Avanços da Energia Solar e Atrasos da Política Energética Brasileira

Nos últimos dias, grandes bancos divulgaram relatórios sobre a queda dos preços da energia solar no mundo, sugerindo que muito em breve essa fonte de energia competirá com o petróleo e o carvão.  O gráfico abaixo – da Bloomberg – proporciona uma clara visão dessa redução de custos.  Em 36 anos, o preço da geração com essa tecnologia caiu de US$ 76,67/watt para US$ 0,74/watt.  E as perspectivas são de que esse preço continuará a cair e as projeções sugerem que 18% da geração elétrica poderão ser provenientes da energia fotovoltaica até 2020 em partes da Europa, segundo estudos do UBS (União de Bancos Suíços).

Solar power - Price evolution

 

Segundo um relatório do Citibank, “a energia solar ainda está iniciando o seu ciclo de crescimento, e mesmo assim, em muitos países – Alemanha, Espanha, Portugal, Austrália e no sudoeste dos EUA – o uso de paineis fotovoltaicos em escala residencial já é competitivo com  o preço da energia das empresas distribuidoras”.  Agora, sem subsídios!

“Em 2014, a energia solar apresentou a maior taxa de crescimento depois do gás natural, e as perspectivas parecem excelentes para 2014.

A China e o Japão ultrapassaram amplamente os EUA na capacidade instalada de energia solar: 12 GW, 9 GW e 6,5 GW, respectivamente.”  E a China planejando expandir a sua capacidade instalada de geração fotovoltaica para 70 GW (ou 70.000 MW) até 2017 (quase 5 vezes a capacidade instalada de Itaipu).

O Brasil ainda não têm políticas consistentes de ciência e tecnologia para áreas estratégicas do desenvolvimento econômico!  Não domina a tecnologia de produção de células fotovoltaicas e não há fábricas desse tipo de equipamento instaladas no país.

E tampouco tem políticas ativas de disseminação da energia solar.  Nada mais do que a autorização recente para que pequenos geradores possam vender energia solar para a rede – noves fora as necessidades de negociações e os obstáculos técnicos-administrativos das concessionárias de distribuição.

Vale ressaltar que um parte dos preços da energia solar é constituída de custos de capital – a fabricação das células e sua montagem em paineis – e outra, significativa, são os custos de instalação.

Nos países onde a energia solar se expande, os governos apoiaram de maneira decisiva o treinamento das equipes de instalação dos sistemas.

A energia solar oferece muito maior segurança em tempos de extremos climáticos, quando os períodos de secas serão mais intensos e mais prolongados, com riscos para a capacidade de geração hidrelétrica do Brasil.  Mas ela não é de interesse das empreiteiras que constroem barragens.

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Uma das diferenças é que nos países sérios ninguém fica esperando por decisões do governo central.  A Califórnia fez, há muito, uma concorrência pública para a aquisição de paineis solares para prédios governamentais ao longo de 5 anos… desde que a empresa colocasse a fábrica no estado.  Claro que de maneira mais séria que aqui, com estudos de viabilidade técnica e econômica, e não pedidos de propina pela doação do terreno, infraestrutura e isenções tributárias.

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?