Flash floodings – Enchentes Rápidas – Fenômenos que se Acentuam

Flash floodings – ou inundações instantâneas, súbitas – é a expressão utilizada em inglês para fenômenos que no passado aconteciam de maneira mais espaçada do que agora.  Países sérios já estão tomando providências – ouvindo os especialistas, elaborando os projetos e fazendo os investimentos – para evitar os imensos prejuízos que decorrerem e decorrerão da maior frequência dessas inundações.  Esses investimentos se estendem a quebra-mares para conter o aumento da força das ondas nas áreas costeiras como decorrência das mudanças climáticas, elevação já constatada até mesmo por especialistas brasileiros, mas que aqui não se transformam em políticas públicas.

A Agência de Meio Ambiente da Inglaterra – que faz um trabalho sério nesse campo – acaba de publicar novos mapas sobre as áreas vulneráveis a essas inundações.  Esses mapas permitiram estimar que 3 milhões de propriedades estão sujeitas aos riscos de inundações instantâneas na Inglaterra, incluindo a tradicional residência do primeiro-ministro do país, conhecida por seu endereço – 10, Downing Street.  Se consideradas as propriedades sob risco de inundações causadas pelo transbordamento de rios, o número sobe para 5 milhões de propriedades.  Uma em cada 6 residências da Inglaterra.

Mas lá, como o governo não é um loteamento de cargos entre partidos, há sinergia entre os diversos órgãos e o trabalho foi feito com base nas informações do Serviço de Previsão do Tempo – um dos melhores do mundo -, conhecido como Met Office (Met de Meteorologia), e assim a Agência Ambiental não fez promessas de compra de radares de previsão de chuvas que não saberá instalar ou operar.

Os mapas de áreas sujeitas a inundações da Agência de Meio Ambiente da Inglaterra estão disponíveis online permitindo às pessoas verem se as suas residências estão em locais vulneráveis a flash floodings.  Mas não se limitam a isso!  As autoridades inglesas de proteção ambiental fazem a diferenciação entre riscos de enchentes em rios, reservatórios e nas zonas costeiras.  Podem ser encontradas, também, instruções gerais de como preparar as residências para tais enchentes, informações sobre a potencial ocorrências locais com base no código postal, e até a alternativa dos cidadãos para receberem informações por email sobre o risco em tempo real por correio eletrônico.

A professora Julia Slingo, Cientista-Chefe do Met Office (Serviço de Meteorologia), declarou: “A tendência para chuvas extremas é uma das que estamos observando em diversas partes do mundo (…).  É essencial que possamos ver como isso vai impactar a nossa pluviometria na próxima década e após, de maneira que possamos aconselhar sobre a frequência de eventos climáticos extremos no futuro e o potencial para mais enchentes (…).  Isso ajudará àqueles que tomam decisões sobre a necessidade de futura resiliência (capacidade de adaptação) tanto na Inglaterra quanto globalmente.  Mudanças nas temperaturas superficiais das águas oceânicas devidas a ciclos naturais e à redução das calotas de gelo no mar do Ártico podem estar influenciando o aumento das chuvas, ainda que sejam necessárias mais pesquisas para avaliar esses impactos.  O aquecimento global pode ser outro fator.  Uma atmosfera mais quente pode reter mais umidade, e nós constatamos um aumento de 0,7 graus centígrados nas temperaturas glogais desde a época pré-industrial.  Com a Física básica, é possível estimar um aumento de 4% na umidade do ar, o que signfica um maior potencial de chuvas fortes.”

Já o ministro do meio ambiente da Inglaterra, Dan Rogerson, declarou: “Nós entendemos os danos e o stress que as inundações podem causar.  Por essa razão, os investimentos na proteção de comunidades contra enchentes e da erosão costeira”.

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No Brasil, os Sumários Executivos dos relatórios do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas já estão disponíveis para download (com apresentação bonitinha e péssima para quem quer lê-los numa versão impressa), mas continuam falando nos riscos “até 2100” (linguagem diplomática utilizado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU) e em “biomas”.  A  linguagem da moda, em lugar de fatos e de propostas concretas.   As generalidades parecem ser uma caracterítica atraente para a diplomacia e para as autoridades brasileiras.

“(…) as áreas costeiras baixas são vulneráveis ao aumento do nível do mar (…).  A carência de informações relacionadas aos efeitos das mudanças climática s sobre os ecossistemas costeiros (ufa!) no Brasil impedem quantificar os impactos futuros.  É necessário conhecer e mapear as vulnerabilidades em toda a extensão da costa brasileira.  Foram identificados alguns estudos locais que tratam basicamente dos efeitos de uma possível (?) elevação do nível médio do mar em tais sistemas (o grifo é nosso; nada de seres humanos, só “sistemas” e “ecossistemas”)”.  E, mais adiante, “outros impactos identificados nos estudos: (a) erosão e degradação costeias; (b) danos a obras de proteção costeira; (c) prejuízos estruturais a portos e terminais; (d) danos a obras de urbanização das ciddes litorâneas; (e) danos estruturais ou prejuízos operacionais a obras de saneamento; (f) exposição de dutos enterrados ou danos estruturais a dutos expostos; (g) intrusão salina em estuários; (h) intrusão salina em aquíferos; (i) evolução dos manguezais (?); (j) danos a recifes de coral .”  Tudo isso num só pacote de generalidades!

Enquanto os países sérios investem em obras de engenharia que adotam o estado da arte na proteção costeira, em novos conceitos de drenagem, em tecnologias para a proteção das residências, o Brasil se masturba com “áreas de preservação permanente” do mundo da fantasia ambientalóide, perdes-se na cacofonia das “áreas de risco” sem análises da viabilidade de obras de contenção com boa geotecnia, e não consegue sequer dar boa redação – e, ainda menos – aplicar leis municipais que obrigam empreendimentos com grandes áreas impermeabilizadas a fazerem sistemas de contenção com capacidade para reter uma parcela das chuvas.  Nada de verdade, tudo de papel.

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Uma curiosidade: nem com os modernos recursos de imagens de satélite o Brasil tem uma planta topográfica de suas áreas costeiras que permita definir com clareza quais as mais vulneráveis?  Segundo relatos pessoais, Carlos Nobre, oriundo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, não gostou muito quando em recente debate foi questionado sobre a necessidade de rever o programa nuclear brasileiro à luz da elevação do nível do mar já constatada em algumas regiões.  Esse programa prevê a construção de novas usinas no litoral.  Uma confirmação de que a turma prefere não tratar de assuntos práticos, de interesse da população, e não apenas de “biomas” e “ecossistemas”?

Uma questão final: o Centro de Hidrografia da Marinha foi consultado?  Ele é ótimo na medição das temperaturas dos mares, além dos serviços de meteorologia.  E a e elevação da temperatura das águas superficiais dos mares é excelente indicador das possibilidades de chuvas intensas.   Ou suas informações não são usadas pelo INPE simplesmente por se tratar de um órgão ligado às Forças Armadas?

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Images de flash-floodings na Inglaterra podem ser vistas no YouTube.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?