Dragagens Nada Prioritárias e Inquérito Criminal do MPRJ – IV

Quando os vencedores da concorrência para a dragagem (semi-inútil)) das lagoas da Barra da Tijuca foram anunciados com antecipação pela revista Época, não restou outra solução às autoridades exceto suspendê-la (ainda que provisoriamente.  Antes mesmo de que isso acontecesse, um par de dragas antigas e algo caquéticas já se encontravam ancoradas sob o viaduto que liga à Barra da Tijuca a São Conrado.  Com o cancelamento ou adiamento da concorrência, em poucos dias chegaram outras máquinas pesadas e a dragagem começou a ser feita, como se pode ver nas fotos abaixo.

 

Dragagem 1 - web pequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dragagem 2 - tamanho pequeno

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dragagem web pequena palno amplo

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se trata de coisa pequena, é claro.  Uma draga já se encontra mais ao largo e essas escavadeiras trabalham sem cessar.  Algo como 1.000 metros cúbicos por dia , agora ao longo de cerca de 30 dias?   E num trecho que inevitavelmente seria coberto pela dragagem que recebeu o nome de fantasia de “programa de recuperação ambiental das lagoas”, já que bem na proximidade do único canal que as conecta ao mar.

Mas ão há nenhuma placa indicando o responspável pela dragagem, os valores envolvidos as autorizações ambientais, NADA.  Além disso, podem ser vistos, com alguma frequência, caminhões da Prefeitura ali estacionados, não se sabe se fazendo algum serviço auxiliar para essa dragagem.

 

Dragagem - caminhão prefeitura

 

 

 

 

 

 

 

 

Os moradores do local  dizem que a areia está sendo levado para Sepetiba, o que, evidentemente, é uma versão para enganar otários.    Há excesso de areia em Sepetiba e a distância seria demasiadamente grande para justificar esse transporte.

Então, a pergunta é simples: quem está fazendo a dragagem e com autorização de que órgão ambiental?  Qual a destinação dessa areia?  Construção civil – ainda que com algum grau de salinidade, por se encontrar muito próxima ao canal que liga a lagoa ao mar -. nivelamento de terrrenos privados?  Em qualquer dos casos, a areia tem um valor econômico. Trata-se de uma extração mineral numa das áreas mais valorizadas do Rio, e não poderia ser feita sem licenciamento ambiental e não há por que o poder público pagar por essse trabalho se o material é utilizado de maneira econômica.

O que não vale é incluir esses grandes volumes dragados na fatura do poder público.  Aliás, onde está a Delegacia de Polícia do Meio Ambiente – DPMA?

Como se pode ver em posts anteriores, a dragagem será inútil, ou quase inútil, ou não há estudos de conhecimento público demonstrando qual o seu impacto na hidrodinâmica das lagoas, ou sequer apresentando as batimetrias e onde é que as dragagens serão feitas.

O assunto merece toda a atenção, devido aos imensos valore envolvidos – R$ 670 milhões -, que poderiam ser muito melhor utilizados na ampliação ou na conclusão da rede de coleta – para que se desse fim à enganação das “ligações clandestinas” com fonte da sujeira – ou, no mínimo, para que haja transparência no que se refere aos locais da dragagem e que ela não beneficie apenas um par de empreendimentos, como por exemplo o Península, da Carvalho Hosken, numa área onde, segundo moradores, manguezais vêm sendo queimados durante a noite.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?