A Tolice das Áreas de Preservação Permanente no Brasil e a Ocupação do Lago Ontário

Em recente artigo, Ricardo Setti escreveu na Veja sobre as belezas do Lago Ontário, com o título “Parece o paraíso mais existe: a fronteira entre o Canadá e EUA”.   Na verdade, publicou um conjunto de lindíssimas fotos, com um parágrafo introdutório.  Não há referência ao autor das fotos, e aqui reproduzimos apenas duas dentre as mais “escandosas” para demonstrar que a mentalidade tacanha que criou as áreas de preservação permanente genéricas em nada contribui para a qualidade das águas ou para a preservação da paisagem.  Nesse lago, límpido, é usual a pesca até mesmo de salmão.

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Como se vê, as casas estão mais frequentemente nas margens do lago, que aqui seriam as tais “áreas de preservação permanente”.

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Lá, como eles são sérios na formulação e na implementação de regulamentos ambientais, nos últimos tempos foram proibidas edificações em ilhas de menos de 1 hectare, exceto se o interessado puder comprovar que adotará um sistema de tratamento de esgotos compatível com as exigências locais (basicamente, o equivalente a tanques sépticos).

Algum otário ou maníaco da crendice de que o Brasil tem “uma das leis ambientais mais adiantadas do mundo” quando se refere à proteção de florestas e corpos hídricos, dirá que lá as condições geológicas, climatológicas e outras são diferentes das “daqui”.  Mas… ‘daqui” onde, cara-pálidas?  Dos reservatórios das hidrelétricas situadas no semi-árido, como Paulo Afonso ou Sobradinho, que inundam solos de baixíssima permeabilidade e cujos níveis variam a ponto de cobrir e descobrir imensas áreas?  Ou do oeste de São Paulo e do Paraná, onde existem clubes e marinas às margens de represas, além de casas?

Evidentemente, essas duas situações são muito diferenetes do que se encontra na Amazônia ou no Pantanal.  Mas a mentalidade tacanha ambientalóide no Brasil virou lei, e a tal da realidade que se vire.

Um pouco mais sobre o Lago Ontário – já na região de Kingston, pelo lado dos EUA – pode ser visto no YouTube, e com uma rápida busca em inglês podem ser encontradas cabanas (cottages) à venda, além das usuais mansões.

O que se perde no Brasil com a lei otária é VALOR.  E não apenas o valor econômico, mas também o valor cultural do contato com a natureza e do desfrute de suas maiores belezas.

(A situação é bem diferente, é claro, quando lagos e reservatórios são margeados por extensas áreas agrícolas nas quais são aplicadas grandes quantidades de adubos químicos.  Mas mesmo nesses casos, as formas de controle lá adotadas são outras, não a regra genérica nunca aplicável e pouco eficaz.)

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

4 comentários sobre “A Tolice das Áreas de Preservação Permanente no Brasil e a Ocupação do Lago Ontário”

  1. Ainda bem que você colocou no papel (ou na internet) o que muita gente pensa e não publica. Recentemente ouvi de uma representante de órgão de suposta preservação cultural, que não autorizaria edificações novas acima de 200m2 pois ela vivia em uma casa de tal tamanho em uma outra área e considerava suficiente para o bem estar de uma familia. Mas familia e bem estar de quem?

    A fiscalização ambiental nas áreas onde vivi nos EUA é EXTREMAMENTE séria, rápida e muito cara. Nem pense em argumentar que não conhecia a lei. Já vem uma multa, um fiscal e um processo onde você tem que provar que até descartou o material em ambiente certificado. Você é responsável cuidar, limpar, comunicar à comunidade e conhecer seus direitos e obrigações.

    No Brasil, vejo leis míopes e genéricas, que para quem não conhece o dia-a-dia de certas regiões podem parecer até avançadas. Se fossem mesmo atualizadas, teriamos muito mais desenvolvimento, menos infratores e uma fiscalização muito maior. Adorei o texto! Ponha a boca no trombone, mesmo que acima dos decibéis permitidos por lei.

  2. NO caso específico, a lei genérica aqui – antes conhecida como “código florestal” – serve para manter as autoridades ambientais na generalidade de nunca ter mapeamentos sobre potencial de erosão e sedimentação, ou seja, para não colocar a “mão na massa”, não agir com base em dados da realidade concreta. A generalização e a abstração são úteis apenas para enganar os tolos que persistem com essas crendices ainda que nunca vejam resultados concretos – ou seja, melhorias na qualidade ambiental – decorrenets dessas bobagens inaplicáveis. Nos países sérios, as informações sobre o território – topografia, geologia, recursos hídricos – estão disponíveis online para qualquer cidadão. E quando os órgãos ambientais querem reduzir os processos erosivos relacionados à sedimentação em rios, não o fazem abstratamente – só tomam qualquer iniciativa depois de feitas medições em campo, e aí vão lá negociar com os proprietários a adoção de técnicas apropriadas de cultivo (plantio direto), de manutenlção da cobertura dos solos agrícolas, da abertura de trincheiras e, em último caso, de plantio dos “matinhos” que tantos suspiros provocam nos ambientalistas urbanos brasileiros e nas ONGs de lá pagas para falarem tolices aqui.

  3. Nossa, só estou vendo um bando de ignorantes, que pelo visto nunca leram um PRAD (Projeto de recuperação de área degradada) na vida. Vocês pelo visto não sabem a importância de se manter a mata auxiliar (que vem de cilios, que serve para proteger os olhos)em um rio, então se seguirmos as ideias do senhor Ricardo Setti, vamos todos desmatar a mata que fica em volta dos rios, e construir belissimas casas, que em pouquissimo tempo iram afundar devido a erosão das margens do rios, isso sem falar do lixo humano que ira direto para o rio, ou sera que esses moradores serão politicamente corretos, como aqueles que não jogam nem sequer um papel de bala no chão! O CODIGO FLORESTAL foi feito justamente para proteger nossa mata, e não para poupar trabalhar de “preguiçosos” como li em um comentario. Fica a dica então, leia mais sobre o assunto, procurem uma área onde haja um rio, e casas em volta dele, e vejam do que eu estou falando.

  4. Resolvi aprovar esse comentário pela risada que vale: “matas auxiliares (que vem de cílios)” foi realmente sensacional.
    Esse tipo de formação e de percepção da realidade é típica de “ambientalistas”.
    Aliás, “realidade”, que realidade? Ela não existe na cabeça dos “ambientalistas”.

O que você pensa a respeito?