Desperdício de Eletricidade ou “Modernidade” dos Estádios Padrão FIFA?

Grama crescendo com luz artificial nos estádios “padrão FIFA”, com o qual o governo brasileiro concordou? A foto mostra esse tipo de uso da eletricidade na “Arena” Fonte Nova, em Salvador! Estádio Padrão FIFA - Salvador II.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mesmo está acontecendo no Estádio Nacional, em Brasília, na “Arena” São Paulo, e no Maracanã, no Rio de Janeiro. Afinal, houve uma exigência da FIFA de que quase a totalidade das arquibancadas ficasse ao abrigo da chuva, e isso ocasionou uma drástica redução da incidência da luz solar nos gramados, fazendo com que fosse necessário importar equipamentos da Holanda para assegurar o crescimento adequado dos gramados… com iluminação artificial. E isso num momento em que o Brasil se defronta com uma crise energética, com todas as usinas térmicas funcionando à plena capacidade e aumentando muito o preço de energia (algo que ainda não repercutiu nas contas dos consumidores porque, em ano eleitoral, o governo resolveu subsidiar essas térmicas).

A imagem abaixo foi obtida por trabalhadores na “Arena” Nacional, em Brasília.

Estádio Padrão FIFA - Brasília.web pequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cada equipamento – uma enorme estrutura que se desloca ao longo do estádio ou “arena” – gera uma conta adicional de eletricidade na faixa de R$ 100.000/mês.

Não são poucos os  estádios europeus com cobertura retrátil, um sistema muito utilizado, também, nos EUA.  Com esse tipo de abordagem na arquitetura dos estádios brasileiros, o problema simplesmente desapareceria, além de outras vantagens relacionadas ao conforto.  Em muitos outros estádios, para evitar esse custo adicional de eletricidade, o gramado se move para fora do estádio, ocupando o local destinado ao estacionamento de automóveis ou outros espaços abertos, evitando esse custo adicional com iluminação artificial, como se pode ver na imagem abaixo do Estádio Sapporo, no Japão, que sediou jogos da Copa do Mundo em 2002, no Japão.

Gramado retrátil para fora do estádio - Sapporo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa gente não deve saber fazer contas….

***

O Brasil nunca chegou a ter uma política nacional de eficiência energética, em particular do que, já nos anos 1980, os países sérios denominavam “gerenciamento da demanda“, isto é, a redução da demanda através da introdução de medidas que resultassem em igual desempenho e menor consumo.  O exemplo mais claro disso é o atraso na introdução de iluminação pública com lâmpadas LED (sigla em inglês para “lighting emitting diode”, ou “diodo emissor de luz”), que reduz o consumo em 50%-60%, além de muitos outros benefícios, como o aumento da vida útil das lâmpadas e a redução dos custos de substituição.

Uma lista (não atualizada) de cidades que já adotaram a iluminação pública com lâmpadas LED inclui Nova York, Los Angeles, Toronto, Budapeste e muitas outras.

Mas, como nas cidades brasileiras a conta de luz sai do bolso dos contribuintes, direta ou indiretamente, quem se interessaria por isso?

***

Neste momento, os proprietários de termelétricas temem que o governo os force a interromper as manutenções programadas, já planejadas, o que colocaria os equipamentos em risco (exatamente como ocorre com uma turbina de avião sem manutenção).

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?