Mais um Rompimento de Adutora da “Nova Cedae” Inferniza a Vida do Rio de Janeiro

A “Nova Cedae” aprontou mais uma de suas usuais mega-confusões na vida da cidade do Rio de Janeiro, com um novo rompimento de adutora. Na última vez que isso aconteceu, tentou colocar a “culpa” em alguém que tinha feito uma obra de terraplenagem nas proximidades de adutora e a imprensa, é claro, esqueceu do assunto. Neste episódio, a imprensa se concentrou sobre o caos causado no trânsito da região, a inundação de garagens, e similares.  Mas, estranhamente, manteve-se alheia ao fato de que esse não foi um “acidente” comum.

As características do acontecimento sugerem que havia, ali, um vazamento de longo tempo que aos poucos fragilizou o terreno ao redor, até causar a desestabilização da adutora e seu rompimento total.  Se esse foi o caso, por quanto tempo prolongou-se esse vazamento?

Aliás, qual a idade dessa adutora?  Se um jornalista fizer essa pergunta, a resposta vai ser inventada, porque a “Nova Cedae” não tem uma base de dados razoável com a idade de seus sistemas de adução e distribuição, de suas redes coletoras, ou sequer de seus hidrômetros.  Ou seja, não tem um sistema de depreciação de seus ativos, não sabe quando se aproxima o fim da vida útil de suas redes subterrâneas e, assim, não dispõe de ferramentas básicas de gestão empresarial!

Além disso, há décadas tenta implantar um sistema de informações geográficas com a posição exata dessas mesmas redes e troncos coletores, sem avanços significativos.  Se tivesse, não ocorreriam tantos acidentes provocados por “motoristas de retroescavadeiras” de empreiteiras realizando outras obras e não seria necessário transformar a cidade num queijo suíço em caráter permanente.

Tampouco tem um sistema de macromedição – hidrômetros de grande vazão por setores e subsetores do sistema de distribuição – que lhe permita detectar perdas técnicas e comerciais – como já tem a Sanepar, no Paraná, há pelos menos 20 anos.

Ninguém vai fazer uma auditoria, porque a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro – Agenersa, essa ilustre desconhecida, é uma piada, não serve para NA-DA além de ratificar reajustes de tarifas de concessionárias privadas, mas não interfere nas tarifas ou no desempenho técnico da “Nova Cedae” (tarifas que são reajustadas por PORTARIA de seu próprio presidente, o que é literalmente um escracho quando comparado com a regulação de serviços públicos com características monopolísticas no mundo inteiro). Descaso e má gestão são as marcas registradas da “Nova Cedae”!  Mas… não era ela que ia captar dinheiro na bolsa de valores?

Que ninguém se preocupe!  Não há riscos de mudanças ou melhorias.  Tudo permanecerá igual.  Não são feitas  auditorias técnicas ou contábeis independentes dos serviços públicos que operam mediante concessão no Brasil – nem mesmo de estradas, de empresas de energia ou de telefonia.  Qual será mesmo o papel do governo, além de atualizar periodicamente os valores das tarifas, além de algumas obviedades?

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Uma imagem do tamanho do buraco e do diâmetro da adutora permite uma avaliação preliminar das hipóteses de rompimento súbito X  vazamento contínuo até a desestabilização do solo.

CEDAE

 

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?