ANTT, Pavimentação de Estradas e Ruas, Descaso com o Meio Ambiente e Custos Sociais

Cerca de 2:30 horas para percorrer 15 km numa estrada federal do Rio de Janeiro – entre Manilha e a pouco antes da Ponte Rio-Niterói – significaram uma velocidade média de 6 km/hora.  Nenhum acidente e nem “”excesso de veículos”, apenas a esculhabação absoluta no planejamento e na execução de um mero recapeamento (note-se bem, sem mudança na base da estrada).  A tal Agência Nacional de Transportes Terrestres está pouco se lixando para a população, para o consumo de combustível, para a poluição, para o desgaste dos veículos, para  a perda de tempo  e para o custo social em geral de seu descaso e/ou incompetência.  O planejamento das obras para evitar ou minimizar esses impactos é zero.  E a empreiteira faz o que bem entende, de acordo com a sua conveniência de ocasião.

É fato notório que veículos se deslocando em velocidades demasiadamente baixas, em especial com paradas sucessivas, consomem muito mais combustível do que aqueles que se deslocam em velocidade constante e, sobretudo, na velocidade ideal, em geral em torno dos 80-100 km/hora no caso de veículos de passeio.  A figura abaixo dá uma boa ideia desse tipo de variação.

fuel economy per gallon

 

 

 

 

 

 

Outros estudos, sobre o tráfego de veículos em áreas congestionadas indicam aumento significativo de consumo de combustível – em até 70% – e, portanto, de emissões de poluentes.

Realizar os trabalhos no período noturno para evitar esses elevados custos sociais?  Nem pensar!  O que vale é o menor preço da obra – e não a sua durabilidade, qualidade da execução, os incômodos aos cidadãos ou os custos sociais, mas apenas os equipamentos e e a tecnologia  que a empreiteira contratada tiver disponíveis para minimizar os seus próprios custos e aumentar a sua margem de lucros.  Com a melhor tecnologia, as pistas podem ser liberadas em duas horas ou pouco mais, e os trabalhos noturnos evitariam esse ataque adicional da ANTT e de seus parceiros aos bolsos dos cidadãos.

Vale dizer que essas tecnologias e opções para o planejamento de obras que envolvam congestionamentos adicionais no tráfego de veículos são conhecidas no Brasil, mas quase nunca são consideradas na contratação de obras públicas.  Esse tipo de avaliação é rotineiro nos países sérios, onde a economia para o conjunto da sociedade é levada em consideração e nos quais todos os órgãos governamentais buscam a eficiência do sistema, e não apenas os seus próprios interesses circunstanciais.

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Dias depois desta psotagem, em pleno carnaval, os mega-engarrafamentos no mesmo trecho da estrada voltaram a se repetir.  A concessionária está pouco se lixando para o “distinto público” e sua grande aliada – a tal ANTT, que ninguém sabe o que faz – não está nem aí.  Os contratos de concessão de estradas estão a cada dia piores.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?