Agência Nacional de Águas – ANA – Símbolo Maior de Inércia na Gestão de Águas e Uso Eleitoral do Órgão Público

O obscuro sindicalista Vicente Andreu tornou-se presidente da abúlica Agência Nacional de Água – ANA apenas em função de indicações partidárias.  Compadrio 10, qualificações zero!

Agora, às vésperas das eleições para a presidência da república, ele resolveu fazer uso de seu cargo para tentar atribuir ao governo de São Paulo a responsabilidade por uma seca que coloca o abastecimento público de água em grave risco – com iguais riscos para a ordem social e econômica.  Alguns, como ele, acreditam que o cargo lhes dá dignidade e não que lhe caberia dar dignidade ao cargo.  Tecnicamente inerte e à frente de uma agência abúlica, o “presidente” da ANA criticou a gestão do “sistema Cantareira” pelo governo estadual de São Paulo.  Leu alguns números pinçados por seus assessores e mais não disse, até porque mais não sabe.

Não sabe, por exemplo, explicar o que fez a ANA quando os níveis dos reservatórios desse sistema começaram a cair, isto é, se sob a sua “liderança” a ANA cooperou com o governo do estado na elaboração de um plano B, de um plano de contingência para uma situação emergencial, ou se usou de seus conhecimentos para prever o que iria acontecer no caso de uma estiagem mais prolongada.

A gestão da crise pelo governo de São Paulo foi e continua sendo péssima porque conduzida pela concessionária de água e esgoto que, como no Rio, faz apenas o arroz com feijão, muito mal e porcamente: captam água para vender e tentam cobrar atitudes dos consumidores, ainda que seus níveis de perdas técnicas e comerciais sejam elevadíssimos.

Nada de equipes de hidrólogos, engenheiros com visões de alternativas diversas, e ainda menos de meteorologistas.  Afinal, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que poderia fazer alguma previsão sobre chuvas no médio prazo ou dizer algo sobre a duração da estiagem, ao que parece anda proibido de falar.  E o “cumpanhero” Vicente Andreu não deve sequer saber de sua existência, de suas atribuições, do nome de seu presidente – e assim não conseguirá mostrar uma troca de emails entre ambos ou indicar a ocorrência de um encontro ou telefonema para pedir apoio.  Se não tem política eleitoreira em jogo, não interessa que existam outros órgãos do governo fedearal que deveriam ser ouvidos.

Se o uso da segunda cota do sistema Cantareira pode ser classificada como uma pré-tragédia, a falação vazia do “seu Vicente” e a omissão persistente da ANA em questões de previsão de disponibilidades hídricas e de conservação desse recurso no Brasil não a credencia para fingir que está dando assistência a países caribenhos.  “Seu Vicente” – para quando está previsto o colapso dos primeiros reservatórios responsáveis pela geração de energia elétrica no Brasil se a atual seca se prolongar?  Ou qual foi a assistência prestada aos governos estaduais e à iniciativa privada brasileira no que se refere às restrições à navegação para escoamente de produtos em decorrência desses extremos climáticos?

“Seu Vicente”, o sindicalista, nesse cargo, o senhor não é a “pré-tragédia”, mas a tragédia em marcha.  Afinal, a seca já se estende a várias regiões de Minas Gerais – incluindo as nascentes do rio São Francisco – e logo se ampliará no Rio de Janeiro.  Fora as centenas de municípios do Nordeste com secas que se repetem em ciclos cada vez mais curtos.

Isso para não falar na anemia administrativa aguda da pesada estrutura do tal Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH!

Nenhum deles deve saber – ou prefere ocultar – que a California encontra-se em crise semelhante há três anos, que os cientistas convocados pelo governador desse estado norte-americano para examinar a crise já declararam que eles não sabem quanto tempo ela poderá durar (quem não sabe alguma coisa entre os especialistas como seu Vicente?), que os EUA realizaram em setembro o seu 29º Simpósio Anual Sobre Reuso de Água e a página para o próximo simpósio já está ativa (esses são simpósios nacionais – há, também, os estaduais, os por setor da indústria de mais alto consumo de água e os voltados para os avanços tecnológicos).  Não devem saber, tampouco, talvez por se orgulharem de serem “monoglotas”, que diante dos extremos climáticos simpósios sobre reuso de água estão sendo realizados em muitos países, entre os quais o Vietnam, o Chile, a China e a Índia.

Dilma Pena, presidente da SABESP, já pediu sua exoneração.  Agora é a sua vez, seu Vicente!  Seu Vicente, pede para sair (desse “emprego”)!

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Já é tempo dos governos estaduais e municipais agirem sem ficar esperando pela ANA e por seu Vicente.  Uma rápida articulação para a importação de equipamentos de osmose reversa para purificação de água potável -, para a produção em escala comercial da máquina brasileira que “fabrica água” e outras iniciativas simples podem evitar que os chineses dominem rapidamente esse mercado e acabemos pagando royalties e aumentado o deficit da balança comercial.

Além disso, o que é mesmo que a tal da ANA, MMA, a CETESB e a SABESP fizeram nos últimos anos para melhor conhecer, proteger, e utilizar ou considerar a possibilidade de utilização do Aquífero Guarani num ciclo de extremo climático como o que está castigando algumas das regiões que talvez pudessem ter acesso a essas reservas?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?