Mega-Seca e Incêndios Florestais na Califórnia – Um Alerta Adicional: O Futuro Chegou

Nestes dias, na Califórnia em decorrência de incêndios florestais fora de controle e que ontem – domingo, 13/9/2015 – já havia devastado 250.000 hectares e incendiado um número estimado de 500 casas nas primeiras 12 horas.  Esse é um dos resultados do 4° ano de seca no estado, já considerada uma das mais severas dos últimos 100 anos, e que levou o governo a decretar estado de emergência.

As imagens abaixo, feitas por pessoas que fugiam num veículo, permitem a quem as visualiza a sensação de viajar com os passageiros.

E as previsões são de que o pior talvez ainda esteja por vir, já que cerca de 30% dos sistemas de estocagem natural de água na Califórnia encontram-se na formação de gelo na Serra Nevada.  Ao final de cada inverno, o degelo forma ou mantem o fluxo dos rios que abastecem a agricultura e boa parte do estado.

Para avaliar a formação de gelo e as disponibilidades de água os EUA mantêm diferentes serviços de medição específicos, entre os quais o Centro Nacional de Dados Sobre a Neve e o Gelo e o Centro Nacional de Informações Ambientais da Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera.  Com base em informações de grande precisão, uma equipe de cientistas da Universidade do Arizona demonstrou que a formação de gelo ao longo dos 1.000 km do topo da Serra Nevada atingiram o seu nível mais baixo ao longo dos últimos 500 anos (no mínimo).  A formação de neve no último inverno correspondeu a apenas 5% da média do período compreendido entre os anos 1951 e 2000.

Como a NASA – entre outras agências espaciais – já têm satélites que detectam até mesmo a umidade dos solos e o volume total de água estocada nos aquíferos subterrâneos, seria demais recomendar aos poderes públicos no país que busquem acesso a essas informações e comecem a formular políticas sérias de reuso de água, incluindo a reinjeção para recarga desses aquíferos?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?