Mudanças Climáticas – Divergências Ejetam Economista da Equipe de Redação Final do Relatório do IPCC em Yokohama

Em Yokohoma, no Japão, representantes dos governos praticamente expulsaram um professor de economia da Universidade de Susex  da equipe que está preparando a redação final do próximo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, noticiou o The Guardian.  Richard Tol vinha insistindo em afirmar que as perdas econômicas decorrentes das mudanças climáticas seriam na faixa de 0,2 a 2% da produção mundial.  Diversos países – cujos redatores do relatório final estão presentes – discordam enfaticamente desses percentuais, que consideram uma subestimação grosseira.  Os ingleses chegaram a declarar que os números dele não faziam qualquer sentido.

De fato,  um relatório encomendado pelo Banco Central da Inglaterra (UK Treasury), publicado do final de 2006, com 700 páginas, em no mínimo 5% do PIB do país, “anualmente e para sempre”.  Nesse relatório, intitulado A Economia das Mudanças Climáticas – disponível também na página do Instituto Nacional de Pesquisaspaciais, estima-se que os investimentos necessários para reduzir as perdas econômicas com as mudanças climáticas deve ser da ordem de 2% do PIB (no caso da Inglaterra).

Menos de dois anos depois da publicação do estudo que levou o seu nome, Stern declarou que os novos números relativos às emissões globais faziam com que ele próprio tivesse subestimado os riscos.

Para os leigos em Economia, vale dizer que na visão dos países sérios uma enchente como a que vem ocorrendo nas últimas semanas em Rondônia e no Acre representam uma perda do PIB.  No Brasil, os prejuízos decorrentes dessas enchentes para o patrimônio da população e mesmo na area da infraestrutura de serviços públicos não são sequer contabilizados!  Além disso, Lord Stern – coordenou dos estudos acima mencionados – sempre enfatizou que as perdas podem ser muito maiores – de até 2-% do PIB da Inglaterra – se considerados aspectos como as perdas na estrutura (não necessriamente física) do sistema de educação pública, entre outros – que aqui tampouco chegam a ser considerados no cálculo da riqueza nacional.

Enfim, talvez pela primeira vez o IPCC saia de sua usual linguagem demasiadamente diplomática – com os repetitivos e já desgastados “até 2.100” e diga algo de concreto sobre o que já está acontencendo e o que acontecerá nos próximos 10-20 anos (ainda que o mais provável seja ficar substituit o horizonte de tempo anterior por 2.050).  O relatório dirá claramente que os extremos climáticos que estão ocorrendo nos últimos anos já são resultados das mudanças climáticas globais.  E enfatizará, entre outras coisas, os imensos riscos de enchentes nas áreas costeiras, com danos para o patrimônio em geral, incluindo os sistemas de captação de água e as usinas de geração de energia (vale pensar nas usinas nucleares de Angra I e II).

O relatório será intitulado: Mudanças Climáticas 2014 – Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades.

Pelo jeito, a imprensa brasileira – à exceção do Estadão – ainda não despertou para o assunto, ou nem sabe que a divulgação do relatório síntese ocorrerá ao final neste domingo (dia 31 de março de 2014, quando já será segunda-feira no Japão).  Ficará sabendo pelas agências de notícias, falará do assunto por um par de dias, e depois continuará tão desatenta ao assunto quanto o próprio governo (federal e estaduais, mesmo daqueles estados em que os problemas climáticos já se fazem sentir de maneira acentuada – afinal, este é um ano de Copa e eleições).

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O ministro Edson Lobão declarou que talvez peça aos brasileiros para economizar energia elétrica.  Mas não toma quaisquer iniciativas sérias na área de eficiência energética!  Essa turma gosta mesmo é de obras e de empreiteiras.

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?