A Floresta da Tijuca Abandonada – IV

Alguns doa mais importantes marcos históricos comemorativos do Parque Nacional da Tijuca também estão em estado deplorável.  Entre eles, aquele que fica na entrada do estacionamento de um dos principaís pontos de visitação – a Cascatinha Taunay.

Nicolas-Antoine Taunay chegou ao Rio de Janeiro em 1816 como integrante da Missão Artística Francesa, junto com personalidades tão importantes para a cultura brasileira quando Jean-Baptiste Debret e Granjean de Montigny.  Anos depois, Taunay seria o grande mestre de pintura da paisagem e diretor da Academia Imperial de Belas Artes.  Amante da natureza, pouco depois de chegar ao Brasil, Taunay adquire um propriedade e constrói a sua casa simples – imagem abaixo – onde hoje é o estacionamento da Cascatinha Taunay, e lá vai morar com a sua esposa e seus quatro filhos.  Foi uma opção de vida que os atuais “ambientalistas de grife” nunca fariam.

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Muito tempo depois de seu falecimento, o governo faz ali um marco  que se encontra no estado que pode ser visto na foto abaixo, saudando os visitantes e turistas na parada quase obrigátoria de visitação da Cascatinha.

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Pouco mais adiante encontra-se outro marco, em homenagem a outra personalidade ilustre da vida brasileira, o barão Gastão d’Escrangolle, que entre muitas contribuições ao Brasil deu continuidade ao trabalho de reflorestamento iniciado em 1861 pelo major Archer, que ao longo de 13 anos plantou cerca de 100.000 mudas.  Escragnolle foi o segundo administrador da floresta, entre 1874 e 1888, período em que foram plantadas mais 30.000 mudas e a área foi transformada num parque público, com a criação de pontes, fontes, lagos e locais de lazer com o auxílio do paisagista francês Auguste Glazier.

O marco em homenagem a Escrangolle encontra-se como se vê na foto abaixo.

 

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É assim que se “administra” um parque nacional e que a cidade se prepara para receber grandes eventos internacionais?  (Não se trata, aqui, de personalizar e falar de um administrador, mas do sistema… ou das insuficiências do sistema de gestão dos parques brasileiros).

Entre 1943 e 1946 foram feitas as últimas obras signficativas de restauação da parque público, por Raymundo Ottoni de Castro Maya, que para tanto contou com o trabalho do arquiteto Vladimir Alves de Souza e do mais renomado paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx. Castro Maia – de família rica – recuperou a floresta recebendo o valor simbólico de 1 cruzeiro por ano como pagamento por sua administração.  Um Klabin da vida, metido a “ambientalista”, não faria isso hoje.

Sim, encontra-se em andamento uma recueperação do Açude da Solidão, na saída do Parque Nacional da Tijuca, trabalho realizado sem que se diga que volume de sedimentos que dele está sendo retirado e qual a sua destinação.  Afinal, se um proprietário de área privada quiser fazer a mesma coisa terá que passar por um calvário de licenciamento ambiental.

No Parque, não se encontram informações sobre a sua formação e o que nele se encontra para que os visitantes levem consigo.

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?