Agência Nacional de Águas – ANA: a Mentira e a Fragmentação das Informações – II

Uma das formas de mentir é fragmentar a informação de maneira a que se evite a compreensão ou sequer a percepção do conjunto de uma situação qualquer.

Desta vez, a mentira foi tentar evitar os problemas da seca – cuja responsabilidade foi atribuída pela “tal da ANA” à má gestão do governo de São Paulo – fosse percebidos em sua totalidade.  Assim, a “tal da ANA” – presidida por um sindicalista que do assunto só entende a oportunidade eleitoral – deixou parte fundamental do problema maior por conta do Operador Nacional do Sistema – ONS (que a esmagadora maioria da população não conhece mesmo, e sequer usa a palavra “água”: o nível crítico de muitos reservatórios, que pode comprometer não apenas o abastecimento humano como também a geração de eletricidade, levando a um “apagão” como ocorreu no passado.

E aí, “dona ANA”. de quem seria a responsabilidade, por exemplo, se a Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes tiver que ser desligada?  De Furnas, do Operador Nacional do Sistema, do governo federal ou da própria ANA?

E os níveis baixíssimos ou críticos de algumas usinas do rio São Francisco, assunto sobre o qual a grande imprensa governista (O Globo e Folha de São Paulo) tem silenciado, é de responsabilidade de quem?   O fato do reservatório da Usina de Três Marias, cuja capacidade de geração corresponde a 31% da região nordeste, estar com apenas 3,37% de sua capacidade será levado à conta de um partido político, “dona ANA”?

Diante de um quadro de extremos climáticos que já ocorre no mundo inteiro, o Brasil se preparou muito mal no que se refere à segurança energética, em particular micro-geração distribuída com tecnologias que vâo da energia solar fotovoltaica às células de combustível.  E a responsabilidade principal é do governo federal, via ANEEL, que só recentemente permitiu a alimentação de redes de baixa e média tensão com eletricidade gerada com o uso dessas tecnologias, sem estabelecer regras e procedimentos administrativos claros, ou seja, deixando o micro-gerador refém das concessionárias.

“Dona Ana” – pede para sair!

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Essa parcialidade eleitoreira de um órgão que deveria ser exclusivamente técnico não exime os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro de responsabilidades, a maior delas sendo deixar a questão da meteorologia e das abordagens inovadoras para o uso eficiente da água por conta das concessionárias estaduais retrógradas, pesadas, habituadas apenas à mesmice.

 

 

 

 

 

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?