Poluição Atmosférica nos Grandes Centros Urbanos – Avanços e Atrasos Tecnológicos

Pouco depois de assumir o cargo, o prefeito petista de São Paulo anunciou a desmontagem de uma parte da máfia de medição de emissões de veículos automotores, eliminando a exigência para veículos novos e aumentando o espaço entre as vistorias.  Parabéns para ele e para os paulistanos.  Muito frequentemente, os equipamentos utilizados para essas medições nem funcionam – como é frequente no Rio.  O dinheiro assim economizado poderá ser usado em alguma coisa útil, reduzindo o custo-Brasil que vem aumentando muito com o ambientalismo de algibeira.

No lado sério do mundo, a administração Obama está exigindo uma drástica elevação da eficiência dos veículos automotores, isto é, um significativo aumento das distâncias percorridas com cada litro ou galão de gasolina.

No Brasil, país de atraso tecnológico, não há qualquer indício de exigência de que pelo menos os ônibus urbanos sejam híbridos, ainda que esses veículos já sejam fabricados no país para exportação (entre outros destinos, Chile e México).  As empresas de ônibus não querem, não se interessam, e ponto.

Nos EUA, as montadoras de veículos já testam o uso de novos materiais, mais resistentes e mais leves, lá conhecidos como composites.  O desenvolvimento desses materiais surgiu da pesquisa científica pura, depois aplicada às necessidades da exploração espacial, e daí para a indústria aeroespacial.  Essa aparente maluquice norte-americana sempre gerou, além de conquistas simbólicas, uma grande quantidade de novos materiais.  É uma forma de subsidiar/apoiar a pesquisa científica e aplicada com notáveis resultados comerciais e econômicos.  Os avanços militares, apesar de todo um conjunto de objetivos espúrios – além daqueles denominados de “defesa” – também têm cumprido as mesmas funções: GPS e internet eram segredos militares até que Clinton resolveu liberá-los para utilização comercial.

O Brasil não tem políticas científicas e tecnológicas consistentes.  Na verdade, tampouco tem políticas educacionais consistentes e bem sucedidas, exceto em bolsões isolados (sempre há bolsões isolados), o que impacta negativamente a pesquisa científica pura e aplicada.  E tampouco tem políticas de importação de tecnologias selecionadas consideradas estratégicas, como fez a China.

A redução da poluição atmosférica nas grandes regiões metropolitanas passa muito mais pela adoção de veículos elétricos ou híbridos e, agora, por estratégias claras nas área da incorporação desses novos materiais do que da já antiquada da medição mandatória de gases de escapamento que mais beneficiam as empresas prestadorasa desses serviços do que a saúde pública.  Veículos muito mais leves percorrerão maiores distâncias com menos combustível.

Alguns usos desses materiais podem ser vistos na página de um de seus maiores fabricantes, que resultou de um processo consistente de fusões e de aquisições.

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As autoridades ambientais brasileiras não têm uma política para estimular o uso de veículos elétricos ou híbridos, e ainda se deleitam com o uso do etanol, que compete pela produção de alimentos com terras agrícolas.  Os governos – federal e estaduais – não têm incentivos tributários ou outros, como ocorreu nos países sérios.  E nenhuma cidade brasileira tem uma política consistente de apoio a esses veículos – nem sequer no campo do transporte público.  Nada como ocorreu em Los Angeles e em San Francisco, nos EUA, em que os códigos de obras previram a necessidade de instalações para a recarga de baterias em áreas de estacionamento e até mesmo em edificações comerciais ou pluri-residenciais.

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?