E nunca aconteceu desses bancos interromperam o desembolso porque algo não estava sendo feito como projetado.  No mais, como bancos, os seus funcionários têm metas para fazer os clientes engolirem os empréstimos e, se necessário, fazer aquilo que uma ex-vice-presidente executiva do BID (que é quem de fato manda), Nancy Birdsall, chamava de “shovelling money“, ou jogar dinheiro com uma pá como  quem remove neve ou lixo da calçada.

Mas, para sermos justos, há que dizer que esses bancos não são menos hipócritas do que os governos ou as corporações multinacionais, além dos próprios ambientalistas.  Ou alguém quer ficar sem cobre?

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?