Avanços Tecnológicos na Área de Transportes – Amplia-se Rapidamente a Dependência Tecnológica do Brasil – Não Há “Fuga para o Passado”

Os países sérios avançam rapidamente no aperfeiçoamento e na disseminação das células de combustível, bem como dos sistemas de estocagem e uso de hidrogênio.  Tais sistemas já estão sendo utilizados em veículos automotores mais eficientes e sem emissão de poluentes quanto em imóveis que, assim, podem se tornar independentes da rede de distribuição de energia).  Alemanha, EUA, Austrália – são apenas alguns exemplos.

Nos EUA, o Ministério dos Transportes tem mesmo um Programa Nacional de Células de Combustível para Ônibus – uma parceria entre o governo e a iniciativa privada para aperfeiçoar e disseminar o uso desse tipo de tecnologia.

Lá, os primeiros protótipos de ônibus híbridos utilizando células de combustíveis entraram em circulação em 1991.  Desde então, um único fabricante, Ballard, colocou em circulação veículos de transporte público com esse tipo de tecnologia.  Há alguns anos, essa empresa associou-se à canadense New Flyer num projeto de demonstração com o apoio da Autoridade de Trânsito da Província de British Columbia.  Juntas, colocaram em circulação uma frota de 20 ônibus movidos a células de combustível que entraram em circulação em 2009 e até 2014 rodaram cerca de 4 milhões de quilômetros.

Esse é apenas um entre muitos exemplos do que está acontecendo nesses países e em outros.  Emissões zero.

Recentemente, em outubro de 2014, um consórcio de 150 empresas anunciou que recebeu autorização da Autoridade Federal de Trânsito dos EUA (vale visitar a página dessa agência governamental para ver como opera) para desenvolver um ônibus sem nenhuma emissão de poluentes.   Um primeiro ônibus com 20 metros de comprimento e um sistema de propulsão apoiado numa nova geração de células de combustível deverá entrar em operação já em meados de 2015.  O objetivo do projeto é aumentar a durabilidade e reduzir os custos desses ônibus de maneira a assegurar avanços na direção do transporte automotivo de massas com poluição zero.  O consórcio – Calstart – é uma organização sem fins lucrativos formado por montadoras e fornecedores de sistemas/componentes para esses veículos.

Um vídeo de 11 minutos ilustra os avanços do uso de células de combustível no transporte público de Colônia, na Alemanha.  Programas semelhantes avançam rapidamente nos países sérios

Células de combustível já estão sendo utilizadas também para a geração descentralizada de energia, em níveis de eficiência que já são superiores aos da eletricidade de origem fotovoltaica no que se refere à conversão da fonte de energia primária – que pode ser gás natural ou a luz solar – para energia elétrica ou mecânica.  Com elas, ampliam-se em muito as garantias de segurança energética e para a redução da emissão de poluentes.

É fascinante a persistência desses países no desenvolvimento e na aplicação e na disseminação de células de combustível – que requer da formação de bons cientistas à aplicação de seus conhecimentos em tecnologia e, depois, na produção em escala para alcançar preços compatíveis com as possibilidades do mercado e dos sistemas concorrentes.

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Entre tantos outros, aí está um bom exemplo de como o Brasil caminha de maneira acelerada em direção ao subdesenvolvimento (já que o desenvolvimento é sempre relativo).   O país anda à matroca, à toa, sem rumos além de uma hipotética salvação através da ampliação do consumo – na esmagadora maioria de bens importados ou com elevados conteúdo de componentes e sistemas importados.    Não se gera – e até se despreza – o conhecimento.  Logo estará pagando royalties e importando os principais componentes – além da embalagem – para uso dessas novas tecnologias.

Enquanto isso, alguns falam em “sustentabilidade” sem terem os necessários elementos para explicar em que consiste essa proposta?  Um retorno ao estilo de vida de Xapuri nos anos 50?  A mera coleta seletiva e reprocessamento de latinhas de alumínio, vidro e papel (desconsiderados os custos da tal “logística reversa” nesses casos)?  O combate ao “consumismo” (ainda que as ONGs ambientalistas também usem laptops e sistemas de comunicação de última geração)?

Papo-furado, ar quente.  Não há futuro nas propostas de “fuga para o passado”, ainda que o mito do eterno retorno (às origens) tenha estado sempre presente na história da humanidade.

As diretorias de sustentabilidade das grandes corporações multinacionais e todo o pensamento sobre científico sobre meio ambiente nos países avançados já deixaram de lado a sustentabilidade – considerado um conceito obsoleto – e a substituiram pela ideia de resiliência, mirando a capacidade de adaptar-se a realidades totalmente novas que já estão delineadas para um futuro bem próximo.

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O Rio de Janeiro, cujo prefeito no momento “preside” uma organização de municípios voltada para a eficiência energética e para a redução das emissões de gases causadores das mudanças climáticas, não conseguiu colocar nem ônibus híbridos já fábricados no Brasil como parte dos milionários investimentos em BRTs.

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?