Acelerando as Mudanças Climáticas com o “Fracking”, a Extração de Gás de Xisto por Injeção de Fluidos sob Alta Pressão

Ao longo da última década, países como EUA e Inglaterra anunciaram o fracking como uma grande revolução tanto para as suas políticas de segurança energética quanto para a redução das emissões dos gases causadores de mudanças climáticas, já que o gás natural representaria menor contribuição para tais mudanças do que o carvão ou o petróleo.

Fracking é o neologismo adotado para designar o “fraturamento hidráulico”, tecnologia que permite extrair o gás de xisto encontrado nas fraturas das rochas subterrâneas através de injeção de fluidos sob alta pressão.  Apesar dos elevados riscos de contaminação das águas subterrâneas,  a febre do fracking foi tão intensa que leis especiais foram aprovadas a toque de caixa para permitir a sua extração até mesmo a pequenas distâncias – 100 metros – de residência, independentemente de qualquer autorização dos proprietários das terras.  Na Inglaterra, chegou-se a debater a autorização para o fracking no subsolo das edificações, já que a tecnologia permite a perfuração horizontal.

Agora, a febre dá sinais de ceder:  já não se sabe se há tanto gás de xisto assim nesses países para mudar radicalmente a configuração geopolítica mundial, e o que é pior, surgem fortes indícios de que só no estado da Pennsylvania imensas quantidades de metano estão escapando de centenas de milhares de poços de fracking abandonados.

E o metano é um gás de alto impacto para a aceleração das mudanças climáticas.  Estudos científicos demonstram que num período de 100 anos o metanto é 34 vezes mais potente do que o dióxido de carbono para a aceleração das mudanças climáticas e num período inicial de 20 anos essa diferença chega a ser de 86 vezes.

A notícia, publicada pelo jornal inglês The Guardian, trás o link para o sumário executivo de um desses estudos.

Além disso, outros estudos demonstraram que mesmo a extração de gás pelos métodos tradicionais resulta em emissões de metano muitas vezes mais elevada do que até recentemente se estimava como “desprezível”.  Um desses etudos foi feito por cientistas da Universidade da Califórnia e publicados pela Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Essas grandes quantidades de metano não constam dos inventários da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).  Os tais inventários incoporam apenas informações produzidas pela própria indústria petroleira.

Finalmente, vale resssaltar que um estudo encomendado pela Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera do governo dos EUA demonstrou que os níveis de concentração de metano em regiões do Colorado são quase três vezes superiores àqueles estimados nos inventários (enquanto as concentrações de benzeno são até sete vezes superiores às estimativas; o benzeno é comprovadamente carcinogênico, além de afetar  os sistemas imunológico, nervoso e hematológico dos seres humanos).

Se assim acontece diante dos olhos da poderosa EPA, dá para imaginar o que acontece na Rússia, que se alterna com os EUA na liderança da produção mundial de gás natural, ou nos outros grandes produtores, como Irã, Qatar e China…

Com essas novas descobertas, as mudanças climáticas tendem a se acelerar!

E por aqui, no Brasil,  como andam os tais inventários que serviram aos políticos “ambientalistas” de festim?  A Petrobrás e outras fornecem informações sobre as emissões de metano na extração e na transmissão de gás?  E agora que o governo se prepara para autorizar a extração de gás de xisto, já foram pelo menos consideradas normas para evitar a contaminação das águas subterrâneas?  Ou os farsantes de sempre vão continuar fingindo que as farão “compensações” desses níveis muito mais elevados de emissões plantando “arvrinhas” em quantidades e em áreas nunca sujeitas a auditorias independentes?

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?