Saltos Tecnológicos, Veículos Eficientes, Controle da Poluição Urbana – “A Lanterna na Popa”

O Brasil com “a lanterna na popa”  também na área da gestão ambiental – e por que não? – finge que controla a poluição atmosférica nas áreas metropolitanas com inspeções de emissão veiculares anuais (em alguns casos até mesmo para veículos novos).  No estado de Maryland, nos EUA, essa inspeção custa cerca de R$ 30,00 (US$ 14), não está acoplada a nenhuma outra inspeção, e pode ser feita em minutos em muitos pontos de cada município.

Enquanto a turma bate no peito e fala em “pioneirismo” na adoção da prática, o próprio Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) tenta empurrar goela abaixo dos estados – não importando a densidade de veículos, a dispersão atmosférica e o grau de poluição urbana -, a obrigatoriedade da realização das inspeções também dos veículos pesados.  Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – ainda que representem apenas 10% da frota nacional de veículos automotores, eles são responsáveis por 50% das emissões veiculares totais.  Os órgãos de meio ambiente federais – CONAMA e MMA – enfatizaram no passado recente a necessidade de que a inspeção de veículos pesados fosse feita pelo menos para os ônibus e caminhões urbanos.

Como será que anda essa inspeção das “latas-velhas” que circulam com o nome de ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde as autoridades não conseguem – e nem querem – inspecionar nem mesmo os planos de manutenção preventiva de freios, pneus e sistemas de suspensão.  Além disso, as vias expressas continuam sendo apresentadas como solução ultra-moderna (elas datam do ínicio da década de 1970 em Curitiba), sem que nunca sejam feitos estudos comparativos com outras alternativas, como a adoção de metrôs de superfície e diversas modalidades de veículos leves sobre trilhos.  Nada de ônibus híbridos, tampouco, ainda que já sejam fabricados no Brasil, mas apenas para exportação.

A farsa é geral!

Mas, para não ficarmos na mesmice do que aqui não se faz e apenas se copia, e mal copiado -, vale falar na nova geração de veículos automotores que está no forno nos países desenvolvidos, onde veículos elétricos e híbridos já foram adotados há bastante tempo, originalmente como caminho para a solução dos problemas de poluição atmosférica em grandes aglomerações urbanas (a Califórnia deu a partida).

A nova estratégia – que ocorreu no primeiro mandato de Barack Obama – é a redução do peso dos veículos,  sem comprometimento dos padrões de segurança.  Para tanto, materiais desenvolvidos originalmente para a aviação já estão sendo testados em veículos automotores.  Esses materiais, conhecidos pelo neologismo em inglês composites, palavra que  se originou da junção de materiais compostos ou combinações de materiais.  No caso, trata-se de materiais compostos avançados que já estão sendo utilizados na indústria aero-espacial e dela começam a ser transferidos para as mais variadas áreas, desde turbinas eólicas até edificações.  Mais recentemente, fabricantes de veículos automotores de passageiros começaram a testar o uso desses materiais (antes restrito aos carros de corrida).

Ao final de 2010, a BMW alemã anunciou a criação de uma nova unidade de negócios para a produção de veículos leves elétricos ou híbridos já com esses materiais compostos.  Um veículo leve elétrico deverá ser lançado já em 2013, e a versão híbrida, em 2014, com consumo médio previsto de 33 km/litro (de gasolina “de verdade”, não dessa gasolina fajuta brasileira).  Para isso, a BMW associou-se a um fabricante de materiais de fibro-carbono e construiu uma nova fábrica em Wiesbaden.  Essa nova joint-venture já abriu uma fábrica nos EUA.

Muito pouco tempo depois, a Toyata anunciou que começaria a produção de veículos com partes em fibro-carbono – teto e capô do motor – já em 2011, ainda como itens opcionais.

Nos EUA, inicialmente o Departamento de Energia abriu uma linha de pesquisa e desenvolvimento de U$ 175 milhões para acelerar o desenvolvimento e a comercialização de “tecnologias veiculares avançadas).  Mais de quarenta projetos foram apresentados para o aperfeiçoamento e a redução dos custos da fabricação desses materiais compostos avançados destinados ao uso da indústria automotiva.

Já são muitos os usos de materiais compostos avançados, o que devem levar a uma redução significativa do consumo de ferro e aço, produtos importantes da pauta de exportação brasileira.

E onde é mesmo que está a cabeça das autoridades ambientais, da área de pesquisa e desenvolvimento, ou da área de indústria e comércio no Brasil?  E os donos de siderúrgicas velhas e ultrapassadas – como a CSN, de Steinbruck que há muito entraram em declínio?   Continuam pensando nas próximas eleições, no clientelismo que hoje já é marca registrada também da gestão pública ambiental, e em seu bem-estar imediato (no caso dos assim chamados grandes empresários brasileiros)?  Afinal, se quisermos aumentar a eficiência da economia e diminuir a poluição atmosférica, em breve teremos que importar não apenas a tecnologia dos veículos fabricados no Brasil como também os materiais – ou, no mínimo, pagar pelas patentes.  Daí virão os idiotas que “a culpa” é dos países ricos.

***

Em setembro deste ano (2013), a China realiza mais uma Feira Internacional de Indústrias de Compositos.  Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência: é inexistente.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?