O Pentágono se Prepara para as “Instabilidades” Decorrentes das Mudanças Climáticas

O Departamento de Defesa dos EUA está financiando diversos estudos de universidades e centros de pesquisa sobre “instabilidades civis de grande escala” em todo o mundo.  O objetivo declarado é “aperfeiçoar o entendimento dos comportamentos das forças sociais, culturais, comportamentais e políticas nas regiões do mundo de interesse estratégico para os EUA”.

As informações encontram-se num artigo do jornalista Nafeez Ahmed, especializado sem segurança internacional, num artigo intitulado O Pentágono Prepara-se para um Massivo Colapso Civil, do jornalista Nafeez Ahmed, especialiizado em segurança internacional, publicado pelo jornal inglês The Guardian.

A iniciativa, supervisionada pelas mais variadas agências do Departamento de Defesa, desde aquelas puramente militares até as de pesquisa e de espionagem.  A Universidade de Cornell, por exemplo, está encarregada de um estudo patrocinado pelo Departamento de Pesquisa Científica da Força Aérea para desenvolver uma modelagem empírica da “dinâmica de contágio nos movimentos sociais” através do rastreamento digital dos movimentos sociaiis tais como a revolução do Egito em 2011, as eleições para o parlamento da Rússia em 2012, a crise gerada pelos subsídios na Nigéria em 2013, os protestos na Turquia, e por aí afora.  Twitters, posts e trocas de emails serão analisados para “identificar  como o comportamento dos indivíduos provoca o contágio social e quanto as pessoas passam a se mobilizar.

Em seu artigo, o jornalista afirma ter entrado em contato com a direção do Programa Minerva para esclarecer, entre outras coisas, em que medida as organizações não-governamentais, “consideradas um elemento vital para a saúde da democracia e da sociedade civil” poderiam ser consideradas uma ameaça à segurança dos EUA, mas não obteve resposta.

Em 2013, o mesmo Programa Minerva já havia contratado a Universidade de Maryland, para examinar, em cooperação com um dos laboratórios do Departamento de Energia, em que medida o que poderia acontecer com as sociedades em decorrência de diferentes cenários de mudanças climáticas.

O mesmo jornalista investigativo já havia publicado, em 2013, um artigo intitulado O Pentágono Foca na Disrupção Pública Decorrente das Mudanças Climáticas e dos Choques Energéticos, baseado na revelação, pelo mesmo The Guardian, de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA mantinha um projeto de acesso direto ao Facebook, bem como aos gigantes da internet como Apple, Google, Microsoft e outros para coletar informações sobre o potencial de desencadeamento de movimentos ativistas em decorrência das mudanças climáticas.  O projeto, denominado Prisma – Cinco Olhos, contava com a participação da Inglaterra, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia.  Nada mal.

Um mês antes da publicação dessa notícia pelo The Guardian, mudanças unilaterais nas leis militares dos EUA garantiram ao Pentágono poderes para intervir em “emergências domésticas e em perturbações civis” sem autorização presidencial sempre que as autoridades locais não demonstrassem capacidade de controlar tais situações.

De acordo com o artigo, em 2006 um documento intitulado Estratégia de Segurança Nacional dos EUA já alertava para o fato de que a “destruição do meio ambiente causada por atividades humanas ou por mega-desastres e cataclismos como enchentes, furacões, terremotos e tsunamis poderiam superar a capacidade das autoridades locais para uma resposta adequada (…), podendo requerer uma ação internacional mais ampla”.

“Em 2010, o Pentágono fez simulações com jogos de guerra para explorar as implicações de um colpaso econômico de larga escala com impactos nos suprimentos alimentares e outros serviços essenciais, incluindo a manutenção da ordem nacional em meio às inquietações civis” decorrentes de tais situações.

“A espionagem doméstica teve como alvos sistemáticos ativistas ambientais pacíficos (…).  Estudos feitos pela Universidade de Bath, na Inglaterra,  baseados em fontes de informação confidenciais, mostraram que uma ampla gama de corporações acobertam métodos para monitorar grupos de ativistas e combater as críticas às suas práticas e estratégias, assim como para sonegar informações.”   Entre as corporações citadas encontram-se o McDonald’s, a Nestlé e a Shell.

Bem-vindos ao Admirável Mundo Novo, agora sob a “nova administração” da espionagem e da militarização!

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?